Labirintite: definição, sintomas, causas, diagnóstico, tratamento, dúvidas comuns e como diferenciá-la de outras doenças que causam tontura

Labirintite é um termo usado popularmente para caracterizar qualquer tipo de tontura, mas se refere, de fato, à infecção ou inflamação do labirinto, órgão responsável pela nossa audição e pelo nosso equilíbrio. É conhecida por gerar sintomas como tontura e vertigem, além de alterações auditivas, como sensação de ouvido tapado e zumbido.
Doutora, ando sentindo tonturas. Acho que estou com labirintite! — Será mesmo?
Embora seja popularmente associada a diferentes manifestações de tontura, a labirintite, de fato, é um diagnóstico incomum no consultório.
Várias alterações, disfunções e doenças podem provocar tontura, e somente a avaliação médica correta pode identificar a sua verdadeira causa - inclusive, se o que você busca são informações específicas sobre tontura, já deixo aqui o nosso artigo completo sobre o sintoma.
Neste artigo, trago todas as informações que você precisa saber sobre a labirintite, de fato, e explico como diferenciá-la de outras alterações e patologias. Continue a leitura para conferir!
O que é labirintite?
Labirintite é a infecção que acomete o labirinto, órgão do ouvido interno relacionado à nossa audição e ao nosso equilíbrio.
É um diagnóstico relativamente raro no consultório de otorrinolaringologia e considerado um quadro grave, embora a maioria dos pacientes se recupere completamente dentro de algumas semanas, podendo permanecer com alguma sequela, como a perda auditiva.
Assim como em outras doenças e alterações que acometem o labirinto, a tontura típica da labirintite é a vertigem, a sensação de que o seu o corpo ou o ambiente ao seu redor está girando.
Entretanto, é importante frisar que o quadro geralmente traz vários outros sintomas, como sensação de ouvido tapado, zumbido, perda de audição, dor no ouvido, além de sintomas típicos de infecções, como febre, sudorese e náusea.
É labirintite ou tontura?
Os termos “labirintite” e “tontura” são frequentemente utilizados de maneira intercambiável, o que pode contribuir para generalizações indevidas. Em rigor, a labirintite é uma doença e a tontura, um sintoma. A tontura é apenas um dos sintomas da labirintite, que, inclusive, está presente em várias outras doenças.
Considerando as estatísticas, inclusive, adianto que a sua “labirintite” provavelmente não é labirintite, de fato. Existem vários outros quadros que trazem a tontura como sintoma principal, como a vertigem posicional paroxística benigna e a vertigem fóbica, que são muito mais frequentes, embora não sejam tão populares.
Para cada um desses diagnósticos, há recursos e estratégias de tratamento específicas. Por isso, sempre desconfie de soluções generalistas que prometem curar qualquer tipo de tontura.
Por que a labirintite é considerada uma infecção grave?
Embora muitas pessoas usem o termo “labirintite” de forma genérica para qualquer tontura, a labirintite verdadeira é considerada uma condição grave e que merece atenção médica imediata, principalmente quando há suspeita de origem bacteriana.
As bactérias podem invadir o labirinto a partir de uma otite média grave, uma meningite ou até por via sanguínea, levando a uma inflamação intensa com risco de perda auditiva permanente e danos ao sistema vestibular.
Os sintomas da labirintite infecciosa costumam ser mais severos, com quadros de vertigem intensa e incapacitante, perda auditiva súbita, zumbido, náusea e vômito.
O que é labirintite purulenta?
A labirintite purulenta é um tipo raro, porém extremamente sério de labirintite causada por uma infecção bacteriana aguda. Nesse caso, como o próprio nome diz, o labirinto é invadido por pus (material purulento).
Esta labirintite em específico representa uma urgência médica, pois pode causar perda auditiva irreversível e destruição das estruturas do labirinto, além de complicações cerebrais (se a infecção se espalhar). O tratamento é feito com antibióticos, geralmente por via endovenosa.
Quais são as causas da labirintite?
A labirintite geralmente surge a partir de um quadro infeccioso no trato respiratório, principalmente em adultos.
Pode ser causada por vírus comuns, como os que provocam gripes e resfriados, por bactérias que migram para a região do ouvido, levadas pelo excesso de secreção na orelha média, por um sangramento no labirinto ou através de um quadro de meningite. A otite média aguda, muito comum em crianças, pode ser também um ponto de partida para infecções no labirinto.
