Zumbido no ouvido com audiometria normal: isso é possível?
O exame de audiometria com resultados “normais” não descarta alterações auditivas imediatamente. O zumbido no ouvido pode ser desencadeado por por perdas ou lesões auditivas muito discretas, que passam despercebidas nos testes. Além disso, o zumbido é um sintoma com várias causas, e outras possibilidades também devem ser investigadas.
Uma das situações que mais geram dúvidas no consultório é quando o paciente apresenta zumbido no ouvido, realiza uma audiometria e recebe a notícia de que o exame está normal. Afinal, se a audição está preservada, por que existe zumbido?
Na verdade, isso acontece com uma pequena parcela dos pacientes e não significa que o sintoma seja imaginário ou que não exista uma causa para ele.
Esperamos que uma parte dos pacientes com zumbido apresente audiometria dentro dos padrões de normalidade, pois o exame pode não detectar alterações muito discretas ou restritas a frequências mais altas.
Existem situações em que há um dano inicial às células do ouvido interno que ainda não é suficiente para provocar alteração perceptível na audiometria convencional. Mesmo assim, esse pequeno comprometimento pode ser suficiente para desencadear o zumbido.
Outro ponto importante é que, embora a perda auditiva seja um dos fatores mais frequentemente associados ao zumbido, ela não está presente em todos os casos. O sintoma pode estar relacionado a diversas condições clínicas, como alterações da articulação temporomandibular (ATM), tensão da musculatura da cabeça e do pescoço, enxaqueca, distúrbios do sono, ansiedade, estresse, uso de determinados medicamentos, alterações metabólicas e até doenças vasculares.
Na maioria dos pacientes, inclusive, o zumbido é resultado da combinação de vários fatores. Uma pessoa pode ter uma alteração auditiva muito discreta, associada a um período de estresse intenso e noites mal dormidas, por exemplo, o que torna o sintoma mais evidente. Isso explica por que o tratamento nem sempre se resume à audição e frequentemente envolve uma abordagem ampla, considerando a saúde física e emocional do paciente.
Outro aspecto importante é que o cérebro desempenha um papel fundamental na percepção do zumbido. O ouvido capta os sons, mas é o sistema nervoso central que interpreta essas informações. Em algumas situações, mesmo sem alterações importantes na audição, o cérebro pode aumentar a percepção de determinados sinais elétricos, fazendo com que o zumbido se torne mais perceptível, especialmente em ambientes silenciosos ou durante períodos de ansiedade.
Por esse motivo, uma audiometria normal não encerra necessariamente a investigação. Dependendo da história clínica, o otoneurologista pode solicitar exames complementares para avaliar outras estruturas do sistema auditivo ou investigar possíveis causas associadas. Em alguns casos, exames de imagem, avaliações laboratoriais ou testes auditivos mais específicos podem ser indicados quando houver suspeita de doenças menos comuns ou sinais de alerta.
Também é importante lembrar que um zumbido persistente merece avaliação médica. Embora a maioria dos casos esteja relacionada a condições benignas, existem situações que exigem investigação mais detalhada, principalmente quando o zumbido ocorre apenas em um ouvido, é pulsátil (acompanha os batimentos cardíacos), surgiu de forma súbita ou está associado à perda auditiva repentina, tontura intensa ou outros sintomas neurológicos.
O tratamento dependerá da causa identificada. Quando existe perda auditiva, mesmo que discreta, sua correção pode contribuir para reduzir a percepção do zumbido. Nos casos em que a audição é normal, o foco pode estar no controle dos fatores desencadeantes, no manejo da ansiedade, na melhora da qualidade do sono, no tratamento de alterações da ATM, da enxaqueca ou de outras condições que estejam contribuindo para o sintoma. Em alguns pacientes, terapias sonoras, aconselhamento e reabilitação também podem trazer benefícios importantes.
A avaliação do paciente deve ser sempre individualizada, ampla e preferencialmente realizada por um médico especialista, neste caso o otoneurologista, que é o otorrino dedicado às condições e doenças causadoras de tontura e zumbido.
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