Alimentação e tontura: o que você come pode afetar seu equilíbrio?
Tontura nem sempre é sinal de algo grave — muitas vezes ela pode estar ligada a hábitos alimentares. Hipoglicemia, desidratação, excesso de cafeína ou dietas restritivas, por exemplo, podem afetar o equilíbrio.
A sensação de tontura é uma das queixas mais comuns nos consultórios médicos e nem sempre tem uma origem claramente neurológica ou otológica.
Em muitos casos, o problema está diretamente relacionado à hábitos alimentares. Sim, aquilo que você come ou deixa de comer, bem como a quantidade e a frequência que você come certos grupos alimentares. Nosso corpo precisa de uma base energética estável para manter funções básicas, e o labirinto, região do ouvido interno responsável pelo equilíbrio, é particularmente sensível a alterações metabólicas e nutricionais.
Uma das causas de tontura relacionada à alimentação é a hipoglicemia, que ocorre quando os níveis de glicose no sangue caem abaixo do normal. Isso pode acontecer após longos períodos sem se alimentar, pular refeições ou seguir dietas muito restritivas, especialmente aquelas com baixo teor de carboidratos ou quando o paciente faz uma hipoglicemia de rebote após uma alta ingestão de açúcares e carboidratos. Quando a orelha interna e o cérebro não recebem níveis adequados de substrato energético, um dos primeiros sinais é a tontura, que pode vir acompanhada de fraqueza, suor frio, visão turva e até desmaio em casos mais intensos.
Além disso, pacientes com açúcar ou insulina altos no sangue, seja por diabetes não controlada ou por excesso de ingesta de doces e alimentos ricos em farinha branca, também podem ter uma tontura relatada como sensação de cabeça vazia ou flutuação que ocorre em episódios devido a alteração no funcionamento da orelha interna.
Outro fator importante é a desidratação, principalmente em pacientes idosos. Beber pouca água ao longo do dia pode reduzir o volume de sangue circulante e afetar a pressão arterial, causando aquela sensação de desequilíbrio ou instabilidade ao levantar. Isso é ainda mais comum em dias quentes ou após atividades físicas.
Além disso, o consumo excessivo de certos estimulantes, como cafeína ou bebidas energéticas, pode causar picos de ansiedade e alterações na frequência cardíaca, contribuindo para episódios de tontura.
Alguns pacientes com enxaqueca vestibular são especialmente sensíveis a certos alimentos. Queijos envelhecidos, embutidos, chocolate, vinho tinto e alimentos muito condimentados podem atuar como gatilhos nessas condições.
Por fim, a falta de nutrientes, como vitaminas do complexo B, ferro, magnésio e potássio, são também possíveis causas de tontura, geralmente associadas a dietas desequilibradas.
Quando constatada a influência da dieta na tontura, o tratamento, na maioria das vezes, envolve reeducação alimentar, ajustes simples no cardápio e, em alguns casos, suplementação. Comer em horários regulares, manter-se hidratado, evitar estimulantes em excesso e conhecer seus próprios gatilhos alimentares são medidas fundamentais para quem busca viver bem e com estabilidade.
Observe, porém, que episódios muito intensos ou frequentes de tontura não devem ser entendidos como algo corriqueiro. Nesses casos, o ideal é consultar um médico otoneurologista para verificar a possibilidade de haver alguma condição ou doença associada.
