Perda auditiva: o que é, tipos, sinais, causas, tratamentos, diagnóstico e prevenção

Perda auditiva é a diminuição parcial ou total da capacidade de ouvir. Pode acometer um ou ambos os ouvidos e ser provocada por diversos fatores, entre os quais se destacam a presbiacusia (perda de audição associada ao envelhecimento) e a exposição a ruídos altos. É comumente permanente, mas em alguns casos reversível, como quando é causada por acúmulo de cerume ou infecções.
A perda de audição é um dos distúrbios sensoriais mais comuns na população. Entretanto, ainda há um enorme desconhecimento sobre o assunto, especialmente no que diz respeito à prevenção e aos cuidados relacionados à saúde auditiva.
Estudos reunidos pelo NIDCD (National Institute on Deafness and Other Communication Disorders), revelam que a idade é o preditor mais forte de perda auditiva entre adultos, seguida pela exposição a ruídos altos, geralmente no trabalho.
O que mais tem chamado a atenção nos últimos anos, porém, é o crescimento do número de diagnósticos de perda ou lesão auditiva permanente em jovens adultos por causas evitáveis, como uso indiscriminado de fones de ouvido em volume alto por longos períodos. Dados da OMS projetam que mais de 1 bilhão de pessoas no mundo correm o risco de desenvolver perda auditiva permanente nos próximos anos devido a essa e outras práticas inseguras.
Falamos, portanto, de uma questão realmente séria, principalmente quando consideramos os impactos sociais e cognitivos que essa condição pode gerar quando não tratada e devidamente acompanhada por especialistas. Neste artigo, abordo o assunto em profundidade, incluindo causas, tipos, diagnósticos, tratamentos e medidas de prevenção. São informações muito importantes, seja você uma pessoa que já tem perda auditiva, seja alguém com audição saudável e que quer se prevenir. Boa leitura!
O que é perda auditiva?
Chamamos de perda auditiva a diminuição da capacidade de uma pessoa ouvir e compreender sons. Pode ser uma condição reversível ou permanente com gravidade variável. É preciso esclarecer que perda auditiva não é o mesmo que surdez. Pessoas com perda auditiva profunda e que não escutam praticamente nada são consideradas surdas. Já aquelas que preservam parte de sua capacidade auditiva são chamadas de deficientes auditivos. Há também pessoas com lesões ou perda auditiva muito discreta que só descobrem essa condição ao realizar testes. Ou seja, o fato de uma pessoa não apresentar os sintomas ou sinais típicos desse tipo de distúrbio não garante que ela não o tem. A perda auditiva acontece quando há alguma obstrução no canal auditivo, quando há doenças que acometem o ouvido médio e comprometem a condução do som ou quando há um dano em estruturas do ouvido interno que comprometem a transmissão do som para o cérebro. Tudo isso nos leva ao próximo tópico.Quais são os tipos de perda auditiva?
Seja em quadros reversíveis, seja em casos permanentes, classificamos a perda auditiva em três tipos: condutiva, neurossensorial e mista (quando envolve os dois tipos anteriores). A seguir, explico melhor cada um.Perda auditiva condutiva
Na perda auditiva condutiva, algo compromete a condução do som pelo canal auditivo, impedindo que ele atinja devidamente as estruturas sensoriais que geram os sinais elétricos que são enviados ao cérebro. Geralmente ocorre quando há alguma obstrução ou lesão no canal auditivo externo, no tímpano ou no ouvido médio.Perda auditiva neurossensorial
Na perda auditiva neurossensorial o som se propaga corretamente pelo ouvido interno, mas não é “traduzido” em impulsos nervosos pelas células sensoriais (perda sensorial) ou não é conduzido para o cérebro (perda neural). A distinção entre perda sensorial e neural é muito útil para fins diagnósticos, porém, na maioria dos casos, não conseguimos defini-la, mesmo realizando exames complementares. Quando não é possível distinguir, a perda auditiva será dada como neurossensorial, por não sabermos exatamente onde ocorreu a lesão.Perda auditiva mista
A perda auditiva mista, como o termo esclarece, é aquela que envolve os dois tipos anteriores. É o tipo mais raro e, geralmente, está ligada a doenças que além de comprometer a condução do som, também comprometem estruturas sensoriais do ouvido interno.Perda auditiva unilateral
A perda auditiva unilateral é aquela que afeta apenas um dos ouvidos. Ela pode ser leve ou profunda, súbita ou progressiva — e deve sempre ser investigada com atenção, pois em alguns casos pode indicar problemas mais sérios. Causas possíveis incluem:- perda auditiva súbita (emergência médica);
- infecções no ouvido médio;
- traumas acústicos ou cranianos;
- neurinoma do acústico (tumor benigno do nervo auditivo);
- obstrução por cera ou corpo estranho;
- doença de Ménière.
