mulher usando laptop com sensação estranha na cabeça e tontura

Os pacientes descrevem a tontura de diversas formas: “cabeça estranha”, “cabeça vazia”, “cabeça pesada”, “impressão de pisar em nuvens ou algodão”, entre outros tipos de sensações estranhas. Embora, muitas vezes, seja difícil explicar o sintoma, quanto mais detalhista for o paciente, mais rápido e preciso é o diagnóstico. 

É difícil para você descrever a sua tontura?

Sabemos que esse sintoma tende a ser bastante subjetivo. Muitas alterações e doenças podem desencadear esse tipo de quadro, mas a interpretação e a experiência vivenciada pelo paciente podem variar muito de um indivíduo para outro.

Outro ponto que torna o diagnóstico desafiador é o enorme leque de possibilidades relacionadas ao sintoma. 

A tontura pode ser causada por um simples mal-estar passageiro, como uma queda de pressão ou de glicose, à problemas de saúde mais graves, como a famosa Labirintite ― que costuma ser, erroneamente, entendida como uma definição geral para tontura, mas que, na verdade, é uma infecção atípica do labirinto. 

O que talvez você não tenha percebido é que os diferentes tipos de tontura apresentam pistas que são fundamentais para o diagnóstico, e, neste artigo, meu objetivo é chamar a sua atenção para elas.

Alerto que este conteúdo é de caráter informativo e não dispensa, de forma alguma, a consulta com o otorrinolaringologista, que é o especialista dedicado a esse tipo de sintoma e suas doenças.

A seguir, você confere algumas perguntas simples cujas respostas, certamente, ajudarão o médico a compreender o seu quadro e definir o tratamento mais adequado para a sua tontura. Siga comigo!

Conteúdo:

1. Que tipo de sensação estranha na cabeça você sente?

A primeira coisa que você deve observar são as sensações vivenciadas durante a tontura. É muito comum, por exemplo, o paciente não entender exatamente a diferença entre tontura e vertigem.

Na medicina, a vertigem é entendida como um tipo específico de tontura caracterizado por uma falsa percepção de movimento ― como a sensação de que tudo ao redor está girando ―, ou a percepção anormal de um movimento realizado ― como virar para o lado e sentir o ambiente balançar ou a cabeça girar.

Quando falamos em tontura, nos referimos a qualquer tipo de instabilidade ou desorientação espacial, que, além da vertigem, pode ser percebida como uma sensação de pisar em nuvens, algodão ou degraus, bem como uma impressão de cabeça vazia ou aérea, que prejudica a locomoção.

Essa diferenciação é importante, pois a vertigem, especificamente, pode indicar alterações no labirinto, no nervo vestibular, nos núcleos vestibulares e em outras estruturas relacionadas ao equilíbrio e à audição.

2. A sua tontura surge associada a outros sintomas?

Essa é a pergunta mais importante para o diagnóstico, pois nos permite descartar possibilidades e traçar uma linha de investigação mais precisa. Além da tontura, você deve se atentar a:

  • sintomas auditivos: como perda de audição, zumbido e sensação de ouvido tapado;
  • dor cabeça: em especial a enxaqueca, comumente caracterizada por uma dor latejante em um dos lados da cabeça;
  • dor no pescoço ou nas costas: incômodos cervicais, como dores ou rigidez;
  • alterações na visão: como sensação de nebulosidade ou visão turva;
  • palpitação: a sensação de que o coração está acelerado;
  • palidez e sudorese: verificar, também, se há febre;
  • náusea: sensação de enjoo que pode vir ou não acompanhada de vômitos.

Nem sempre os sintomas se manifestam juntos e, nesse caso, você deve observar se eles começaram a ocorrer no mesmo período. 

Em algumas patologias, como a Enxaqueca Vestibular, o diagnóstico pode levar em consideração o histórico de enxaqueca do paciente, mesmo que a dor de cabeça não se apresente nos episódios de tontura mais recentes.

Em eventos muito intensos, nos quais os sintomas são debilitantes ― principalmente quando há sinais de alterações neurológicas, como dificuldade de movimentar membros, alterações na fala e visão dupla ―, é recomendável buscar atendimento médico imediatamente. 

Embora seja raro, a tontura pode se apresentar como sinal de AVC (Acidente Vascular Cerebral) ou aneurisma.

3. Os sintomas são espontâneos ou são desencadeados por algo?

A tontura ou a sensação de cabeça estranha acontece de repente ou sempre surge durante um momento de tensão, dor, fadiga, estresse ou ansiedade? 

Os sintomas aparecem ou se agravam após longos períodos de jejum ou quando você dorme pouco ou mal?

A sua tontura está associada a algum tipo de movimento ou mudança de posição?

Essa pista é importante para compreender o seu quadro e, em alguns casos, pode ser suficiente para fechar o diagnóstico. 

A Hipotensão Postural, por exemplo, pode provocar breves tonturas ao mudar da posição sentado ou deitado para a posição de pé, assim como a VPPB (Vertigem Posicional Paroxística Benigna), que é caracterizada por episódios de vertigem rotatória, que surgem ao deitar, levantar ou movimentar a cabeça, quando o paciente está deitado na cama.

Por outro lado, temos também a chamada Tontura Postural Perceptual Persistente (TPPP), muito conhecida como Vertigem Fóbica, que é um quadro de tontura crônico diretamente ligado a fatores de ordem psicológica e emocional.

Observe que a VPPB e TPPP tem diferenças importantes. Enquanto a primeira se apresenta em episódios e com vertigem rotatória, a segunda é caracterizada por uma tontura constante, que, muitas vezes, se mantém durante todo o dia e só melhora ao deitar. 

Essa é a próxima pista sobre a tontura que você precisa se atentar.

4. A sua tontura se manifesta em episódios ou é contínua?

Esta característica da tontura não só nos permite diferenciar diferentes tipos de quadro em que esse sintoma aparece, como também nos ajuda a montar estratégias de tratamento mais eficazes, com base na experiência de cada paciente.

Procure observar se a sua tontura e quaisquer outras sensações estranhas na cabeça ocorrem:

  • em crises pouco frequentes: se há longos intervalos (semanas, meses ou anos) entre os períodos em que os sintomas se manifestam;
  • em episódios frequentes: quando os sintomas se manifestam várias vezes ao longo do dia ou semana (é importante esclarecer também a duração média desses episódios);
  • de forma contínua: os sintomas se apresentam de forma crônica, todos os dias, de forma constante.

As disfunções e doenças relacionadas aos sintomas em questão podem apresentar características muito distintas e, por isso, é tão importante relatar a sua experiência em detalhes para o seu médico.  

Em todos os casos, a avaliação médica é extremamente importante para descartar possíveis problemas associados e confirmar o diagnóstico. Exames também podem ser solicitados a depender das características do sintoma e do relato do paciente.

Nem sempre é fácil descrever, mas, independentemente do seu tipo de tontura ou da sensação estranha na cabeça, é fundamental procurar um otorrinolaringologista ou, se possível, um otoneurologista, que é o médico especialista em tontura e zumbido.

Como discutido ao longo do texto, a tontura pode indicar muitas coisas, mas é muito improvável que ela, realmente, seja Labirintite. Continue por aqui e confira nosso artigo sobre os 7 principais sintomas da Labirintite para entender porque essa doença é muito menos frequente do que parece!

 

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