De maneira geral, é muito raro observar a evolução desses quadros para uma labirintite, pois, na maioria dos pacientes, essas infecções e alterações prévias se resolvem naturalmente ou por meio do uso de antibióticos.
O que leva uma pessoa a ter labirintite?
Como dito, a labirintite não é um quadro muito recorrente na população quando comparada a outras doenças otorrinolaringológicas. Entretanto, ela é mais frequente em pacientes com alguma comorbidade específica, imunossuprimidos e pessoas com histórico frequente de patologias ou disfunções na região do ouvido.
Isso não quer dizer que pessoas saudáveis e sem comorbidades não apresentem essa doença, mas é muito raro ocorrer.
De maneira geral, podemos dizer que adotar hábitos saudáveis é uma forma de prevenir esse tipo de quadro.
- Saiba mais: A labirintite pode ser um problema hereditário?
Quais são os tipos de labirintite e qual o tratamento para cada uma delas?
Como dito, a labirintite pode ser provocada por vírus ou por bactérias. Vejamos um pouco sobre cada tipo.
Labirintite viral
Assim como em outras infecções virais, o tratamento deste tipo de labirintite é geralmente sintomático. Ou seja, na maioria dos casos, o organismo do paciente é capaz de lidar com a doença, sendo necessários apenas o acompanhamento médico e medicações para aliviar os sintomas.
Vários vírus podem provocar a labirintite viral, inclusive os causadores de gripes e resfriados. Muitos casos também são observados com os vírus causadores de rubéola, caxumba e sarampo.
Labirintite bacteriana
Na labirintite bacteriana, o tratamento é feito por meio de antibióticos, além de medicações para aliviar os sintomas.
Vários tipos de bactérias podem provocá-la, como a streptococcus pneumoniae (causadora de pneumonia e meningite) e a haemophilus influenzae (que comumente provoca infecção de garganta e otite média). Em crianças, a infecção surge frequentemente após quadros de meningite e otite.
Quais são os sintomas da labirintite?
Os sintomas da labirintite são muito parecidos com os de outros quadros que também afetam componentes do ouvido interno. Muitas vezes, até profissionais da saúde se confundem no diagnóstico.
Os primeiros sinais da labirintite se assemelham ao surgimento de outras infecções, com uma característica importante: ela sempre provocará alterações na percepção espacial associadas a sintomas auditivos!
Além disso, a labirintite nunca provoca tontura em crises (de tempos em tempos), ou seja, é um quadro agudo, único, geralmente intenso e que pode deixar sequelas.
Isso significa que se a sua tontura não é acompanhada de sensação de ouvido tapado, perda de audição, zumbido e outros sintomas dessa natureza, é improvável que a sua causa seja a labirintite.
É importante frisar, porém, que alguns pacientes, por ficarem tão incomodados com a tontura, não percebem, em um primeiro momento, alterações auditivas que poderão ser melhor evidenciadas com exames complementares.
Além dos sintomas citados, são também esperados:
- vertigem: é o sintoma mais comum da labirintite e se diferencia da tontura por apresentar algum tipo de ilusão de movimento (o paciente sente que ele ou o ambiente ao seu redor está girando ou se movimentando);
- nistagmo: caracterizado pelo movimento involuntário dos olhos, que indica alguma assimetria no funcionamento dos labirintos;
- suor excessivo: típico de infecções em geral, pacientes com labirintite podem apresentar sudorese intensa com sensação de suor frio;
- vômito: a tontura e a vertigem podem gerar enjoos e alterações gastrointestinais que resultam em vômitos intensos.
Como tratar a labirintite?
A maioria dos pacientes apresenta sintomas moderados a severos com melhora após o fim da infecção, que pode durar alguns dias ou semanas.
Além de tratar os sintomas e obedecer a posologia correta dos medicamentos solicitados pelo médico, é recomendável fazer repouso, manter uma alimentação saudável e consumir bastante líquido.
Apenas quadros graves necessitam de assistência hospitalar, mas esses eventos são muito raros. Em todos os casos, o correto tratamento deve ser providenciado o quanto antes para diminuir o risco de sequelas.
A labirintite pode deixar sequelas?
Sim. Uma parcela dos pacientes pode apresentar algum nível de perda auditiva permanente ou tontura crônica em virtude de lesões causadas pela infecção.
O fato de algumas pessoas apresentarem sequelas e outras não depende de diversos fatores, como:
- gravidade da infecção;
- diagnóstico precoce;
- tempo de início e adesão ao tratamento (especialmente em casos bacterianos);
- idade do paciente;
- resposta imunológica;
- condições médicas preexistentes;
- fatores genéticos.
