10 formas de tratar o zumbido no ouvido e orientações importantes

O zumbido no ouvido pode ser tratado com aparelhos auditivos, terapia sonora, mudanças na dieta, sono de qualidade, atividade física regular e apoio psicológico e psiquiátrico, de acordo com a causa subjacente do sintoma e necessidades específicas do paciente. A estratégia adotada varia de acordo com o diagnóstico e, na maioria das vezes, requer acompanhamento multidisciplinar.
O zumbido no ouvido não é uma doença, mas um sintoma que pode estar associado a diversas causas diferentes.
Sendo assim, a primeira coisa a fazer é descobrir o tratamento mais adequado para a disfunção ou patologia que provoca o sintoma — levando em conta que um mesmo paciente pode apresentar vários fatores que contribuem para o surgimento e para o agravamento do zumbido.
É fundamental, portanto, buscar um otoneurologista, que é o médico especialista em tontura e zumbido, para obter um diagnóstico para o seu quadro, em específico.
A estratégia médica pode envolver um ou mais tipos de intervenção e depende do fator desencadeador, da experiência relatada pelo paciente e da maneira como ele lida com o sintoma.
A seguir, cito as principais causas de zumbido no ouvido, além dos 10 principais tratamentos adotados atualmente, considerando todas as suas diversas causas e quadros, além de orientações gerais sobre o assunto. Confira!
O que é o zumbido no ouvido e como acabar com ele?
O zumbido no ouvido é um sintoma muito comum e nem sempre é entendido como um problema — na verdade, estima-se que apenas um em cada dez pacientes apresenta o zumbido como um incômodo relevante.
Por definição, o zumbido (ou tinnitus) é um som sem uma fonte sonora externa que pode se manifestar de diversas formas. Há quem se queixe de um chiado, apito ou som de estática de TV, outros descrevem ruídos de insetos, água corrente ou até motores.
Embora o tipo de ruído e a intensidade do som variem bastante, é importante compreender que estamos falando de um sintoma muito subjetivo, cuja percepção e a experiência individual podem influenciar diretamente o quadro.
Por isso é tão importante consultar um especialista para realizar uma investigação detalhada do sintoma e descobrir as causas por trás dele. Esse é o primeiro passo para a melhora do paciente.
Quais são as principais causas de zumbido no ouvido?
O zumbido no ouvido pode ser causado por diversos fatores e geralmente os pacientes apresentam vários motivos para tê-lo.
As suas causas principais são:
- perda auditiva (geralmente por idade ou por exposição a ruídos altos);
- desordens articulares e/ou musculares (como bruxismo e disfunção temporomandibular);
- alterações vasculares na região do ouvido ou em suas proximidades;
- alterações na estrutura do ouvido (como otosclerose ou disfunções na tuba auditiva);
- medicamentos ototóxicos (que agridem o ouvido, como alguns antibióticos e anti-inflamatórios);
- cerume impactado;
- infecções (como otites e labirintite);
- doenças que acometem o labirinto (como a doença de Ménière);
- tumores no ouvido (em casos muito raros).
Em parte dos casos, o zumbido no ouvido tem cura (ou remissão completa), geralmente quando causado por cerume, infecções, medicamentos ou alterações musculares. A maioria dos pacientes, porém, o terá de forma crônica.
A perda auditiva é um dos motivos mais frequentes para o desencadeamento do zumbido crônico, sendo esse o primeiro fator a ser investigado pelo médico. Entretanto, outros fatores costumam estar associados.
Somente um diagnóstico preciso e confiável, portanto, nos permite definir a melhor linha de tratamento para cada paciente.
Como tratar o zumbido no ouvido: 10 principais tratamentos
Existem diversos tratamentos para o zumbido no ouvido, mas a escolha deles, como dito, depende da descoberta da causa subjacente do sintoma, ou seja, o motivo primário que desencadeou o zumbido, bem como possíveis fatores associados.
A seguir, você confere um apanhado com os principais tratamentos disponíveis na atualidade, considerando as diversas causas e quadros do sintoma. Confira!
1. Lavagem de ouvido em consultório
Obstruções no canal auditivo podem gerar alterações na audição. Sendo assim, a remoção de cerume ou corpo estranho que podem estar alojados nesta região é um tipo de tratamento para o zumbido.