Quais são os níveis de perda auditiva?
Também podemos classificar a perda auditiva de acordo com a média dos limiares de 500 Hz, 1 Khz, 2khz e 4Khz na audiometria tonal, sendo esse dado importante para a escolha do tratamento. Temos, então, as perdas auditivas:- leve: quando a média dos limiares forem de 20 a 34,9 dB (o paciente pode apresentar dificuldade para ouvir em locais ruidosos);
- moderada: quando a média for de 35 a 49,9 dB (o paciente já pode ter alguma dificuldade de ouvir o que foi dito em uma intensidade normal);
- moderadamente severa: quando a média for de 50 a 64,9 dB (o paciente só consegue ouvir em uma intensidade mais alta);
- severa: quando a média for de 65 a 79,9 db (não entende a maioria das conversas e pode ter dificuldade de ouvir sons elevados);
- profunda: quando a média é de 80 a 94,9 dB (dificuldade extrema em ouvir mesmo em alta intensidade);
- perda auditiva completa: quando a média é acima de 95 dB (não consegue escutar nenhuma conversa e nenhum som ambiental).
Quais são os sintomas e sinais de perda auditiva?
A perda auditiva pode ocorrer de forma súbita, após um trauma ou exposição a um ruído muito alto, como uma explosão ou disparo de arma de fogo. Na maioria dos casos, porém, o seu desenvolvimento é gradual, muitas vezes imperceptível pelo paciente, no princípio. É comum, por exemplo, que os primeiros sinais de perda de audição sejam percebidos pelas pessoas que convivem com o paciente, antes que ele mesmo se dê conta de sua condição. Alguns sinais que merecem atenção são:- dificuldade de compreender conversas: pessoas com algum nível de perda auditiva costumam apresentar dificuldade para entender falas, especialmente em ambientes ruidosos, o que os força a pedir frequentemente para repetir frases;
- volume de aparelhos aumentado: outro sinal clássico de perda auditiva é a necessidade de aumentar o volume da TV, do rádio e de outros dispositivos acima do habitual para compreender melhor o som;
- alterações na percepção de sons agudos ou graves: outro sinal de perda auditiva é a dificuldade de compreender sons em determinadas frequências ou se incomodar com ruídos que antes não lhe causavam incômodo (hiperacusia);
- isolamento social: com os novos desafios impostos na conversação, o paciente com perda auditiva tende a se isolar para evitar se esforçar ou se constranger nas conversações.
Quais são as causas da perda auditiva?
Como dito no princípio, as principais causas de perda auditiva são o envelhecimento e a exposição a ruídos altos. Outras causas típicas são as infecções e o acúmulo de cerume, sendo este último a causa tratável mais frequente. Entre os diagnósticos menos comuns, temos doenças autoimunes e congênitas, doenças hereditárias, como a otosclerose, substâncias que agridem o ouvido (produtos ototóxicos) e tumores. A seguir, esclareço as causas mais comuns, que são aquelas que mais merecem a nossa atenção.Presbiacusia
A presbiacusia é o nome dado à perda auditiva relacionada ao envelhecimento natural do sistema auditivo. É um processo progressivo que costuma gerar sintomas notáveis após os 60 anos, embora possa começar antes em algumas pessoas. Características típicas:- dificuldade para ouvir sons agudos (como voz de mulheres ou crianças);
- dificuldade para compreender conversas, principalmente em ambientes com ruído;
- sensação de que as pessoas “falam baixo ou murmurando”;
- necessidade de aumentar o volume da TV ou do telefone;
- em parte dos casos, vem acompanhada de zumbido no ouvido.
