Sertralina sobre a mesa próxima à receita médica

A sertralina é um medicamento antidepressivo da classe dos inibidores seletivos da recaptação da serotonina (ISRS). É amplamente utilizada no tratamento da depressão, transtornos de ansiedade, transtorno obsessivo-compulsivo e outras condições psiquiátricas, sempre com acompanhamento médico.

A sertralina — cujo termo completo é “cloridrato de sertralina” — é um dos antidepressivos mais prescritos no mundo. 

Seu uso é comum tanto em quadros de depressão quanto em diferentes transtornos de ansiedade, o que faz com que muitas pessoas tenham dúvidas antes de iniciar o tratamento: “para que exatamente ela serve, como age no cérebro, quais são os efeitos colaterais e o que esperar nas primeiras semanas”, por exemplo, são questões comuns.

Apesar de muito difundida, a sertralina é um medicamento com efeitos importantes e só deve ser usada sob prescrição e acompanhamento médico. Neste artigo, meu objetivo é tirar dúvidas sobre como o remédio funciona, suas indicações, como deve ser usado e possíveis efeitos colaterais. Siga a leitura.

O que é sertralina e para que serve?

A sertralina é um antidepressivo da classe dos ISRS (Inibidores Seletivos da Recaptação de Serotonina). Esses medicamentos atuam aumentando a disponibilidade de serotonina no cérebro, um neurotransmissor associado à regulação do humor, da ansiedade, do sono, do apetite e do bem-estar emocional.

Ela é indicada principalmente para o tratamento de:

  • transtorno depressivo maior;
  • transtorno de ansiedade generalizada;
  • transtorno do pânico;
  • transtorno obsessivo-compulsivo (TOC);
  • transtorno de estresse pós-traumático (TEPT);
  • fobia social;
  • transtorno disfórico pré-menstrual (TDPM).

Embora seja chamada popularmente de “antidepressivo”, a sertralina é amplamente utilizada em quadros ansiosos, muitas vezes como tratamento de primeira linha. 

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Vale destacar que transtornos de humor podem estar associados a uma série de condições, como doenças, distúrbios hormonais, insônia, bem como sintomas específicos, como dores crônicas, tontura e zumbido no ouvido. Nesses casos, a sertralina é também frequentemente utilizada, porém, dentro de uma estratégia ampla de tratamento.

Por que usamos antidepressivos para tratar tontura? | Dra Nathália Prudencio

 

Diferença entre sertralina e fluoxetina

Sertralina e fluoxetina pertencem à mesma classe (ISRS), mas possuem diferenças farmacológicas importantes.

A fluoxetina tem meia-vida mais longa, permanecendo no organismo por mais tempo. Isso pode ser vantajoso em alguns casos, mas também dificulta ajustes rápidos de dose. Já a sertralina tem meia-vida intermediária, o que oferece maior flexibilidade clínica.

Em termos de perfil clínico, a sertralina costuma ser preferida em quadros com ansiedade associada, enquanto a fluoxetina pode ter efeito mais estimulante em algumas pessoas. A resposta, no entanto, é individual: um medicamento pode funcionar melhor para uma pessoa e pior para outra.

Para que serve o cloridrato de sertralina?

Na prática clínica, quando se fala em sertralina, nos referimos ao cloridrato de sertralina, cuja principal função é regular a neurotransmissão serotoninérgica, reduzindo sintomas como:

  • tristeza persistente;
  • ansiedade excessiva;
  • pensamentos obsessivos;
  • crises de pânico;
  • evitação social;
  • irritabilidade intensa.

O medicamento não atua como um sedativo, nem provoca efeito imediato. Seu benefício é progressivo e depende do uso contínuo, preferencialmente associado à psicoterapia.

Como tomar o cloridrato de sertralina?

A forma correta de uso da sertralina deve ser sempre definida por um médico, mas existem orientações gerais definidas na bula do medicamento e amplamente aceitas na prática clínica.

Posologia

A dose inicial costuma ser baixa, geralmente entre 25 mg e 50 mg por dia, com possibilidade de aumento gradual conforme a resposta clínica e a tolerância do paciente.

Esse ajuste progressivo é importante para minimizar efeitos colaterais iniciais e permitir que o organismo se adapte ao medicamento.

