Homem jovem tocando a bochecha com dor na face - má oclusão dentária e zumbido

A má oclusão dentária, quando associada a disfunções na articulação temporomandibular (ATM), pode estar relacionada ao zumbido em algumas pessoas. Nesses quadros é comum que o ruído percebido apareça ou se altere com determinados movimentos mandibulares ou ao pressionar determinados pontos da face e da cabeça.

O zumbido no ouvido é um sintoma intrigante e muitas vezes surge aparentemente do nada: um apito constante, uma pulsação leve ou um ruído grave que parece vir de dentro da cabeça. 

Quando buscamos explicações, logo pensamos em problemas auditivos, circulatórios ou algo relacionado a estresse e ansiedade. Mas o que nem todos sabem é que o sintoma também pode estar relacionado a alterações musculares e ortodônticas. 

A má oclusão dentária — um desalinhamento entre os arcos dentários —, embora não deva ser considerada fator principal, pode estar envolvida na disfunção temporomandibular (DTM), um quadro que pode manifestar zumbido em muitas pessoas.

Vamos conversar um pouco sobre esse assunto?

A articulação temporomandibular e sua conexão com o ouvido

A ATM é uma estrutura complexa que conecta o maxilar inferior ao crânio e está localizada muito próxima ao ouvido. Quando existe alguma disfunção nessa região, o seu funcionamento pode afetar estruturas do ouvido, como a tuba auditiva e o ouvido médio, favorecendo sintomas auditivos.

Ainda que a relação entre DTM e zumbido não seja completamente compreendida, alguns estudos sugerem essa relação. A hipótese mais aceita é que o mau funcionamento articular pode irritar ou comprimir estruturas nervosas e musculares que compartilham trajetos com nervos envolvidos na audição e na sensibilidade da região facial.

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O que é má oclusão dentária e como ela contribui para a DTM?

A má oclusão é basicamente um desalinhamento entre os dentes superiores e inferiores. Ela pode ter diversas causas: genética, hábitos como chupar dedo, perdas dentárias não tratadas, entre outros. Esse desalinhamento pode gerar sobrecarga em pontos específicos da mordida, exigindo mais dos músculos mastigatórios e da própria ATM.

É preciso pontuar, porém, que o entendimento da má oclusão dentária como causa da DTM ainda é polêmico e não está bem esclarecido. Um estudo realizado por pesquisadores da UNICAMP e da UFPB, por exemplo, concluiu que a oclusão pode sim ter um papel na predisposição ou perpetuação da DTM, mas não pode ser considerada o fator principal.

O que sabemos é que o zumbido é uma queixa comum em pessoas com DTM, e, nesses casos, o som costuma se alterar ao movimentar a mandíbula ou ao tensionar o maxilar.

Estresse, ATM e zumbido no ouvido

Pacientes com esse tipo de sintomatologia relatam frequentemente piora dos sintomas diante de momentos de maior estresse ou ansiedade.

De fato, o estresse pode aumentar significativamente a tensão sobre a ATM. Isso acontece porque, em situações de maior demanda emocional, o corpo ativa uma resposta de alerta que afeta diretamente a musculatura — inclusive os músculos da face, mandíbula, pescoço e ombros.

Um reflexo muito comum é o apertamento dos dentes ou bruxismo (que pode ocorrer tanto durante o dia quanto à noite, de forma inconsciente). Isso gera uma carga excessiva sobre a articulação temporomandibular (ATM) e sobre musculatura mastigatória, levando à dor, estalos e fadiga muscular.

Além disso, a tensão muscular constante provocada pelo estresse pode manter a mandíbula em uma posição inadequada por longos períodos, dificultando o repouso da ATM e agravando quadros já existentes de disfunção temporomandibular.

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Diagnóstico e tratamento do zumbido associado à DTM

A princípio, a possibilidade de relação do sintoma com fatores musculares deve ser sempre considerada em casos de zumbido no ouvido sem perda auditiva - o que não significa que as duas causas não possam ocorrer de maneira simultânea.

Não é tarefa fácil identificar a causa exata do zumbido. Por isso, o diagnóstico deve ser multidisciplinar, com participação não apenas de otorrinolaringologistas ou otoneurologistas, como também de dentistas, fisioterapeutas, fonoaudiólogos e outros profissionais que forem considerados relevantes.

A investigação normalmente inclui exame clínico, avaliação postural e, se necessário, exames de imagem, como ressonância magnética.

Caso constatada a DTM, o tratamento pode envolver o uso de placas miorrelaxantes (como a placa de bruxismo), ajustes oclusais, ortodontia e terapia física. 

Em alguns casos, medidas simples como alongamentos, aplicação de calor e relaxamento muscular já trazem melhora significativa.

Ainda são necessários mais estudos para entendermos exatamente como as alterações na ATM influenciam a audição, entretanto, o devido tratamento odontológico já se mostrou eficaz na melhora do zumbido em muitas pesquisas.

Por fim, é importante destacar que o zumbido é apenas um sintoma entre vários outros comumente esperados em pacientes com DTM, como dor, rigidez facial e estalos ao abrir ou fechar a boca. Todos esses sinais devem ser avaliados para estabelecer um diagnóstico confiável.

Se você apresenta os sintomas citados, não deixe de consultar um médico otorrino ou otoneurologista.



Sobre Dra Nathália Prudencio

Dra Nathália Prudencio é médica otoneurologista, especialista em tontura e zumbido. Saiba mais
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