Mulher com incômodo no ouvido - o que pode piorar o zumbido

Distúrbios do sono podem estar relacionados com o zumbido no ouvido, mas essa relação deve ser avaliada caso a caso. Existem diversos fatores que podem influenciar a qualidade do sono, e o zumbido é apenas um deles.

O que melhora ou piora o zumbido depende da sua causa subjacente. Na maioria dos casos crônicos, porém, é indispensável preservar a audição (evitando se expor a sons muito altos por tempo prolongado), adotar hábitos saudáveis e evitar medicamentos e alimentos que possam atuar como gatilho para o sintoma.

Uma dúvida frequente entre pessoas que têm zumbido no ouvido é se há algo em sua rotina ou em sua alimentação que pode piorar o sintoma — e, por consequência, melhorá-lo quando evitadas.

Realmente, algumas medidas no dia a dia podem ser tomadas para diminuir o incômodo, mas nenhuma delas substitui o devido tratamento indicado para a causa que desencadeou o zumbido.

Neste artigo, esclareço essa questão e aproveito para fazer um alerta sobre as famosas receitas caseiras e indicações sem embasamento científico que estão sempre circulando a internet.

De antemão, advirto que se você sofre com zumbido no ouvido e ainda não procurou ajuda médica, a primeira coisa a fazer é consultar um otorrinolaringologista ou um otoneurologista, que é o otorrino especializado nesse tipo de sintoma, combinado?

Conteúdo:

O que piora o zumbido no ouvido?

O zumbido no ouvido é a percepção de um som sem uma fonte sonora externa. É um ruído que só o paciente ouve e que pode se apresentar de diversas formas, como o som de insetos, aparelhos elétricos, água corrente, entre várias outras descrições.

O zumbido é um sintoma comum que pode ter diversas causas e cada um delas apresenta características e protocolos específicos. Entre outras questões, o que melhora ou piora o zumbido no ouvido depende da sua causa subjacente.

Se o sintoma é causado por cerume impactado, por exemplo, tentar retirar o excesso de cera por conta própria usando cotonetes pode piorar ou até gerar outros problemas, por exemplo. Se a causa é de origem musculoesquelética, tensão emocional ou disfunções na articulação da face podem aumentar a intensidade do ruído percebido pelo paciente. 

É preciso levar em conta, porém, que a maioria dos casos de zumbido tem a perda auditiva como um dos principais fatores associados, logo, medidas para preservar a audição são fortemente recomendadas para evitar a piora do quadro.

Sabemos também que alguns medicamentos, como aspirina, anti-inflamatórios, anti-hipertensivos e até alguns antibióticos podem afetar a orelha interna e agravar o sintoma temporariamente em algumas pessoas.

Além disso, hábitos prejudiciais, como sono irregular e sedentarismo, bem como o abuso de determinadas substâncias, como cafeína e álcool, podem também piorar o zumbido.

Antes de tomar medidas, porém, é importante que você entenda melhor como o zumbido acontece e como ele é percebido. Embora você sinta que o ruído aumentou, isso nem sempre significa que houve, de fato, uma piora no sintoma.

Será que o seu zumbido piorou mesmo?

Como falamos de um som, a maioria das pessoas tende a se preocupar muito com a frequência sonora e a intensidade do seu zumbido. Entretanto, observamos que, na maioria dos casos, a experiência do paciente com o sintoma tem muito mais impacto em sua vida do que as características sonoras do zumbido.

Alterações do humor, como estresse e ansiedade, por exemplo, são comumente relacionadas à piora do zumbido. Entretanto, constatamos frequentemente que essa piora não se deve ao agravamento do quadro, mas a uma percepção piorada ou a uma maior sensibilidade do paciente em relação ao ruído.

Levanto essa questão para que você entenda que melhorar o zumbido não se trata simplesmente de diminuir o volume do ruído, mas de promover uma menor percepção do sintoma, de modo que ele deixe de gerar respostas emocionais negativas e interfira o mínimo possível nas tarefas do seu dia a dia.

Consideramos aqui, claro, quadros crônicos de zumbido no ouvido. Em muitos casos, como quando o sintoma é causado por acúmulo de cera ou por infecções, o tratamento correto pode eliminar completamente o som incômodo. O diagnóstico, portanto, é indispensável para adotar a abordagem mais apropriada em cada quadro.

O que evitar para quem tem zumbido no ouvido?

Mais uma vez reforço que as medidas adotadas variam de caso a caso. Tudo depende da causa primária do sintoma, características específicas do quadro do paciente e demais informações coletadas no diagnóstico.