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Melhor horário para tomar sertralina

A sertralina pode ser tomada pela manhã ou à noite, dependendo da resposta individual. Algumas pessoas relatam leve aumento de disposição ou insônia, preferindo o uso pela manhã. Outras sentem discreta sonolência e se adaptam melhor ao uso noturno.

O mais importante é manter um horário regular, tomando o medicamento todos os dias no mesmo período, com ou sem alimentos.

Contraindicações: quando não devo usar o cloridrato de sertralina?

A sertralina não deve ser utilizada sem orientação médica, especialmente em algumas situações específicas.

Ela é contraindicada para pessoas que:

  • usam inibidores da monoaminoxidase (IMAO);
  • têm hipersensibilidade conhecida à sertralina;
  • estão em uso concomitante de pimozida.

Além disso, requer cautela em pacientes com:

  • transtorno bipolar (risco de virada maníaca);
  • histórico de convulsões;
  • doenças hepáticas;
  • uso de outros medicamentos serotoninérgicos.

Gestantes, lactantes e adolescentes também devem utilizar o medicamento apenas sob avaliação criteriosa.

Efeitos colaterais da sertralina

“Dra, quem toma sertralina fica como?”. Essa é uma das dúvidas mais comuns sobre o medicamento, mas o ponto é que os efeitos variam de pessoa para pessoa.

Há reações muito comuns, observadas na maioria dos pacientes, especialmente no início do tratamento, assim como efeitos atípicos que requerem avaliação e ajustes. 

Efeitos esperados no início do tratamento

Nas primeiras semanas, é comum ocorrerem efeitos transitórios, como:

  • náusea;
  • dor de cabeça;
  • boca seca;
  • alterações no sono;
  • aumento inicial da ansiedade;
  • desconforto gastrointestinal.

Esses sintomas geralmente diminuem após duas a quatro semanas, à medida que o organismo se adapta ao medicamento.

Efeitos a longo prazo

Com o uso contínuo, a maioria das pessoas relata:

  • redução da ansiedade;
  • estabilização do humor;
  • diminuição de pensamentos obsessivos;
  • maior funcionalidade no dia a dia.

Entenda que a sertralina não “anula emoções” nem transforma a personalidade do indivíduo. Seu objetivo é reduzir o sofrimento psíquico patológico, não eliminar sentimentos naturais.

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Efeitos colaterais sexuais

Entre os possíveis efeitos colaterais da sertralina, as alterações em funções sexuais são uma das preocupações mais frequentes. 

De fato, o medicamento pode causar:

  • diminuição da libido (mais comum);
  • retardo da ejaculação;
  • dificuldade para atingir o orgasmo.

Devo destacar, porém, que nem todos os pacientes apresentam esses efeitos, e sua intensidade varia. Em muitos casos, ajustes de dose ou estratégias clínicas podem minimizar o impacto.

Efeitos colaterais mais raros

A sertralina é considerada segura para a maioria das pessoas, mas raramente pode causar:

  • alterações no ritmo cardíaco;
  • hiponatremia (redução do sódio no sangue);
  • sangramentos aumentados quando associada a certos medicamentos.

Sintomas como confusão mental, tontura intensa e palpitações também não são comuns e devem ser avaliados pelo médico responsável pela prescrição do medicamento ou especialista.

Bula do cloridrato de sertralina: o que é importante saber

A bula do cloridrato de sertralina traz informações técnicas essenciais sobre indicações, doses, interações medicamentosas e efeitos adversos. É importante lê-la com atenção, mas também compreender que a bula descreve possibilidades, não certezas.

Muitos efeitos listados são raros e aparecem porque foram observados em algum momento durante estudos clínicos ou uso pós-comercialização.

A interrupção do medicamento deve ser feita de forma gradual, conforme orientação médica, para evitar sintomas de descontinuação, como tontura, irritabilidade e alterações sensoriais.

A sertralina é um medicamento amplamente estudado, eficaz e seguro quando utilizado de forma adequada. Seu papel no tratamento da depressão e dos transtornos de ansiedade é bem estabelecido, mas seu uso deve sempre considerar as particularidades de cada pessoa.

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Sobre Dra Nathália Prudencio

Dra Nathália Prudencio é médica otoneurologista, especialista em tontura e zumbido. Saiba mais
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