Você deve saber, porém, que esse procedimento deve ser sempre feito em consultório e realizado por um médico otorrinolaringologista. Na internet, são comuns produtos e kits para limpeza em casa, mas isso é fortemente desaconselhado, pois há risco de lesões graves e infecções.
Quando o sintoma se restringe a essa causa, a melhora é notada imediatamente após o processo.
2. Tratamento de infecções
Embora não seja a causa mais comum de zumbido, inflamações e infecções, principalmente no ouvido médio, podem provocá-lo. Nesses casos, o sintoma também tende a desaparecer de acordo com a evolução do tratamento da doença.
É importante você saber que infecções, como a labirintite, são raras na rotina dos consultórios de otorrinolaringologia. Quando surgem, porém, elas são potencialmente capazes de gerar quadros pontuais ou permanentes de perda auditiva e zumbido.
O paciente, portanto, não deve postergar a avaliação médica, especialmente quando existem outros sintomas associados ao zumbido, como febre, secreção e dor no ouvido.
3. Aparelhos auditivos
A maioria dos quadros de zumbido no ouvido permanente estão relacionados a algum grau de perda auditiva, mesmo que leve. Para alguns casos de perda auditiva, a primeira solução indicada é o aparelho de amplificação sonora.
A tecnologia utilizada nesses dispositivos evoluiu muito e existem modelos e ajustes específicos para diferentes tipos de perda auditiva.
Observe, porém, que a função do aparelho auditivo é corrigir a audição do paciente, sendo a melhora do zumbido um benefício adicional. Ou seja, quando não há perda auditiva confirmada, os aparelhos auditivos tendem a ser ineficazes.
Além da intervenção direta, outras abordagens são também recomendadas para melhorar a qualidade de vida do paciente. Comento sobre elas nos próximos itens.
4. Terapia sonora
Quando o paciente apresenta um quadro permanente de zumbido no ouvido, são também recomendados ajustes no seu dia a dia para reduzir a percepção e a resposta emocional ao ruído.
Uma prática rotineira é a chamada terapia sonora, que consiste em utilizar ruídos brancos, como som de chuva, cachoeira ou água corrente, ou até o barulho de um ventilador ou ar condicionado ligados.
Um ponto importante é que o ruído branco não pode sobrepor totalmente o zumbido, pois o objetivo é promover a habituação do paciente ao sintoma e não apenas mascará-lo (o que só garantirá um alívio momentâneo).
O ideal, porém, é que a terapia seja orientada e acompanhada por um otoneurologista ou fonoaudiólogo.
5. Terapia de Retreinamento do Zumbido (T.R.T.)
Há uma terapia documentada para o tratamento do zumbido, a chamada Tinnitus Retraining Therapy (Terapia de Retreinamento do Zumbido ou apenas T.R.T.), que deve ser acompanhada por um médico otorrinolaringologista e um fonoaudiólogo.
Esta abordagem toma como princípio o fato de o cérebro naturalmente reduzir a percepção de sons monótonos. O objetivo da T.R.T., portanto, é promover a habituação do paciente ao ruído, o que exige uma intervenção contínua, idealmente realizada por meio de aparelhos auditivos e aconselhamento.
Nesse caso, além de amplificar o som externo (para compensar a perda auditiva), os dispositivos também emitem sons em frequências especificamente ajustadas.
Como estamos falando de uma condição bastante subjetiva, este tratamento tem resultados muito variáveis. De maneira geral, porém, a terapia reduz a percepção e sofrimento do paciente e contribui para o seu bem-estar, uma vez que o ajuda a perceber que pode levar uma vida normal, mesmo com o zumbido.
6. Acompanhamento psicológico e psiquiátrico
Muitas pessoas relatam piora do zumbido em momentos de tensão ou estresse acentuado. De fato, fatores emocionais podem influenciar o sintoma, embora sozinhos não sejam capazes de desencadeá-lo.
Geralmente, o paciente apresenta vários motivos para ter o zumbido, e seu estado emocional influencia a percepção do sintoma, funcionando como gatilho em muitos casos.
A Terapia Cognitivo Comportamental (TCC), bem como o uso de medicamentos ansiolíticos e antidepressivos, são práticas comuns e eficazes no tratamento da ansiedade e incômodo gerado pelo zumbido.
