Garoto com aparelho auditivo - Aparelho auditivo contraindicações

Quando o tratamento é indicado e acompanhado por profissionais habilitados, os aparelhos auditivos são o principal recurso de reabilitação auditiva, sem riscos para o paciente. Apenas em situações muito específicas eles são contraindicados, como diante de infecções ativas ou de zumbido sem perda auditiva.

Sempre que sugiro o aparelho auditivo para um paciente, percebo que a recomendação vem acompanhada de muitas dúvidas e, principalmente, estigmas. 

Ainda existe um grande tabu em torno desses dispositivos, como se fossem algo útil somente para pacientes idosos ou pessoas que não ouvem absolutamente nada. E, para piorar, circulam inúmeras informações equivocadas e produtos duvidosos na internet.

Neste artigo, explico para quem os aparelhos auditivos são realmente indicados, se há riscos e efeitos colaterais  e o que esperar desse tipo de tratamento. É hora de quebrar alguns mitos.

Existem contraindicações para o uso de aparelhos auditivos?

Sim, mas elas são muito mais específicas do que a maioria das pessoas imagina. O aparelho auditivo é o principal recurso de manejo da perda auditiva na maioria dos casos, mas há situações em que ele não é indicado, como:

  • quando há infecções ativas no ouvido, principalmente otites crônicas com secreção;
  • quando existem malformações anatômicas que impedem a colocação ou o encaixe adequado do dispositivo convencional;
  • quando a perda auditiva é tão severa que só um implante coclear pode fornecer o estímulo necessário;
  • quando há tumores ou lesões que precisam de avaliação e tratamento antes de pensar na reabilitação auditiva.,
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E, mesmo nesses cenários, não significa que a pessoa nunca poderá usar aparelho, mas sim que é necessário tratar o problema inicial antes de iniciar a adaptação.

Os aparelhos auditivos são indicados para quem sofre com zumbido no ouvido?

Essa é uma dúvida importante. Embora alguns fabricantes façam campanhas publicitárias com enfoque no tratamento do zumbido, os aparelhos auditivos homologados corrigem especificamente a perda auditiva, sendo a melhora do zumbido um benefício adicional.

Sabemos que a maior parte dos pacientes com queixa de zumbido têm algum grau de perda auditiva, mas isso não é uma regra.

Para pessoas com zumbido, sem diagnóstico de perda auditiva, os aparelhos podem não ajudar. Nesses casos, outras abordagens devem ser indicadas, de acordo com a causa e fatores associados ao sintoma.

Os aparelhos auditivos podem piorar a audição?

Essa é uma das dúvidas mais comuns — e um dos mitos que mais prejudicam quem tem perda auditiva e está buscando informações.

O aparelho auditivo não piora a audição, mas sua eficácia e segurança dependem da escolha, do ajuste e do acompanhamento adequados. Nenhum dispositivo amplifica o som além do limite seguro ou causa danos às estruturas do ouvido, desde que seja ajustado por um profissional habilitado.

Na verdade, é deixar de usar o aparelho auditivo que pode piorar a sua audição, pois o cérebro tende a se habituar com a carência de estímulos e pode perder gradualmente a agilidade e a capacidade de interpretar sons.

Ainda sobre isso, devo alertar sobre produtos sem homologação de autoridades competentes que são vendidos deliberadamente na internet. Nesse caso, como não há análises, pesquisas e protocolos oficiais, não há como estabelecer benefícios ou malefícios ligados ao uso. Logo, o uso dessas e de outras soluções paralelas é fortemente desaconselhado.

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A escolha do aparelho auditivo deve ser realizada junto ao médico otorrino ou otoneuro que fará o encaminhamento ao fonoaudiólogo especialista, após diagnóstico. 

Possíveis efeitos colaterais durante a adaptação

Embora os aparelhos homologados sejam seguros, o período de adaptação pode trazer alguns incômodos. O paciente deve estar preparado para isso e compreender que está em meio a um processo de adaptação.

Os efeitos colaterais mais comuns são:

  • sensação de ouvido cheio ou pressão: muito comum nas primeiras semanas, essa é uma resposta física ao novo dispositivo no canal auditivo;
  • incômodo com sons do cotidiano: barulho da rua, talheres, passos, papel sendo amassado, entre outros sons, antes despercebidos, que agora o cérebro está reaprendendo a processá-los;
  • percepção ampliada da própria voz: muitos pacientes acham que a voz fica “estranha” ou diferente, mas é algo que pode melhorar com ajustes;
  • coceira leve no ouvido: geralmente causada pela adaptação ao novo material em contato com a pele.

Todos esses sintomas tendem a desaparecer em algumas semanas. Quando permanecem, ajustamos o aparelho ou o molde para garantir conforto total.

Riscos reais do uso inadequado

Embora os aparelhos auditivos sejam seguros, existem algumas situações em que o uso incorreto pode causar problemas — e é aqui que entram os pontos que realmente merecem atenção.

O principal risco é usar aparelhos sem prescrição médica, especialmente dispositivos de baixa qualidade vendidos sem avaliação profissional, como dito. Outro risco importante é não fazer a manutenção adequada. 

Outros problemas possíveis são acúmulo de cera no dispositivo, uso com o ouvido inflamado ou falta de ajustes periódicos. Tudo isso pode piorar o desempenho e causar irritações.

E vale destacar também o risco emocional: pessoas que compram aparelhos por impulso, sem diagnóstico correto, ou os usam somente em algumas situações. Isso dificulta a adaptação e gera a falsa impressão de que “o aparelho não funciona”.

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Muita gente inicia a adaptação por conta própria ou sem acompanhamento adequado. Outras convivem com produtos de má qualidade durante anos. E há também quem tenha expectativas irreais, acreditando que o aparelho deve devolver a audição natural imediatamente.

O aparelho auditivo não é milagroso, mas é eficaz. Ele não transforma o som do dia para a noite, mas devolve inteligibilidade, conforto auditivo e autonomia. Tudo isso depende do processo, da paciência e do acompanhamento profissional.

O que realmente determina o sucesso no uso do aparelho?

Ao longo dos anos, observamos que o sucesso do tratamento não depende apenas do grau da perda auditiva ou da tecnologia do aparelho, mas sim de três pilares:

  • diagnóstico preciso e precoce: quanto antes adaptamos o paciente ao aparelho auditivo, mais fácil será esse processo;
  • adaptação progressiva: o paciente precisa entender que a adaptação é um processo que pode demandar dias até semanas;
  • acompanhamento contínuo: ajustes finos fazem toda a diferença, principalmente nos primeiros meses.

Quando esses pilares estão presentes, o dispositivo deixa de ser um incômodo para se transformar em uma ferramenta essencial e confortável.

Os aparelhos auditivos são seguros, eficazes e, na maioria dos casos, a melhor forma de recuperar a capacidade de se comunicar com naturalidade. As contraindicações são muito específicas, o desconforto inicial é temporário e os riscos só surgem quando o uso não é acompanhado por profissionais.

O princípio de tudo, porém, é o diagnóstico. Diante de qualquer suspeita de perda auditiva, não tarde a procurar um médico otorrinolaringologista, preferencialmente o otoneurologista (especialista em perda auditiva e zumbido).

 


Sobre Dra Nathália Prudencio

Dra Nathália Prudencio é médica otoneurologista, especialista em tontura e zumbido. Saiba mais
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