Ruído
A exposição a ruídos altos é a segunda causa mais comum de perda auditiva permanente. Breves exposições a sons muito altos são capazes de causar lesões irreversíveis nas células sensoriais do ouvido interno, desencadeando uma perda auditiva súbita. Na maioria dos casos, porém, a perda de audição evolui de forma gradual devido à exposição frequente a ruídos altos por longos períodos. Embora seja mais frequente em profissionais expostos ao som de máquinas e equipamentos, pode se dar também por causas evitáveis, como o uso de fones de ouvido em volume alto por longos períodos ou eventos com música muito alta. Observamos que algumas pessoas são mais suscetíveis à perda auditiva e a sintomas associados, como o zumbido, ainda que todas as pessoas, sem exceção, estejam sujeitas a isso quando expostas a sons intensos por longos períodos e de forma frequente.Infecções
As infecções são também uma causa comum de perda auditiva, especialmente em crianças que as apresentam de forma recorrente (geralmente a otite média). Doenças como a labirintite podem deixar esse tipo de sequela em alguns casos, embora seja um evento muito raro. A maioria dos pacientes apresenta capacidade auditiva reduzida durante o tratamento, mas se recuperam completamente dentro de algumas semanas.Cerume
Como dito, o cerume é a causa tratável mais comum e acomete, principalmente, pessoas mais velhas. Aqui, é importante destacar que a maioria das pessoas não precisa remover a cera do ouvido e, portanto, essa não é uma medida de prevenção para a perda auditiva. Somente uma parcela muito pequena da população tende a apresentar uma produção aumentada de cerume que exige limpeza frequente ― que, por sinal, deve ser sempre realizada por um médico, em consultório. Algumas condições também podem estimular o acúmulo aumentado de cera e de material orgânico, como a dermatite seborreica e a psoríase, que estimulam a descamação da pele da orelha, aumentando as chances de obstrução do canal auditivo.Perda auditiva em bebês e crianças
A perda auditiva na infância é especialmente importante porque afeta diretamente o desenvolvimento da linguagem, do aprendizado e da comunicação. Em muitos casos, os sinais são sutis e passam despercebidos pelos pais. Um bebê que não reage a sons mais fortes, não se assusta com barulhos ou demora a balbuciar pode agir assim por apresentar dificuldades auditivas. À medida que a criança cresce, sinais como atraso na fala, troca de sons, falta de atenção ou necessidade de aumentar muito o volume da TV, por exemplo, também devem ser observados. As causas podem variar desde alterações congênitas e infecções durante a gestação até fatores adquiridos, como otites recorrentes, acúmulo de secreção no ouvido médio ou exposição a ruídos intensos. Algumas crianças desenvolvem perdas temporárias, enquanto outras podem apresentar perda auditiva permanente desde muito cedo. É por isso que o teste da orelhinha e avaliações auditivas periódicas são fundamentais para identificar problemas o quanto antes. Quando surgem dúvidas, o ideal é procurar um otorrinolaringologista especializado em audição infantil. O diagnóstico envolve testes específicos, adequados para cada idade, desde exames objetivos para bebês até audiometrias lúdicas para crianças maiores. Quanto mais cedo a perda auditiva é detectada, maiores são as chances de garantir um desenvolvimento saudável da comunicação e do aprendizado. O tratamento depende da causa e pode incluir antibióticos, drenagem de secreção, aparelhos auditivos, terapia fonoaudiológica ou até implante coclear em casos mais graves. A intervenção precoce faz toda a diferença: quanto antes a criança escuta bem, melhor ela fala, aprende e se relaciona.Quais são os impactos da perda auditiva permanente?
A perda auditiva pode afetar a capacidade de uma pessoa de compreender conversas, ouvir sons cotidianos e interagir plenamente com as pessoas e o ambiente sonoro ao seu redor. Sintomas associados, como o zumbido no ouvido, também contribuem para a frustração, o estresse e, muitas vezes, transtornos de humor em pacientes que começam a lidar com as limitações dessa condição. Muitas vezes, o quadro pode afetar a qualidade de vida geral do indivíduo, tornando atividades cotidianas, como conversar, assistir TV, ouvir música e participar de eventos sociais, mais desafiadoras do que satisfatórias. Por essa razão, o paciente frequentemente necessita de atenção multidisciplinar, a fim de ajudá-lo a lidar com essa condição e a recuperar a sua autoestima, a sua autoconfiança e, consequentemente, a sua produtividade e sua vitalidade no dia a dia. Crianças com perda auditiva merecem atenção especial, dada a possibilidade da condição afetar o desenvolvimento da fala e também o seu desenvolvimento acadêmico e social. Além disso, alguns estudos sugerem que a perda auditiva não tratada pode estar associada a problemas cognitivos e a um risco maior de demência.Quais os riscos de não tratar a perda auditiva?
