mulher tapando os ouvidos - zumbido e convid-19 - Dra Nathalia Prudencio

As mudanças impostas pelas políticas de isolamento social durante a pandemia do Coronavírus contribuíram para a piora da ansiedade, do estresse e do sono da população. Todos esses fatores se relacionam com a piora da percepção do zumbido no ouvido, assim como há relatos de alterações auditivas em pacientes de COVID-19.

A COVID-19 é uma síndrome respiratória que impactou a vida de milhões de pessoas ao longo de quase dois anos em todo o mundo. Já sabemos que ela apresenta diferentes manifestações e, embora a maioria das pessoas tenha um quadro brando com sintomas gripais — como tosse, indisposição, dor de cabeça, dor no corpo, febre etc—, algumas outras manifestações já foram relatadas, como o acometimento pulmonar, neurológico, cardíaco e auditivo. 

Apesar de raros, existem relatos de pacientes com COVID-19 com paralisia facial, tonturas, perda de audição e zumbido (percepção de som sem estímulos externos). 

Também já ficou claro que o zumbido pode ser causado pelo quadro de COVID-19, ainda que a maioria dos estudos revele o agravamento do quadro em pacientes que já o tinham antes da pandemia. 

Neste artigo, vamos falar sobre alguns fatores que podem ter influenciado essa piora. Vamos lá?

4 fatores que podem ter influenciado o aumento do zumbido durante a pandemia de COVID-19

A seguir, você confere 4 pontos centrais que nos permitem correlacionar as políticas de isolamento social em meio à pandemia com alterações auditivas, como o zumbido.

1. Mudanças no estilo de vida

Podemos começar citando a mudança no estilo de vida durante a pandemia de COVID-19. Muitos de nós paramos de fazer exercícios de rotina por não poder frequentar academias ou mesmo locais ao ar livre. 

A alimentação piorou muito em qualidade e em quantidade, passamos a comer mais e pior. Aumentamos a ingestão de doces, industrializados, cafeína e bebida alcoólica, e, consequentemente, vimos o ganho de peso de grande parte de nossa população, o que pode afetar o nosso ouvido.

A orelha interna é muito sensível a alterações metabólicas de açúcar, colesterol e minerais. E essas alterações, certamente, contribuíram para o agravamento do zumbido.

2. O home office durante a pandemia

O trabalho de grande parte das pessoas passou para o estilo home office durante a pandemia, sem que tivéssemos locais adequados de trabalho em nossas casas. Isso fez com que muitos passassem muitas horas por dia com postura incorreta, desencadeando contraturas e dores musculares importantes, principalmente na região cervical, que está extremamente relacionada à via auditiva. 

Preciso esclarecer que é rotina no consultório avaliar a musculatura, tanto da região mastigatória quanto da cervical, dos pacientes que atendo, pois alterações nessas regiões podem ser as geradoras ou moduladoras do zumbido.

3. Isolamento, estresse e ansiedade

Podemos citar também o fator emocional. Talvez o mais complexo e mais presente, principalmente em pacientes mais ansiosos e preocupados. 

O distanciamento de familiares e pessoas próximas, o medo de contrair uma doença envolta a mistérios e sem tratamento definido, a piora da qualidade do sono por não ter mais uma rotina e a incerteza de retorno às atividades normais.

Notamos, também, a preocupação financeira, a perda do trabalho, o luto, a dificuldade de acesso a um serviço de saúde, uma vez que, muitos profissionais médicos, fisioterapeutas e psicólogos deixaram de atender durante esse período.  

Precisamos entender que o zumbido está muito relacionado ao estado emocional do paciente, portanto, sempre que o paciente está mais estressado, ansioso ou emocionalmente abalado por fatores internos ou externos, o zumbido tende a piorar.

Mas, observe. Fatores emocionais, isoladamente, não são capazes de gerar quadros de zumbido, embora estejam diretamente relacionados com a experiência do paciente com o sintoma.

4. Perda do acompanhamento médico de rotina

Muitos pacientes com zumbido também apresentam uma série de doenças crônicas com necessidade de acompanhamento periódico, como pressão alta, diabetes, doenças cardíacas, controle do colesterol etc.

Muitos desses pacientes deixaram de fazer o acompanhamento por não poder ir até o seu médico ou devido ao seu profissional ter suspendido os atendimentos, o que pode levar à descompensação dessas doenças, que são crônicas.  

Alterações na pressão, no controle de açúcar, colesterol e hormônios tireoidianos também são fatores que podem agravar o zumbido, portanto, eles devem ser bem monitorados.

A COVID-19 e suas possíveis manifestações auditivas

Já temos alguns relatos de pacientes com perda auditiva, tontura e zumbido após desenvolver a COVID-19, o que sinaliza a possibilidade de a doença gerar lesões da via auditiva ou vestibular.

Entretanto, esses dados ainda precisam ser analisados com cautela, pois precisamos de mais estudos para entender essa relação. Já é sabido, porém, que infecções virais podem ser causadoras de perda auditiva súbita e, por consequência, gerar o zumbido.

De qualquer forma, todo paciente com sintomas auditivos deve ser avaliado por um otorrinolaringologista o mais breve possível.

Conclusão

Todos nós, de alguma forma, fomos afetados pela pandemia de COVID-19, seja por mudança em nossas rotinas, pela perda de um ente querido ou pelos hábitos que precisamos adotar para evitar a transmissão dessa doença. 

Todas essas mudanças afetam a nossa saúde física e mental, portanto, devemos estar atentos aos nossos hábitos alimentares, a rotina de atividade física, a qualidade do nosso sono, ao controle de doenças crônicas e qualquer outra condição que necessite de acompanhamento médico. 

Devemos nos atentar também ao nosso local de trabalho, principalmente você que está em home office. É importante ter uma cadeira adequada, manter uma postura correta e evitar posições viciosas. 

Em caso de piora do quadro de ansiedade e estresse constante, é importante buscar um profissional nessa área para te orientar, como um psicólogo ou psiquiatra. 

Além disso, se reparou alguma piora no seu zumbido ou o surgimento de outros sintomas auditivos, é muito importante buscar a ajuda de um especialista, que, nesse caso, é o otorrinolaringologista, ou o otoneurologista, que é o médico especializado em tontura e zumbido.

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