Você deve saber, porém, que existem recursos e tratamentos para todos os quadros de labirintite.
Existe remédio natural para labirintite?
Doenças, como a labirintite, são frequentemente alvos de especulações, pois o paciente tende a associar a sua cura com medicamentos, alimentos ou líquidos utilizados enquanto estava doente. Na quase totalidade dos casos, porém, essas soluções não influenciam o quadro, ou seja, o paciente melhoraria de qualquer maneira.
Há também uma falsa noção de que substâncias naturais são sempre benéficas ou inofensivas, o que não é verdade. Todo tratamento, incluindo o uso de soluções naturais, deve ser acompanhado por um médico.
Você também deve estar ciente de que o quadro pode progredir se não tratado devidamente. Muitas pessoas utilizam soluções alternativas e acreditam estar tratando a doença, muitas vezes negligenciando cuidados médicos necessários.
- Saiba mais: Remédios naturais para a labirintite funcionam?
Quais os medicamentos usados no tratamento da labirintite?
O tratamento medicamentoso da labirintite varia conforme a causa — se é viral, bacteriana ou associada a outra condição. O objetivo principal é controlar os sintomas (como tontura, náuseas e zumbido), tratar a causa subjacente e evitar complicações.
Veja os principais medicamentos utilizados:
- antivertiginosos (como dimenidrinato ou meclizina): aliviam a vertigem e a náusea, especialmente nos primeiros dias;
- antieméticos (como metoclopramida ou ondansetrona): usados para controlar os vômitos;
- corticoides (como prednisona): usados em casos virais ou inflamatórios, ajudam a reduzir a inflamação e preservar a audição;
- antibióticos: indicados somente em casos de labirintite bacteriana (nunca usar por conta própria).
É importante lembrar que nem todo remédio para tontura deve ser usado por muito tempo — alguns podem causar sedação ou até piorar a adaptação do sistema vestibular se usados de forma prolongada. O tratamento sempre deve ser acompanhado por um médico.
Manobra de Epley serve para labirintite?
A manobra de Epley é um tratamento eficaz, mas não para a labirintite. Ela é indicada especificamente para uma das condições causadoras de tontura mais comuns: a vertigem posicional paroxística benigna (VPPB).
Na VPPB, pequenos cristais (otólitos) se soltam e se deslocam dentro dos canais do labirinto, provocando vertigem ao deitar, virar na cama ou olhar para cima. A manobra de Epley tem como objetivo reposicionar esses cristais para uma área onde não causam sintomas, e costuma ter ótimo resultado.
Já na labirintite infecciosa (viral ou bacteriana), a causa é inflamatória, e não está relacionada ao deslocamento de cristais. Por isso, a manobra não resolve o problema nesses casos.
Se você sente vertigem ao mudar de posição e está em dúvida sobre o tipo de tontura, é fundamental procurar um otoneurologista para fazer o diagnóstico correto e indicar o tratamento adequado.
Como prevenir a labirintite?
A prevenção da labirintite não é diferente da prevenção de outras doenças infecciosas. De maneira geral, é sempre recomendável adotar um estilo de vida saudável, ou seja, se alimentar corretamente, realizar atividades físicas regularmente e cuidar da sua saúde em todos os aspectos.
Pessoas com algum tipo de alteração ou doenças prévias, como hipertensão e diabetes, devem tratar esses quadros adequadamente, bem como pacientes que sofrem com algum tipo de transtorno de humor. O fumo e o consumo excessivo de álcool, café e alimentos ultraprocessados também devem ser evitados.
Diante de qualquer infecção ou quadro de tontura, é também importante procurar atendimento médico e providenciar o tratamento correto. Essas recomendações são para todos e trazem benefícios para a saúde de forma geral.
Como é feito o diagnóstico da labirintite?
Como saber se estou com labirintite?
Como os sintomas são muito semelhantes a outros quadros, realmente pode ser difícil diagnosticá-la, e, sobretudo, por isso, você não deve levantar juízos por conta própria. Diante dos sintomas, não tarde a consultar um otorrinolaringologista!
Em consultório, o médico pode realizar uma avaliação física do paciente e examinar o seu ouvido para descartar outras causas que podem estar relacionadas com os sintomas. Exames complementares, como videonistagmografia, audiometria e exames de imagem, como ressonância do ouvido, também podem ser solicitados para aumentar a precisão do diagnóstico.
