Os pilares para tratamento do zumbido | Dra Nathália Prudencio

O tratamento do zumbido no ouvido depende da causa e do impacto do sintoma. Aparelhos auditivos, TCC, terapia sonora e tratamento de alterações associadas podem reduzir o incômodo e melhorar a qualidade de vida. 

O zumbido no ouvido pode ser tratado por meio de aparelhos auditivos, Terapia Cognitivo-Comportamental, terapia sonora e intervenções direcionadas às suas possíveis causas. A estratégia varia de acordo com o diagnóstico, a presença de perda auditiva e o impacto do sintoma na vida do paciente.

O zumbido não é uma doença, mas uma percepção sonora que pode estar associada a diversas condições. Em alguns casos, existe uma causa reversível, como cerume impactado ou uma infecção. Em outros, não é possível eliminar completamente o som, mas existem recursos capazes de reduzir o incômodo e melhorar significativamente a qualidade de vida.

Além disso, um mesmo paciente pode apresentar vários fatores associados, por isso a escolha do tratamento deve ser individualizada e definida a partir da avaliação médica.

Continue a leitura para saber mais.

O que é zumbido no ouvido?

O zumbido, também chamado de tinnitus, é a percepção de um som sem que exista uma fonte sonora externa correspondente.

O som pode se assemelhar a diversos ruídos, como:

  • apito;
  • chiado;
  • estática;
  • cigarra;
  • motor;
  • água corrente;
  • assobio;
  • pulsação.

O som pode ser percebido em um ouvido, nos dois ou no centro da cabeça. Também pode ser contínuo ou intermitente e variar em intensidade ao longo do dia.

Algumas pessoas percebem o zumbido, mas não se incomodam significativamente com ele. Para outras, o sintoma interfere no sono, na concentração, no trabalho, na comunicação e no bem-estar emocional.

A intensidade sonora percebida não é o único fator que determina o sofrimento. Atenção, medo, estresse, sono e o significado atribuído ao sintoma também influenciam quanto espaço ele ocupa na vida do paciente.

Zumbido objetivo e subjetivo: qual é a diferença?

Na maioria dos casos, apenas o paciente consegue ouvir o zumbido. Essa forma é chamada de zumbido subjetivo e costuma estar relacionada ao sistema auditivo.

Mais raramente, o som é produzido por alguma estrutura do corpo e pode, em determinadas situações, ser detectado durante a avaliação. É o chamado zumbido objetivo.

Também é importante identificar o zumbido pulsátil, que acompanha o ritmo do coração. Esse padrão pode indicar causas mais específicas e requer uma investigação diferenciada.

Quais são as principais causas de zumbido?

Entre as possíveis causas e condições associadas, estão:

A perda auditiva é um dos fatores mais frequentemente associados ao zumbido crônico, inclusive quando a pessoa ainda não percebe dificuldade para ouvir.

Ansiedade, estresse e privação de sono também podem aumentar a percepção e o incômodo, o que não significa que o sintoma seja “imaginário” ou meramente emocional. O som é uma experiência real, mas sua relevância pode ser amplificada pela atenção e pelas respostas emocionais.

Como é feita a investigação do zumbido?

A avaliação começa pelas características do sintoma. Durante a consulta, o médico procura saber:

  • quando o zumbido começou;
  • se surgiu de maneira súbita ou gradual;
  • se é percebido em um ou nos dois ouvidos;
  • se é contínuo, intermitente ou pulsátil;
  • se houve exposição recente a barulho intenso;
  • se existe perda auditiva, tontura ou sensação de ouvido tapado;
  • se o som muda ao movimentar a mandíbula ou o pescoço;
  • quais medicamentos o paciente utiliza;
  • quanto o sintoma interfere no sono e na rotina.

O exame físico dos ouvidos permite verificar cerume, infecções e alterações no tímpano. A audiometria é frequentemente indicada para investigar a audição.

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Outros exames dependem dos achados. Ressonância magnética, tomografia ou exames vasculares não são necessários para todas as pessoas, mas podem ser solicitados diante de zumbido pulsátil, unilateral, perda auditiva assimétrica ou outros sinais específicos.

Questionários como o Tinnitus Handicap Inventory e o Tinnitus Functional Index também podem ajudar a mensurar o impacto e acompanhar a resposta ao tratamento.

10 formas de tratar o zumbido no ouvido

Não existe um único tratamento adequado para todos. Algumas intervenções tratam uma causa específica, outras ajudam o cérebro e o paciente a reduzir o impacto do sintoma.