De maneira geral, porém, alguns cuidados são recomendados para a maioria dos pacientes. Abaixo, listo algumas coisas que pessoas com zumbido no ouvido devem evitar.

1. Se expor a sons altos por tempo prolongado

Tendo em vista que a perda auditiva e as agressões ao ouvido são os fatores mais frequentes nos quadros de zumbido no ouvido, é fundamental cuidar da sua saúde auditiva. É claro que essa orientação é para todos, mas ainda mais importante para pessoas que já apresentam algum tipo de perda ou lesão auditiva.

2. Manter hábitos que podem prejudicar a saúde 

Observamos que pacientes que mantêm um estilo de vida saudável — que mantêm uma alimentação adequada, prezam por uma quantidade adequada de horas de sono, incluem em sua rotina medidas de controle de estresse e praticam atividades físicas regularmente — tendem a ser menos impactados pelo zumbido. Além disso, bons hábitos geram vários outros benefícios para o organismo e para o nosso dia a dia.

3. Abusar de álcool, cafeína e alimentos ricos em açúcar

Alimentos, bebidas e drogas estimulantes podem elevar a pressão arterial ou aumentar a atividade de determinadas áreas do cérebro, piorando o zumbido ou sua percepção em algumas pessoas, principalmente naquelas que já são mais ansiosas. Essas substâncias não são contra indicadas, apenas orientamos que seu uso seja moderado.

É importante que você saiba também que alterações no metabolismo do açúcar, como aumento da glicose e insulina no sangue, podem estar relacionados com a geração e a modulação do zumbido no ouvido em alguns pacientes. 

Muitas pessoas se preocupam em saber quais alimentos pioram o zumbido, entretanto, não há uma definição geral para isso. Uma pessoa pode notar que seu zumbido piora ao comer chocolate, por exemplo, enquanto outra não notar mudança alguma.

Você deve, portanto, identificar possíveis substâncias que funcionam como gatilho para o seu zumbido, especificamente, e moderar o seu consumo. De maneira geral, porém, recomendamos não exagerar em bebidas e alimentos estimulantes ou ricos em açúcar.

4. Automedicação (mesmo com substâncias naturais)

Sempre alertamos sobre os riscos da automedicação, e não é diferente quando falamos de zumbido no ouvido. Nas conversas do dia a dia, as pessoas comumente trocam recomendações de fármacos e receitas caseiras, o que é muito perigoso.

Muitas substâncias, inclusive aquelas encontradas em receitas naturais, podem causar efeitos colaterais importantes, reações adversas e até piorar o zumbido de maneira permanente.

Como dito, muitos medicamentos podem agravar o sintoma em algumas pessoas, incluindo fármacos muito comuns, como a aspirina. Entretanto, esses efeitos são muito variáveis, não acontecem com todos os pacientes, mas seu uso deve ser sempre orientado por um médico.

Também pode ocorrer de o paciente utilizar um medicamento para outra questão de saúde e notar que seu zumbido piorou. Nesse caso, é preciso contatar o médico responsável para avaliar ajustes ou outras opções de tratamento.

5. Sono de má qualidade

A má qualidade do sono está diretamente ligada ao cansaço e ao estresse, além de alterações metabólicas prejudiciais. Tudo isso pode contribuir para a piora do zumbido, bem como para uma maior sensibilidade do paciente ao ruído, aumentando sua irritabilidade e a sensação de fadiga.

6. Transtornos do humor

Por fim, é preciso destacar que transtornos do humor, como ansiedade e depressão, podem piorar o zumbido no ouvido e tornar o incômodo do paciente com o zumbido muito mais desafiador, impactando seriamente a sua qualidade de vida. O acompanhamento multidisciplinar, englobando terapeutas e psiquiatras, é recomendado para grande parte dos pacientes com zumbido.

Além dos fatores citados, desvios na coluna, doenças metabólicas (como o diabetes), alterações cardiovasculares, disfunções musculoesqueléticas da cabeça e pescoço (como Disfunção Temporomandibular) costumam estar relacionadas com o surgimento ou a piora do zumbido no ouvido.

Em todos os casos, como dito, a primeira coisa a fazer é consultar um médico especialista para obter um diagnóstico e adotar uma estratégia de tratamento eficaz para o seu quadro, especificamente.

O zumbido no ouvido não é uma doença, é um sintoma, e existem recursos para todas as suas causas. Consulte um otoneurologista!

 

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