Você deve saber, porém, que não existe um exame específico capaz de identificar exatamente a labirintite, a maioria deles nos informa apenas sobre o funcionamento do labirinto e do sistema vestibular. Dessa forma, a descrição dos sintomas pelo paciente e seu histórico de saúde são as principais informações que o médico utiliza para fechar o diagnóstico.
A estratégia de tratamento definida também leva em conta a experiência do paciente com os sintomas, uma vez que alguns deles, como o zumbido no ouvido, têm caráter muito subjetivo (incomoda mais alguns do que outros). Cabe ao médico responsável, portanto, oferecer uma solução específica, personalizada para cada paciente.
Saiba mais:
- Existe um único exame para tontura ou labirintite?
- O exame otoneurológico serve para saber se tenho labirintite?
- Meu zumbido pode ser labirintite?
O que fazer durante uma crise de labirintite (tontura)?
Durante uma crise de tontura, o mais importante é garantir sua segurança, aliviar os sintomas e buscar ajuda médica. As crises podem ser assustadoras, mas com algumas medidas simples, é possível passar por elas com mais conforto.
Diante de uma crise intensa de tontura:
- sente-se ou deite-se imediatamente: evite andar, dirigir ou fazer qualquer atividade que exija equilíbrio;
- fique em um ambiente calmo e arejado: pode te ajudar a se sentir um pouco melhor;
- evite movimentos bruscos: mantenha movimentos suaves;
- respire profundamente e com calma: especialmente se a tontura estiver associada à ansiedade;
- tome o remédio prescrito pelo médico: se já estiver em tratamento, siga corretamente as orientações;
- peça ajuda se necessário: se estiver sozinho e a crise for intensa, chame alguém de confiança;
- após a crise, procure descansar: o corpo leva um tempo para se reequilibrar completamente.
Se a crise for muito intensa, durar mais de algumas horas ou vier acompanhada de perda de audição, visão dupla ou desmaio, procure atendimento médico imediatamente.
Quais são as causas mais prováveis da tontura e como diferenciá-las da labirintite?
Se a tontura não é labirintite, então, o que pode ser, doutora?
Existe um amplo espectro de causas que devem ser investigadas, sendo a história do paciente a principal forma de diferenciá-las. Confira os principais diagnósticos de tontura que podem ser confundidos com a labirintite.
VPPB (tontura dos cristais)
A vertigem posicional paroxística benigna, ou apenas VPPB, é um quadro muito comum que gera crises de vertigem rotatória, desencadeadas por determinados movimentos da cabeça. Como dito, ela ocorre quando os otólitos, os chamados “cristais” do labirinto, se desprendem e mudam de posição.
O quadro se difere da labirintite por, geralmente, não provocar sintomas auditivos, embora possa envolver náuseas e vômitos.
Enxaqueca vestibular
A enxaqueca vestibular é caracterizada por episódios de tontura associados a sintomas de enxaqueca, como dor de cabeça e maior sensibilidade ao som e à luz, que podem durar alguns minutos ou se estender por horas ou até dias. É um quadro muito comum em mulheres com histórico de enxaqueca.
Também pode desencadear alterações auditivas, como zumbido e sensação de ouvido tapado, mas diferencia-se da labirintite por não ser um patologia dentro do ouvido, e sim uma doença neurológica com manifestações relacionadas ao equilíbrio e à audição.
Neurite vestibular
Neurite vestibular é o nome dado à inflamação do nervo vestibular, responsável pela condução de impulsos nervosos entre o ouvido interno e o cérebro. O quadro faz com que a interpretação dos sinais elétricos seja comprometida, gerando distorções na percepção espacial do paciente.
Assim como a VPPB, a neurite vestibular não costuma apresentar sintomas auditivos, mas pode provocar náuseas, vômitos e nistagmo.
Vertigem fóbica (TPPP)
A vertigem fóbica é caracterizada por um quadro constante de hipervigilância postural instalado após um evento traumático que teve a tontura ou a vertigem como pontos principais.
Este quadro diferencia-se de outros por ter como causa central uma grande insegurança do paciente em relação ao seu equilíbrio, uma tontura constante e duradoura, cujo tratamento requer medicação, apoio psiquiátrico e psicoterápico. O seu nome atual é “tontura postural perceptual persistente”.
Doença de Ménière
A doença de Ménière é um distúrbio crônico da orelha interna que gera episódios de vertigem, náusea e pressão no ouvido (geralmente um só). Outros sintomas que também devem ocorrer junto com a vertigem para que possamos considerar este diagnóstico são perda auditiva flutuante, zumbido e sensação de ouvido tapado.