A perda auditiva não tratada vai muito além de “ouvir menos”. Ela afeta a comunicação, reduz o convívio social e pode gerar isolamento, irritabilidade e dificuldades nas relações pessoais e profissionais. Muitas pessoas começam a evitar conversas, reuniões e ambientes movimentados por não conseguirem acompanhar as falas, criando um ciclo de frustração que impacta diretamente a qualidade de vida. Estudos também mostram que a perda auditiva não corrigida está associada a um maior declínio cognitivo ao longo do tempo. Isso acontece porque o cérebro deixa de receber estímulos auditivos suficientes e começa a reorganizar suas funções, reduzindo áreas ligadas à percepção sonora. Para muitos especialistas, a perda auditiva é um dos fatores modificáveis mais importantes na prevenção do declínio mental em idosos. Em resumo, tratar a perda auditiva não é apenas ouvir melhor, é manter o cérebro ativo, preservar a comunicação e evitar consequências emocionais, sociais e cognitivas. Quanto mais cedo se inicia o tratamento, menores são os prejuízos acumulados ao longo dos anos.Quais são os tratamentos disponíveis para a perda auditiva?
Para quadros reversíveis, o tratamento consiste na solução do fator ou evento desencadeador. Em caso de cerume acumulado, por exemplo, deve-se providenciar a limpeza com um médico otorrinolaringologista. Em casos de infecção, deve-se tratar a doença que desencadeou o quadro. Em alguns casos de perda auditiva condutiva, procedimentos cirúrgicos podem ser realizados a fim de corrigir lesões ou disfunções no ouvido médio. Na otosclerose, por exemplo, uma cirurgia é realizada para colocação de uma prótese para substituição de um dos ossículos do ouvido. Para a maioria dos quadros de perda auditiva neurossensorial, os aparelhos de amplificação sonora são o recurso mais indicado. Tratamentos complementares, como a terapia sonora, também podem ser recomendados para lidar com sintomas associados, como o zumbido e a hiperacusia, que podem acometer uma parcela desses pacientes. Procedimentos mais invasivos, como a introdução de implantes cocleares, só são indicados em casos de perda auditiva de grau severo a profundo ou que não responderam bem ao uso de aparelho de amplificação sonora. A escolha do tratamento, portanto, dependerá do diagnóstico e das necessidades de cada pessoa.Qual a diferença entre aparelho auditivo e implante coclear?
Ambos os dispositivos ajudam pessoas com perda auditiva, mas funcionam de maneiras distintas e são indicados para níveis diferentes de perda. Basicamente, o aparelho auditivo amplifica sons para o ouvido ainda funcional. Já o implante coclear substitui a audição natural quando a cóclea está comprometida. Entenda!Aparelho auditivo:
- amplifica o som que ainda consegue chegar até o ouvido interno;
- indicado para perdas leves a severas;
- é externo, discreto, e pode ser ajustado com tecnologia moderna;
- funciona bem quando a cóclea ainda responde ao estímulo sonoro.
Implante coclear:
- substitui a função da cóclea danificada por meio de estímulos elétricos enviados diretamente ao nervo auditivo;
- indicado para perdas profundas ou totais, quando os aparelhos auditivos não são mais eficazes;
- exige uma cirurgia para inserção do componente interno;
- envolve reabilitação auditiva após a ativação.
Tratamento da perda auditiva permanente em crianças
A perda auditiva infantil exige atenção especial, pois afeta diretamente o desenvolvimento da linguagem, a socialização e a aprendizagem. O tratamento deve começar o quanto antes, e as principais abordagens incluem:- aparelhos auditivos: quanto mais cedo a criança começar a usar, maior a chance de desenvolver a fala normalmente;
- implantes cocleares: o implante é uma solução eficaz em caso de perda auditiva severa a profunda, especialmente se feito ainda na primeira infância;
- terapia fonoaudiológica intensiva: fundamental para estimular a fala, a audição e a comunicação da criança;
- ensino bilíngue (língua oral + Libras): em alguns casos, a criança pode se beneficiar também da linguagem de sinais, especialmente se houver barreiras de comunicação;
- acompanhamento multidisciplinar: envolve otorrinos, fonoaudiólogos, psicólogos e pedagogos para garantir o desenvolvimento pleno da criança.
Como é feito o diagnóstico da perda auditiva?