A seguir, você confere estratégias e recursos usados em diferentes tipos de diagnóstico. Confira!

1. Remoção de cerume ou corpo estranho

A obstrução do canal auditivo pode reduzir a entrada de sons externos e favorecer a percepção de zumbido. Quando o cerume impactado é a causa principal, sua remoção pode melhorar tanto a audição quanto o sintoma.

O procedimento é indicado depois que o ouvido é examinado e só deve ser feito por um médico em consultório. Hastes flexíveis (como cotonete), objetos pontiagudos, velas auriculares, soluções caseiras e kits de irrigação podem empurrar a cera para dentro, lesionar o canal auditivo e até perfurar o tímpano, por isso não são recomendados.

A melhora pode ser rápida quando o zumbido está diretamente relacionado à obstrução, mas não é possível garantir seu desaparecimento se houver outros fatores associados.

2. Tratamento de infecções e outras doenças do ouvido

Otites e outras inflamações podem provocar zumbido, dor, secreção, ouvido tapado e perda auditiva. Nesses casos, o tratamento depende da origem e da região afetada.

Antibióticos só são indicados quando há suspeita de infecções bacterianas. Outros casos podem exigir cuidados diferentes.

Doença de Ménière, otosclerose e alterações da tuba auditiva também possuem abordagens específicas. Tratar corretamente essas condições pode melhorar o zumbido, mas a remissão completa do sintoma depende da causa.

3. Aparelhos auditivos

Quando existe perda auditiva, os aparelhos auditivos podem melhorar a comunicação e tornar os sons externos mais acessíveis. Com mais estímulos chegando ao cérebro, o zumbido tende a se destacar menos.

A indicação deve considerar o resultado da audiometria, dificuldades na comunicação, estilo de vida e preferências do paciente.

Aparelhos auditivos não garantem o desaparecimento do zumbido, mas podem reduzir significativamente seu impacto na vida dos pacientes.

4. Terapia sonora e enriquecimento sonoro

O silêncio faz com que o contraste entre o zumbido e o ambiente aumente. Sons suaves podem diminuir esse contraste e facilitar o sono, a concentração e a habituação.

Podem ser utilizados:

  • ruído branco ou rosa;
  • sons de chuva ou água;
  • ventilador ou ar-condicionado;
  • música suave;
  • aplicativos;
  • geradores sonoros;
  • programas integrados ao aparelho auditivo.

Na maioria dos pacientes, o som não deve encobrir completamente o zumbido. Em programas voltados à habituação, costuma-se utilizar uma intensidade confortável que permita perceber tanto o som externo quanto o zumbido.

5. Terapia Cognitivo-Comportamental

A TCC é uma das intervenções com maior respaldo científico para o zumbido persistente e incômodo.

Ela não tem como principal objetivo reduzir o volume do ruído percebido. Seu foco é modificar pensamentos, emoções e comportamentos que mantêm o paciente em estado de alerta constante devido ao som.

O paciente pode trabalhar aspectos como:

  • medo de que o zumbido signifique uma doença grave;
  • vigilância constante do som;
  • dificuldade de concentração;
  • ansiedade;
  • irritabilidade;
  • insônia;
  • abandono de atividades;
  • sensação de falta de controle.

A redução do sofrimento não significa “se conformar”. Significa diminuir a reação de ameaça e recuperar funções e atividades que o zumbido passou a prejudicar.

Medicamentos antidepressivos ou ansiolíticos podem ser indicados quando existe depressão ou transtorno de ansiedade associado. Nesse caso, o acompanhamento também deve ser auxiliado por um médico psiquiatra.

6. Terapia de Retreinamento do Zumbido

A TRT combina aconselhamento estruturado com enriquecimento sonoro para favorecer a habituação. Seu objetivo é fazer com que o cérebro deixe de classificar o zumbido como um sinal relevante ou ameaçador.

O tratamento pode envolver acompanhamento médico e fonoaudiológico, aparelhos auditivos quando há perda e geradores de som em casos selecionados.

Os resultados dessa abordagem são variados, mas muitas pessoas se beneficiam dela. Por isso, é importante que a TRT esteja incluída em uma estratégia de tratamento onde outras medidas são adotadas.

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7. Tratamento odontológico, cervical e fisioterápico

Em algumas pessoas, o zumbido muda de intensidade ou frequência ao:

  • apertar os dentes;
  • abrir a boca;
  • movimentar a mandíbula;
  • girar o pescoço;
  • pressionar determinados músculos.

Esse padrão pode sugerir participação somatossensorial, com influência da articulação temporomandibular, bruxismo, músculos mastigatórios ou região cervical.