Assim como a labirintite, a doença de Ménière é rara, e seus sintomas são muito parecidos. A principal diferença é que os sintomas da labirintite geralmente se apresentam de forma única, já pacientes com Ménière apresentam sintomas em crises recorrentes.
Quando a tontura é motivo para preocupação?
A tontura é um sintoma comum em pessoas de todas as idades, embora seja mais frequente em idosos por fatores relacionados ao envelhecimento.
Sendo assim, podemos dizer que episódios de tontura breves e isolados, sem sintomas associados, podem ser causados por pequenas quedas de pressão ou por mudanças bruscas de posição, por exemplo.
Por outro lado, quando a tontura se apresenta de forma recorrente, se mantém por longos períodos e, principalmente, quando surge associada a outros sintomas, é recomendável procurar ajuda médica.
No caso da labirintite, merecem atenção os pacientes que apresentam ou apresentaram recentemente quadros infecciosos, como doenças respiratórias e otites.
Febre alta e crises de vertigem muito intensas, assim como alterações motoras e cognitivas (dificuldade para se locomover ou falar) requerem atendimento médico imediato.
- Confira também: A tontura ou a labirintite podem causar AVC?
Que médico trata labirintite?
A otorrinolaringologia é a ciência médica dedicada ao diagnóstico e ao tratamento de disfunções e doenças que afetam o ouvido, o nariz e a garganta. O médico para labirintite que você procura, portanto, é o otorrinolaringologista.
Entretanto, para um atendimento mais aprofundado, a recomendação é consultar um otoneurologista, que é o otorrinolaringologista especializado em patologias causadoras de sintomas como tontura e zumbido.
Outras áreas da saúde, como a neurologia, a psiquiatria, a fisioterapia e a fonoaudiologia, podem ser envolvidas no diagnóstico e no tratamento da doença, mas o encaminhamento a outros profissionais deve ser feito após diagnóstico realizado pelo médico.
FAQ: perguntas frequentes sobre labirintite
Confira, agora, respostas rápidas para dúvidas frequentes sobre labirintite.
1. O que exatamente é o labirinto?
O labirinto é uma estrutura complexa dentro do ouvido interno que consiste em duas partes principais: a cóclea (responsável pela audição), vestíbulo e canais semicirculares (que inclui as estruturas responsáveis pelo equilíbrio e pela noção espacial).
2. Qual a diferença entre labirintite e vertigem?
A vertigem é a sensação de que você ou o ambiente está girando ou se movimentando (um sintoma). Labirintite é a condição médica específica de infecção ou inflamação do labirinto que causa a vertigem, mas nem toda vertigem é causada por labirintite.
3. A labirintite é contagiosa?
A labirintite em si não é contagiosa. No entanto, se a causa for uma infecção viral (como uma gripe ou resfriado), o vírus que a desencadeou é contagioso, embora a inflamação do ouvido não seja transmissível.
4. Quanto tempo dura a labirintite?
A labirintite (infecção aguda) geralmente tem duração de alguns dias a poucas semanas, com os sintomas mais intensos desaparecendo após 24 a 48 horas. A recuperação completa, no entanto, pode levar semanas a meses, diante de possíveis sequelas.
5. Existe mais de um tipo de labirintite?
Sim, o termo “labirintite” é frequentemente usado de forma ampla. A labirintite verdadeira pode ser viral (mais comum) ou bacteriana (mais rara e grave). Além disso, há várias outras condições com sintomas semelhantes.
6. Qual a relação entre a labirintite e o zumbido?
O zumbido (tinnitus) é um sintoma comum da labirintite porque a inflamação afeta a cóclea, alterando o sistema auditivo. O zumbido pode ser temporário durante a crise ou persistir como sequela.
7. O estresse e a ansiedade podem causar labirintite?
Fatores emocionais não causam a labirintite verdadeira (que é infecciosa). No entanto, o estresse e a ansiedade podem desencadear ou piorar crises de outras doenças que causam tontura, como a enxaqueca vestibular.
8. A labirintite pode ser causada por pressão alta ou diabetes?
A hipertensão (pressão alta) e o diabetes podem prejudicar a circulação sanguínea no ouvido interno, tornando-o mais vulnerável. Elas são consideradas fatores de risco e podem contribuir para o surgimento de labirintopatias (doenças do labirinto), mas não causam a labirintite aguda diretamente.