7. Intervenções odontológicas e fisioterápicas
Há muitos casos de zumbido ligados a desvios na coluna cervical, contraturas musculares e disfunções, como a DTM (Disfunção Temporomandibular) e o bruxismo (o ranger ou apertar dos dentes, geralmente durante o sono).
Nesses casos, o tratamento para o zumbido se estende para outras áreas da saúde, em especial a odontologia e a fisioterapia.
Entretanto, mesmo quando é clara a correlação com esses fatores, o primeiro profissional a ser consultado deve ser o médico otoneurologista. Como dito, o zumbido comumente está associado a alterações no sistema auditivo, bem como a problemas musculares e articulares.
8. Alimentação saudável
Muitos pacientes associam o surgimento ou a piora do zumbido com a ingestão pontual ou regular de determinados alimentos. Evitar açúcar e cafeína em excesso, por exemplo, é uma recomendação comum.
É importante esclarecer, porém, que nenhum alimento sozinho é capaz de desencadear o zumbido. O que acontece é que certos grupos alimentares, em excesso, podem causar alterações nos níveis de açúcar e insulina do organismo. São essas alterações que, em alguns pacientes, fazem com que os alimentos atuem como estimulantes ou gatilhos.
Alguns estudos preliminares já associaram a piora do zumbido com deficiência de vitamina B12, mas essa relação ainda necessita de mais esclarecimentos e só é observada em casos muito específicos.
De maneira geral, é sempre recomendável que o paciente adote uma dieta saudável, rica em nutrientes variados, e se hidrate constantemente. Isso é importante não somente para a saúde auditiva, mas para o bom funcionamento do corpo como um todo.
9. Prática regular de atividade física e sono de qualidade
Assim como a alimentação saudável, a prática regular de atividades físicas e a melhora da qualidade do sono são grandes aliados no controle da ansiedade e do estresse, além de ajudarem a tratar e prevenir transtornos de ansiedade e depressão.
O tratamento do zumbido também deve abranger ações com foco na melhora da qualidade de vida do paciente. Esses cuidados não só geram diversos benefícios ao organismo, como também ajudam o paciente a lidar com o sintoma com mais tranquilidade e resiliência.
10. Medicamentos (para causas subjacentes)
Eis a pergunta que mais escuto no consultório: existe remédio para zumbido?
A resposta, infelizmente, é não. Até o momento, nenhuma medicação com ação direta no zumbido teve a sua eficácia comprovada.
Entretanto, causas e fatores subjacentes podem exigir medicação, como no caso de pacientes hipertensos e diabéticos, bem como pessoas acometidas por infecções.
Analgésicos e anti-inflamatórios também podem ser recomendados para aliviar dores articulares, assim como ansiolíticos e antidepressivos, para controle de ansiedade e para tratamento de transtornos do humor.
Como NÃO tratar o zumbido no ouvido?
O desconhecimento sobre o assunto e a ansiedade por soluções simples e rápidas pode aumentar o sofrimento do paciente e torná-lo vulnerável a promessas falsas, como os medicamentos e tratamentos sem eficácia comprovada que circulam aos montes pela internet.
Não caia em golpes!
Medicações, suplementos e soluções tópicas que prometem melhora ou até cura do zumbido não tem eficácia comprovada e vários desses produtos sequer são registrados ou aprovados por órgãos competentes. Ou seja, utilizá-los não só é ineficaz, como muito arriscado, pois não é possível confirmar que substâncias foram adicionadas neles.
Em todos os casos, porém, a automedicação é sempre desaconselhada, mesmo quando realizada com medicações confiáveis ou produtos naturais. Como você pôde perceber, o tratamento do zumbido no ouvido é geralmente focado em outros tipos de intervenções, e para cada paciente há uma estratégia específica, de acordo com a causa subjacente e fatores associados.
Sendo assim, o que você não pode fazer mesmo é continuar adiando a sua consulta com um médico especialista, pois além de postergar o tratamento adequado, sua ansiedade diante de um sintoma ainda sem explicação clara só aumentará.
Não espere mais. Entre em contato conosco e agende uma consulta online ou presencial. Será um prazer atender você!