Quando essa associação é confirmada, o tratamento pode envolver dentista, fisioterapeuta e outros profissionais. Placas para bruxismo, exercícios e correção de alterações musculares podem ser considerados conforme o diagnóstico.

Nem todo desvio postural ou tensão muscular, porém, explica o zumbido. A associação precisa ser avaliada para evitar procedimentos desnecessários.

8. Sono e tratamento da insônia

O zumbido costuma se destacar à noite devido ao silêncio e à redução das distrações. Ao mesmo tempo, dormir mal aumenta irritabilidade, ansiedade, fadiga e sensibilidade ao sintoma. Isso gera um ciclo muito desgastante.

Algumas medidas preventivas úteis incluem:

  • manter horários regulares;
  • evitar ficar monitorando o zumbido na cama;
  • usar som ambiente suave;
  • reduzir luz e estímulos antes de dormir;
  • tratar insônia persistente;
  • investigar ronco e pausas respiratórias.

A TCC específica para insônia pode ser indicada quando o problema se torna crônico.

Melhorar o sono não necessariamente elimina o zumbido, mas pode interromper o ciclo em que o som prejudica o descanso e o cansaço aumenta o incômodo.

9. Alimentação, atividade física e controle de gatilhos

Não existe uma dieta universal para zumbido. Recomendações para cortar completamente café, açúcar, sal, leite, glúten e outros alimentos, por exemplo, não se aplicam a todos os pacientes.

Cafeína, álcool e outras substâncias podem, de fato, influenciar algumas pessoas, mas a resposta é individual. Uma forma mais racional de investigar é registrar o consumo e a intensidade do zumbido, evitando restrições amplas baseadas apenas em coincidências.

A redução de sal pode fazer parte do manejo de condições específicas, como doença de Ménière ou hipertensão, mas não é um tratamento geral para todos os tipos de zumbido.

Também vale citar a atividade física regular, que pode contribuir para a melhora do sono, do humor e da saúde cardiovascular. Esses benefícios ajudam o paciente a lidar com o sintoma, mesmo que não promovam uma cura direta.

10. Medicamentos para causas e condições associadas

Até o momento, não existe um medicamento aprovado que elimine de maneira confiável o zumbido subjetivo crônico em todos os pacientes.

Medicamentos podem ser necessários para tratar condições associadas, como:

  • infecções;
  • hipertensão;
  • diabetes;
  • enxaqueca;
  • dor associada à DTM;
  • ansiedade;
  • depressão;
  • insônia.

Isso é diferente de dizer que esses remédios tratam diretamente o zumbido.

Também é importante revisar medicamentos potencialmente ototóxicos (que podem causar problemas ao ouvido). Entretanto, a alteração ou suspensão de qualquer remédio só deve ser feita sob orientação médica.

E a neuromodulação para zumbido?

Novas técnicas tentam modular a atividade das vias relacionadas ao zumbido. Entre elas estão a estimulação magnética, a estimulação elétrica e a neuromodulação bimodal, que combina sons com estímulos em outra região do corpo.

Alguns dispositivos e protocolos já estão disponíveis em determinados países com estudos que apontam benefícios em grupos selecionados. Entretanto, ainda são necessárias pesquisas maiores para que essas soluções sejam adotadas de forma ampla.

Suplementos e remédios naturais funcionam?

Ginkgo biloba, zinco, magnésio e vitaminas são frequentemente divulgados como tratamentos. Entretanto, as diretrizes clínicas atuais não recomendam suplementos de rotina para zumbido persistente, pois os estudos não demonstram benefício consistente.

A reposição pode fazer sentido quando existe uma deficiência nutricional confirmada, mas isso não significa que a substância trate diretamente o zumbido em pessoas sem deficiência.

Produtos naturais também podem provocar efeitos adversos e interagir com medicamentos. Ginkgo biloba, por exemplo, pode aumentar o risco de sangramento em determinadas situações.

O que fazer para aliviar o zumbido agora?

Enquanto aguarda avaliação, algumas medidas podem tornar o sintoma menos perceptível. Se você sofre com zumbido:

  • evite permanecer em silêncio absoluto;
  • use um som ambiente baixo e confortável;
  • proteja os ouvidos diante de ruídos realmente intensos;
  • não utilize protetores auriculares o dia inteiro em ambientes comuns;
  • evite monitorar ou testar o zumbido repetidamente;
  • mantenha horários regulares de sono;
  • não aumente excessivamente o volume de fones para cobrir o som ambiente;
  • anote possíveis gatilhos sem fazer restrições precipitadas.
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Você também deve saber que o zumbido é um sintoma extremamente comum e milhões de pessoas convivem com ele sem nenhum problema. O processo de aceitação e habituação ao sintoma pode ser desafiador, mas saiba que o zumbido não vai te impedir de ter uma boa qualidade de vida.