9. Por que a labirintite causa náuseas e vômitos?
A náusea e os vômitos em pacientes com labirintite estão diretamente ligados às crises de vertigem, à sensação de instabilidade e ao mal-estar generalizado provocado pela doença. Todas essas manifestações podem causar reações estomacais em parte das pessoas.
10. Como é feito o diagnóstico de labirintite?
O diagnóstico é feito por um otorrinolaringologista ou otoneurologista com base na história clínica do paciente e no exame físico (incluindo testes de equilíbrio e nistagmo), e pode ser complementado com exames como a audiometria (para avaliar a audição) e a vectoeletronistagmografia ou videonistagmografia (para avaliar o sistema vestibular).
11. Existe prevenção para a labirintite?
Não há uma prevenção específica para a labirintite viral ou bacteriana. No entanto, o controle de fatores de risco como diabetes, hipertensão e colesterol alto, além de manter um estilo de vida saudável, pode reduzir o risco de desenvolver labirintopatias.
12. Quais medicamentos são usados no tratamento da labirintite?
Os medicamentos usados geralmente incluem análogos-histamínicos para diminuir a tontura (como a meclizina ou cinarizina), antieméticos para náuseas e vômitos e, se a causa for bacteriana, antibióticos. O uso de corticoides também pode ser considerado em alguns casos.
13. A labirintite pode ser curada?
A labirintite é uma doença aguda, não crônica, ou seja, ela tem duração limitada, geralmente não mais que algumas semanas. No entanto, se por “labirintite” você quer dizer tontura, há sim quadros crônicos onde o tratamento é focado na prevenção e controle das crises, como na enxaqueca vestibular e na doença de Ménière.
14. O que é Reabilitação Vestibular (RV)? Ela é útil?
A Reabilitação Vestibular (RV) é um tipo de fisioterapia que utiliza exercícios específicos para treinar o cérebro a compensar e reprocessar os sinais anormais vindos do labirinto. É extremamente útil para a recuperação do equilíbrio em pacientes que desenvolvem tontura crônica devido à infecções (como a labirintite), cirurgias ou hipofunção vestibular.
15. A alimentação tem influência na tontura?
Sim. Alimentos ricos em açúcar, sal, cafeína e bebidas alcoólicas podem afetar o bom funcionamento da orelha interna causando sintomas auditivos e relacionados ao equilíbrio.
16. O que devo fazer durante uma crise de tontura?
O principal a fazer é parar a atividade que estiver fazendo imediatamente, sentar-se ou deitar-se em um local seguro e fixar o olhar em um ponto imóvel. O ideal é aguardar o sintoma cessar antes de se levantar ou ingerir qualquer líquido ou alimento, e depois evitar movimentos bruscos. Em casos muito intensos, sem melhora, procurar atendimento médico de urgência.
17. A labirintite é mais comum em idosos?
A labirintite verdadeira (infecciosa) pode afetar pessoas de todas as idades. No entanto, causas de tontura e vertigem mais comuns, como a VPPB e a hipofunção vestibular, são mais frequentes em idosos devido ao envelhecimento natural do sistema vestibular.
18. A perda auditiva na labirintite é temporária?
Nem sempre. Na maioria dos casos de labirintite viral, a perda auditiva costuma ser temporária. Porém, em casos de labirintite bacteriana (mais rara) ou em infecções virais muito graves, a perda auditiva pode ser permanente devido a danos irreversíveis nas células auditivas.
19. Quando devo ir ao pronto-socorro?
Você deve procurar o pronto-socorro imediatamente se a tontura for acompanhada de sintomas neurológicos como paralisia facial, dificuldade para falar, desmaio, dormência nos braços e pernas, ou se a vertigem for muito súbita, intensa e sem diagnóstico prévio.
20. Pessoas que tiveram labirintite têm mais chances de ter novamente?
A labirintite verdadeira (infecção do labirinto) é um quadro raro e dificilmente se repete no mesmo indivíduo. Entretanto, as condições que são frequentemente chamadas de labirintite, como VPPB ou enxaqueca vestibular, podem sim causar crises recorrentes que exigem tratamento contínuo ou repetição de procedimentos (como a manobra de reposicionamento de cristais soltos).
Após a leitura do texto, a maioria das pessoas deve chegar à conclusão de que a sua tontura provavelmente não é labirintite. De qualquer forma, é fundamental consultar um médico para descobrir a verdadeira causa do sintoma e iniciar o devido tratamento o quanto antes.
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