Labirintite tem cura? Sua tontura é mesmo labirintite?
Sim, a labirintite verdadeira tem tratamento e pode ter resolução completa, mas o prognóstico depende da causa. Além disso, muitas condições popularmente chamadas de “labirintite” são outros distúrbios vestibulares.
Doutora, labirintite tem cura? ― Quando um paciente me faz essa pergunta, preciso entender, primeiro, do que ele realmente está falando.
Usei aspas no título porque o termo labirintite é popularmente utilizado como sinônimo de tontura e, diferentemente do senso comum, essa doença é muito rara no consultório.
É quase certo que, na realidade, o paciente esteja em busca de uma melhora para um quadro de tontura que vem se arrastando há algum tempo sem um bom esclarecimento.
Vamos conversar um pouco sobre isso?
É tontura ou labirintite?
A primeira coisa que você deve entender é que a labirintite é uma infecção (bacteriana ou viral) no labirinto, órgão do ouvido interno relacionado ao equilíbrio e à audição. A tontura é sim um dos seus sintomas, mas em um quadro dessa natureza, esperamos também:
- alterações auditivas: como perda de audição, sensação de ouvido tapado e zumbido;
- crises de vertigem: sensação de que o ambiente ao redor está girando;
- febre e sudorese: que, geralmente, acompanham sensação de mal estar;
- náuseas e vômito: desencadeados por alterações gastrointestinais decorrentes da tontura e da vertigem;
- nistagmo: pequenos movimentos involuntários dos olhos que indicam algum tipo de assimetria no funcionamento dos labirintos.
A tontura, por sua vez, é um sintoma que pode ser descrito de várias formas, como desorientação, desequilíbrio, receio de desmaio iminente ou sensação de ver o mundo girar ou balançar (que é o que chamamos de vertigem).
Labirintite tem cura?
Sim. Quando falamos de labirintite verdadeira, isto é, uma inflamação no ouvido interno, ela geralmente tem cura. Na maioria dos casos, trata-se de um quadro agudo, frequentemente relacionado a uma infecção viral e, menos frequentemente, bacteriana. Com o tratamento adequado, a inflamação tende a desaparecer.
Os principais sintomas da labirintite, como vertigem, náuseas, vômitos, desequilíbrio e alterações auditivas, costumam melhorar progressivamente conforme o organismo se recupera.
Entretanto, apesar de a doença em si desaparecer, algumas pessoas podem permanecer por algum tempo com tontura, desequilíbrio ou perda auditiva, especialmente nos casos mais graves. Por isso, a recuperação completa pode levar semanas e varia de pessoa para pessoa.
Quais são as principais causas da tontura?
A tontura é um sintoma associado a diversas causas e, aqui, cabe uma informação que merece ser destacada: a labirintite é uma doença muito rara!
Em adultos, o quadro geralmente se inicia com uma típica infecção de vias áreas, como uma gripe ou um resfriado. Em crianças, a doença pode surgir após uma otite média aguda, bastante comum nessa fase. Entretanto, a evolução desses quadros para a labirintite não é algo observado com frequência.
Existem diagnósticos muito mais recorrentes e, portanto, muito mais prováveis para pacientes que se queixam de tontura, como:
- tontura dos cristais (vertigem posicional paroxística benigna);
- vertigem fóbica (tontura postural perceptual persistente);
- enxaqueca vestibular;
- doença de Ménière;
- neurite vestibular.
A tontura também pode estar associada a algum tipo de alteração metabólica, como aumento da glicose, resistência à insulina ou queda de pressão, entre outras possibilidades.
Como é feito o diagnóstico dessas doenças?
Investigar a origem da tontura pode ser uma tarefa desafiadora, pois não há um exame específico capaz de apontar, com precisão, a causa do sintoma.
Na maioria dos casos, é a história contada pelo paciente no consultório o fator decisivo para o diagnóstico. Exames, inclusive, nem sempre são necessários.
Para todos os casos, é fundamental consultar um médico otorrinolaringologista, preferencialmente um otoneurologista (especialista em sintomas como tontura e zumbido).
A avaliação médica é muito importante para descartar possíveis causas e condições associadas. Somente o médico pode garantir um diagnóstico confiável e definir uma estratégia de tratamento segura e eficaz para a sua tontura, que pode sim ser curada.
Como curar a labirintite ou a tontura?
Você deve saber que existem recursos e tratamentos para todos os tipos de tontura, mas todos eles requerem um diagnóstico preciso e acompanhamento médico adequado.
A cura da labirintite verdadeira, cuja maioria dos casos estão ligados a uma infecção viral, é obtida por meio do tratamento, que consiste em repouso, hidratação e bons hábitos alimentares, além de medicamentos para aliviar os sintomas.
Quadros de origem bacteriana, porém, podem demandar o uso de antibióticos (geralmente venosos) e seu uso só deve ser feito mediante prescrição e orientação médica.
Para os demais diagnósticos, o tratamento dependerá de cada causa. A VPPB, por exemplo, é tratada em consultório, por meio da manobra Dix Halpike. Já a TPPP é uma condição que exige apoio interdisciplinar (nesse caso, psicológico e psiquiátrico).
Concluindo: a labirintite tem cura sim, mas você não deve assumir esse diagnóstico por conta própria!
Quanto antes você procurar um médico, mais cedo poderá iniciar o tratamento correto para sua tontura!
De maneira geral, é sempre recomendável manter a saúde em dia, praticar atividades físicas regularmente e se alimentar bem, o que nos leva a outra dúvida muito comum: existe algum alimento que devo evitar durante a tontura?
No vídeo abaixo, esclareço essa questão.