Quando o zumbido deve ser avaliado rapidamente?

Nem sempre dá para esperar. Em alguns casos, é recomendável procurar atendimento médico de emergência, como quando o zumbido:

  • surge junto com perda auditiva súbita;
  • aparece após um trauma na cabeça;
  • é acompanhado de fraqueza facial;
  • ocorre com vertigem intensa e dificuldade para caminhar;
  • vem com sintomas neurológicos (como fraqueza de um lado do corpo, alterações motoras ou confusão mental);
  • está associado a dor intensa, febre ou secreção no ouvido.

A perda auditiva súbita é uma urgência otorrinolaringológica porque o tratamento precoce pode influenciar a possibilidade de recuperação em muitos casos.

Se o sofrimento causado pelo zumbido provocar desespero intenso, pensamentos de morte ou vontade de se machucar, o ideal é também procurar ou acionar um serviço de emergência. Nesse tipo de situação, o cuidado com a saúde mental é tão urgente quanto a investigação auditiva.

Como NÃO tratar o zumbido?

Desconfie de produtos que prometem “limpar o ouvido”, “regenerar as células auditivas” ou eliminar definitivamente o zumbido em poucos dias. 

Se você chegou até aqui, já sabe que deve desconfiar de qualquer solução milagrosa que promete a “cura do zumbido”.

De maneira geral, o que você não deve fazer é:

  • se automedicar (inclusive com produtos ditos naturais);
  • interromper medicamentos prescritos;
  • inserir substâncias ou objetos no ouvido;
  • tomar suplementos com promessa de cura;
  • ouvir sons em volume elevado frequentemente;
  • pagar por tratamentos que garantem resultado, sem consulta ou diagnóstico;
  • restringir vários alimentos sem avaliação;
  • adiar a consulta médica esperando piorar, quando já há incômodo.

Se o zumbido te incomoda, o mais correto é procurar um médico especialista antes de qualquer coisa, nesse caso o médico otoneurologista, que é especialista nesse tipo de sintoma.

Perguntas frequentes

Zumbido no ouvido tem cura?

Pode desaparecer quando existe uma causa reversível, como cerume impactado, determinadas infecções ou fatores musculares. No zumbido crônico, o objetivo frequentemente é reduzir o impacto na qualidade de vida e favorecer a habituação, mesmo que o som não desapareça completamente.

Qual é o melhor tratamento para zumbido?

Depende do diagnóstico. Aparelhos auditivos são indicados quando há perda auditiva, por exemplo. A TCC apresenta bom respaldo para reduzir o sofrimento. Já a terapia sonora, o aconselhamento e o tratamento de fatores associados podem complementar o cuidado.

Existe remédio para acabar com o zumbido?

Não existe um medicamento que elimine com segurança e eficácia o zumbido crônico em todos os pacientes. Remédios podem tratar doenças e condições associadas, mas não devem ser prescritos rotineiramente apenas para silenciar o sintoma.

O zumbido causado pela ansiedade desaparece?

Ansiedade e estresse podem aumentar a percepção e o incômodo, mas geralmente não são a causa de origem do sintoma. Tratar esses fatores pode reduzir significativamente o sofrimento, mas é importante investigar possíveis causas desencadeantes.

Zumbido em apenas um ouvido é perigoso?

O zumbido de um só lado é um padrão observado em algumas doenças, embora raramente indique uma emergência médica. Mesmo assim, o zumbido unilateral persistente deve ser avaliado, principalmente se vier acompanhado de perda auditiva assimétrica, tontura e outros sintomas.

Qual médico trata o zumbido?

O otorrinolaringologista é o médico indicado para atender pacientes com zumbido no ouvido e outras alterações auditivas, mas você pode ter uma avaliação mais aprofundada consultando um otoneurologista, que é o otorrino dedicado ao diagnóstico e tratamento desse sintoma. A depender dos achados, porém, outros profissionais de saúde podem ser consultados, como fonoaudiólogos, psicólogos, dentistas, neurologistas, fisioterapeutas, entre outros.

 


Sobre Dra Nathália Prudencio

Dra Nathália Prudencio é médica otoneurologista, especialista em tontura e zumbido. Saiba mais! 
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