Estudo brasileiro aponta a possibilidade da análise de cerúmen (cera de ouvido) como exame preventivo de câncer
Um estudo da Universidade Federal de Goiás (UFG) sugere que a cera de ouvido pode carregar biomarcadores de câncer. Veja como funcionam os testes e o que esperar dessa possível nova ferramenta da medicina.
Um estudo brasileiro bastante inovador analisa a possibilidade de usar a cera do ouvido como um auxiliar no diagnóstico precoce de câncer.
Na Universidade Federal de Goiás (UFG), um grupo de pesquisadores, coordenado pelo professor Nelson Roberto Antoniosi Filho, desenvolveu uma espécie de “cerumenograma” — ou seja, a análise química da cera do ouvido (cerúmen) para identificar metabólitos orgânicos voláteis e outras substâncias que mudam conforme o organismo passa por inflamações, tumores ou outras alterações metabólicas. Eles observaram que a composição da cera pode refletir o metabolismo da pessoa de forma surpreendentemente detalhada.
Em um dos trabalhos publicados, amostras de cerúmen de voluntários saudáveis e de pessoas com câncer foram analisadas: em 102 indivíduos (51 saudáveis e 51 com câncer), eles conseguiram identificar perfis distintos de substâncias voláteis no cerúmen.
Em outra fase mais recente, os pesquisadores coletaram 751 amostras, das quais 220 eram de pessoas sem diagnóstico e, dessas, cinco apresentaram alterações que levaram à investigação e confirmação de câncer. Nas 531 pessoas com câncer, o teste da cera identificou a doença em 100% dos casos da amostragem.
E como isso funciona?
A princípio, o cerúmen é uma matriz biológica pouco utilizada em exames convencionais, mas com vantagens: sua coleta é simples, não invasiva, e o material está relativamente isolado de contaminações externas. Ele acumula secreções das glândulas ceruminosas e sebáceas do canal auditivo externo, além de células descamadas, lipídios e ácidos graxos.
Agora, descobrimos que a cera também pode conter metabólitos que indicam mudanças no organismo. Quando há um tumor ou processo metabólico alterado, o organismo produz substâncias diferentes, e essas variações podem se manifestar no perfil químico do cerúmen.
É importante enfatizar que o estudo é promissor, mas ainda está longe de ser adotado na prática clínica. São necessárias novas pesquisas, trabalhos com número maior de participantes, protocolos padronizados e ensaios clínicos para confirmar essa descoberta e, então, definir os parâmetros para adoção em massa.
Outro ponto importante é que o novo procedimento, mesmo se for estabelecido, não substituirá exames de rotina de oncologia, nem demais orientações médicas em caso de sintomas ou fatores de risco. Contudo, é um avanço interessante e promissor em diversos aspectos: imagine estimar o risco de câncer e antecipar o diagnóstico com um procedimento tão simples!
Sendo assim, seguimos acompanhando o trabalho dos pesquisadores, ansiosos por essas e tantas outras novas ferramentas da medicina que estão por vir. Mais gratificante ainda por se tratar de uma inovação de brilhantes profissionais do Brasil.
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