A audiometria é o principal método utilizado para diagnosticar e realizar o acompanhamento da perda auditiva. O objetivo do procedimento é determinar o tipo e o grau da perda de audição do paciente e ajudar o médico otorrinolaringologista a definir a melhor estratégia de tratamento, de acordo com o resultado. Durante um teste de audiometria, o paciente é colocado em uma sala ou cabine especialmente projetada para minimizar o ruído do ambiente, onde recebe fones de ouvido especiais. O teste consiste na reprodução de uma série de tons ou sons a fim de determinar a menor intensidade (volume) de som que a pessoa é capaz de ouvir em diferentes frequências. Além da audiometria, o diagnóstico também deve levar em conta o exame físico (para detectar obstruções ou infecção, por exemplo) e a história clínica do paciente. Em casos específicos, exames de audição complementares e exames de imagem também podem ser solicitados.Testes audiométricos para perda de audição
Para avaliar se há perda auditiva — e qual o tipo e grau dessa perda — são realizados testes audiométricos, que são simples, indolores e muito precisos. Os principais são:- Audiometria Tonal: o teste mais comum, em que a pessoa escuta sons em diferentes frequências e intensidades por meio de fones para identificar o grau da perda auditiva (leve, moderado, severo ou profundo);
- Audiometria Vocal: avalia a capacidade de entender palavras faladas, o que nos permite medir não apenas o que a pessoa escuta, mas como ela compreende;
- Imitanciometria (ou Impedanciometria): verifica como o ouvido médio (tímpano e ossículos) está funcionando, identificando possíveis infecções, presença de líquido ou alterações na pressão do ouvido.
Quando procurar ajuda médica?
É importante procurar ajuda médica ao notar qualquer alteração na audição ou dificuldade para ouvir, especialmente quando sintomas típicos relacionados também se manifestam, como sensação de ouvido tapado e zumbido. A avaliação médica é ainda mais urgente quando existem fatores que aumentam a probabilidade desse tipo de distúrbio, como idade avançada, histórico familiar de perda auditiva ou exposição recente ou frequente a ruídos altos. A detecção precoce da perda auditiva permite que os tratamentos necessários sejam iniciados com antecedência, isso é especialmente importante em casos de perda auditiva súbita, nos quais medidas preventivas podem evitar o agravamento do quadro. O médico otorrinolaringologista é o profissional mais indicado para fazer uma avaliação da audição e indicar o tratamento apropriado, mas você pode obter uma avaliação mais detalhada com um otoneurologista, que é o otorrino especialista em doenças e disfunções do aparelho vestibular.Como prevenir a perda auditiva?
Na maioria dos casos de perda auditiva, a reversão total do dano à audição é improvável, por isso a prevenção é o melhor meio de lidar com esse tipo de distúrbio. Esse é um ponto extremamente importante, pois a maioria das pessoas não se dá conta da importância desse cuidado até desenvolver algum problema relacionado. Nós devemos preservar a nossa audição, e existem várias medidas que podem ser tomadas nesse sentido. Separei as principais delas para você conferir.1. Evite a exposição prolongada e frequente a ruídos altos
Tenha cautela em ambientes com som muito alto, como shows, festas em locais fechados e ambientes de trabalho ruidosos. Evite manter-se por longos períodos em locais onde o som é mais intenso (próximo a caixas de som e máquinas, por exemplo) e procure fazer pausas frequentes em algum ponto mais calmo para permitir que as estruturas do seu ouvido se recuperem.2. Use protetores de ouvido
Quando não for possível evitar o ruído alto, utilize protetores adequados. Existem dispositivos para todos os tipos de necessidade e ocasiões, seja para ambientes de trabalho, seja para momentos de diversão e lazer. Ao utilizar esses produtos, porém, muita atenção com a higienização, tanto do dispositivo, quanto do seu ouvido. Além disso, não é recomendável utilizá-los por muitas horas seguidas para evitar irritações e doenças. O canal auditivo deve se manter livre e arejado a maior parte do tempo.3. Limite o volume de dispositivos de áudio
