“O Som do Silêncio”: uma abordagem sensível da perda auditiva, tratamentos disponíveis e o processo de aceitação e adaptação
O filme “O Som do Silêncio”, ganhador do Oscar nas categorias Melhor Som e Melhor Edição em 2021, traz à tona a experiência da perda auditiva, os tratamentos disponíveis e a importância da adaptação e da aceitação por meio de uma trama envolvente.
O filme “O Som do Silêncio” (título original: Sound of Metal), lançado em 2019, chamou a atenção do público e da crítica ao abordar a temática da perda auditiva de forma sensível e realista.
A trama acompanha a história de Ruben, um baterista cuja vida muda drasticamente ao começar a perder a audição progressivamente. Mais do que mostrar a condição, o filme destaca o processo de aceitação e adaptação diante dessa nova realidade, sobretudo para um indivíduo cujo som e a música tem uma papel central em sua vida.
Esse longa-metragem ajuda a desmistificar a perda auditiva, trazendo à tona aspectos emocionais, sociais e práticos que muitas pessoas enfrentam no dia a dia. Com uma narrativa envolvente, “O Som do Silêncio” se tornou um importante veículo de conscientização sobre o tema.
A perda auditiva na vida real e no filme
No filme, Ruben experimenta a transição entre a vida com audição plena e o mundo silencioso que se impõe à medida que sua capacidade auditiva diminui.
Ele enfrenta dificuldades comuns a muitos que passam por essa situação: o impacto emocional, o medo do isolamento e a necessidade de aprender novas formas de comunicação e de viver.
Na vida real, a perda auditiva afeta milhões de pessoas em todo o mundo, sendo que muitas vezes é um processo gradual, causado por fatores como envelhecimento, doenças, além da exposição a ruídos intensos, como é o caso do protagonista.
A adaptação pode envolver o uso de aparelhos auditivos, implantes cocleares, terapia fonoaudiológica e, acima de tudo, apoio psicológico e social.
Impacto social e emocional
“O Som do Silêncio” mostra que a perda auditiva vai muito além da questão física. Ruben precisa lidar com a mudança de identidade, a perda da profissão que ama e muitas mudanças nas relações pessoais.
O filme ressalta a importância do suporte de grupos e comunidades, como os surdos que utilizam a linguagem de sinais, mas também traz à tona discussões e preconceitos, inclusive entre eles - destaque para o fato de muitos de seus colegas surdos verem com mau olhos a decisão de Ruben de usar um implante coclear.
A abordagem social e terapêutica é fundamental para entender que a adaptação envolve aceitar as limitações, mas também explorar novos caminhos e possibilidades. Muitas pessoas encontram nas redes de apoio e na reabilitação oportunidades para recuperar a autoestima e a qualidade de vida.
Expectativas de tratamento
Quando a opção de tratamento por implante coclear é apresentada a Ruben, ele enxerga o recurso como uma solução definitiva para o seu “problema”, algo que o faria recuperar a sua vida anterior.
De fato, o implante coclear é um tratamento eficaz para pacientes com perda auditiva profunda, garantindo a essas pessoas uma audição funcional. É considerado um dos grandes milagres da medicina moderna, e, nos últimos anos, avanços significativos foram feitos no processo cirúrgico e na tecnologia embarcada nos aparelhos.
Entretanto, é preciso esclarecer que o implante coclear não fará a audição ser como era antes. É uma nova experiência auditiva com muitos desafios, e que requer acompanhamento por longos períodos.
Nesse aspecto, o filme é também brilhante ao retratar, sob a ótica de Ruben, a eventual frustração vivida por muitos usuários do dispositivo nos primeiros dias, quando se dão conta de que, embora a tecnologia possa trazer de volta a audição, a experiência é nova e exige um longo processo de adaptação.
Conscientização e quebra de preconceitos
Ao mostrar a experiência de Ruben, o filme contribui para quebrar estigmas associados à perda auditiva, que ainda enfrenta preconceitos na sociedade. Muitas pessoas desconhecem as reais dificuldades e as potencialidades das pessoas com essa condição.
A sensibilização gerada por tais obras ajuda a promover inclusão, acessibilidade e respeito, incentivando a busca por diagnóstico precoce e tratamentos adequados. Isso é essencial para minimizar os impactos da perda auditiva e melhorar a vida de quem enfrenta esse desafio.
Infelizmente, o filme termina deixando algumas pontas soltas sobre o processo de adaptação ao implante coclear e perde a oportunidade de abordar com mais profundidade sintomas importantes na experiência de pessoas com perda auditiva, como o zumbido no ouvido.
Ainda assim, “O Som do Silêncio” promove uma reflexão importante sobre a perda de audição e a jornada das pessoas que lidam com esse diagnóstico.
Para quem convive com essa condição ou conhece alguém nessa situação, a obra traz esperança e mostra caminhos possíveis para manter a qualidade de vida, destacando opções de tratamento e a importância de buscar ajuda médica e apoio. Além disso, histórias como a de Ruben, inspiraram empatia e compreensão, elementos essenciais para uma sociedade mais inclusiva.
Que tal saber mais? Confira nosso guia completo sobre Perda auditiva: o que é, tipos, sinais, causas, tratamentos, diagnóstico e prevenção