Essa é uma recomendação que toca, principalmente, os jovens. Sabemos, hoje, que o uso indiscriminado de fones de ouvido é uma das principais causas de perda auditiva e zumbido em jovens adultos. A principal recomendação é limitar o volume do som para mantê-lo em um nível seguro (alguns dispositivos e aplicativos geram alertas quando esse limite é ultrapassado). Uma dica é dar preferência a dispositivos que isolam o som externo, reduzindo a necessidade de aumentar o volume para sobrepor ruídos externos. Também não é recomendável utilizar esses produtos por longos períodos, de forma constante, não apenas para preservar a saúde do seu ouvido, como também para evitar isolamento social.4. Evite introduzir objetos nos ouvidos
Embora seja um hábito comum para muitas pessoas, nós não devemos inserir objetos no canal auditivo, como chaves, canetas ou o famoso cotonete. Esses objetos podem empurrar o cerume para dentro do ouvido e, em muitos casos, causar lesões importantes na região que, inclusive, podem desencadear perda auditiva.5. Avalie possíveis efeitos colaterais de medicamentos
Como citado, alguns medicamentos podem causar danos à audição e você deve estar ciente desse tipo de efeito colateral. Consulte o seu médico sobre os possíveis riscos ao utilizar determinadas medicações.6. Cuide da sua saúde em geral
Mantenha um estilo de vida saudável, mantendo uma dieta balanceada, fazendo atividades físicas regularmente e realizando o devido controle de eventuais condições médicas, como diabetes e hipertensão.7. Faça exames auditivos
Não há orientação para a avaliação regular da audição em adultos saudáveis, mas esse cuidado é importante, especialmente quando existe algum fator de risco, como histórico familiar de perda auditiva, exposição a ruídos intensos ou idade avançada.Mitos sobre a perda auditiva
A perda auditiva ainda é cercada por muitos mitos, e isso impede muitas pessoas de buscar ajuda. Trouxe alguns deles aqui, veja!Perda auditiva é coisa de idoso
Como esclarecido, a perda de audição pode ocorrer em pessoas de todas as idades, embora seja sim mais frequente na população idosa. Entretanto, é importante destacar que esse problema tem crescido entre jovens, sobretudo devido à exposição a sons de alta intensidade, como no uso diário de fones de ouvido em volume alto.Aparelho auditivo é só para casos graves
Há muito tempo sabemos que os aparelhos de amplificação sonora beneficiam pacientes com diferentes níveis de perda de audição, não apenas casos graves. Eles contribuem não só para a correção da perda auditiva, como também para a melhora de sintomas associados, como o zumbido.Perda auditiva não tem cura
Somente a avaliação de um médico especialista pode determinar se o quadro do paciente é ou não permanente. Em alguns casos, a perda auditiva pode ser revertida, e para os demais, há diversos recursos para manejo e prevenção da piora do quadro, vários deles abordados ao longo do texto.Zumbido é sempre sinal de perda auditiva
O zumbido é causado principalmente por perda aditiva, mas também pode ser desencadeado por inúmeras outras causas, incluindo doenças, alterações musculoesqueléticas e até cerume acumulado. É fundamental realizar uma avaliação detalhada para confirmar a perda de audição e descartar outras possibilidades.Perda de audição é algo hereditário
Fatores hereditários podem sim estar associados à perda de audição e sintomas associados, entretanto, para a maioria da população, as principais causas são o envelhecimento e a exposição a ruídos altos.Quem tem perda auditiva vai ficar surdo
Não necessariamente. Mesmo em quadros de perda auditiva importante, a perda auditiva pode se manter estacionada, sem evoluir ao longo do tempo. Pessoas jovens com perda auditiva que passam a cuidar bem da sua audição podem envelhecer ouvindo melhor do que pessoas com audição aparentemente saudável que não tomam os devidos cuidados preventivos ao longo da vida.Perda auditiva pode ser estresse
O estresse crônico pode causar alterações no organismo e em estruturas próximas ao ouvido provocando alterações auditivas, mas é muito improvável que isso seja uma causa isolada. O esperado é que o paciente tenha vários outros motivos para ter perda de audição, por isso, a avaliação médica é fundamental.
Concluindo, a perda auditiva é um distúrbio muito comum que, embora esteja ligado ao envelhecimento na maioria dos casos, está frequentemente relacionada a causas evitáveis. Por fim, devo ressaltar que, embora existam diferentes recursos e tratamentos disponíveis, a prevenção é a melhor forma de evitar as eventuais consequências da perda auditiva.
Este artigo fica por aqui. Eu sou Nathália Prudencio, e se você deseja saber mais sobre mim e sobre o meu trabalho, não deixe de conferir o meu perfil no Instagram e meu canal do YouTube!