Lenire: como funciona este tratamento para o zumbido e quem pode usar?
O Lenire é um dispositivo inovador para tratamento do zumbido que ganhou destaque após aprovação pela FDA. Diferentemente das abordagens convencionais, ele combina dois tipos de estímulos ao mesmo tempo: sons personalizados transmitidos por fones de ouvido e leves estímulos elétricos aplicados na superfície da língua por meio de um pequeno dispositivo colocado na boca.
Nos últimos anos, poucas novidades despertaram tanta expectativa entre pacientes com zumbido quanto o Lenire. O dispositivo ganhou destaque internacional após receber aprovação da agência reguladora norte-americana (FDA) e passou a ser apresentado como uma nova opção terapêutica para pessoas com zumbido crônico.
Entretanto, apesar dos resultados promissores observados em estudos clínicos, é importante compreender que o Lenire não representa uma cura para o zumbido e sua tecnologia ainda está sendo estudada.
Continue a leitura para saber mais sobre esse tratamento.
O que é o zumbido no ouvido?
O zumbido, também chamado de tinnitus, é a percepção de sons como chiados, apitos e assobios sem que exista uma fonte sonora externa.
Trata-se de um sintoma, e não de uma doença, que pode ser causado por perda auditiva (por exposição a ruídos altos ou envelhecimento), doenças, disfunções sistêmicas e musculares, medicamentos, distúrbios metabólicos, ansiedade e diversas outras condições.
A experiência dos pacientes também varia. Um zumbido de mesmo tipo e intensidade pode ser tolerável para uma pessoa e extremamente perturbador para outra.
O tratamento, portanto, depende da causa de origem, de fatores associados e também da experiência individual do paciente. O Lenire, especificamente, é indicado para adultos com zumbido subjetivo crônico de intensidade moderada a grave.
O que é e como funciona o Lenire?
O Lenire foi desenvolvido pela empresa irlandesa Neuromod Devices e utiliza uma estratégia conhecida como neuromodulação bimodal.
Diferentemente de tratamentos convencionais, ele combina dois tipos de estímulos ao mesmo tempo: sons personalizados transmitidos por fones de ouvido e leves estímulos elétricos aplicados na superfície da língua por meio de um pequeno dispositivo colocado na boca.
A proposta é estimular simultaneamente diferentes vias nervosas envolvidas no processamento auditivo e na percepção do zumbido, explorando a capacidade natural de adaptação do cérebro, conhecida como neuroplasticidade.
Os pesquisadores acreditam que a combinação sincronizada desses estímulos é capaz de modificar a atividade das redes neurais relacionadas ao zumbido, reduzindo sua intensidade ou diminuindo o incômodo causado pelo sintoma.
Embora o mecanismo exato ainda esteja sendo investigado, essa abordagem representa uma linha de pesquisa bastante diferente dos tratamentos tradicionais.
O Lenire funciona mesmo?
Os estudos clínicos realizados até o momento mostraram resultados considerados animadores para parte dos pacientes. Muitos participantes relataram melhora na intensidade do sintoma e na qualidade de vida após semanas de tratamento.
Em estudos citados no site oficial da empresa, benefícios foram observados principalmente por meio de questionários padronizados que avaliam o impacto do zumbido nas atividades diárias. Os resultados, porém, não foram uniformes para todos os participantes, e nem todos apresentaram melhora significativa.
Entretanto, foi com base nesses estudos que, em 2023, a Food and Drug Administration (FDA) concedeu autorização para comercialização do Lenire nos Estados Unidos. O dispositivo foi beneficiado pela via regulatória De Novo para dispositivos médicos inovadores de baixo a moderado risco que não possuem um equivalente legal no mercado.
Essa aprovação representa um marco importante, mas não significa que o tratamento seja definitivo ou indicado para todos os pacientes com zumbido. A aprovação ocorreu para um dispositivo específico dentro de indicações bem estabelecidas.
O Lenire pode curar o zumbido?
É importante entender que a aprovação regulatória não encerra a pesquisa científica.
Mesmo após a liberação para uso clínico, novos estudos continuam sendo realizados para avaliar quais pacientes apresentam maior chance de benefício, qual é a duração dos efeitos, a necessidade de tratamentos adicionais e como o Lenire se compara a outras estratégias terapêuticas.
Em medicina, é comum que tecnologias recém-introduzidas sejam continuamente avaliadas à medida que mais pacientes utilizam o tratamento na prática clínica.
Devo ressaltar que o Lenire não substitui a investigação da causa do zumbido, e nem é indicado para todos os tipos de zumbido. Antes de iniciar qualquer tratamento, é fundamental que o paciente seja avaliado por um especialista.
O Lenire está disponível no Brasil?
Até então, o Lenire não está disponível no Brasil.
Embora tenha sido regulamentado nos Estados Unidos, o dispositivo não possui aprovação para comercialização no Brasil e nem faz parte da atual rotina de tratamentos experimentais do país. Sendo assim, pacientes brasileiros interessados nessa tecnologia ainda não conseguem realizar esse tratamento em território nacional.
Entretanto, enquanto novas tecnologias continuam sendo desenvolvidas, você deve saber que existem diversos recursos e abordagens disponíveis atualmente para o tratamento do zumbido, como correção da perda auditiva com aparelhos auditivos, terapia sonora, orientação especializada, reabilitação auditiva, tratamento de doenças associadas, controle de fatores associados (como estresse, ansiedade, distúrbios do sono e problemas sistêmicos), entre outras possibilidades.
Quem sofre com zumbido deve buscar avaliação com um otoneurologista, o médico otorrino especialista nesse tipo de sintoma. Somente após uma ampla investigação é possível montar uma estratégia de tratamento individualizada e eficaz, capaz de atuar na origem do problema e também atender as necessidades específicas de cada paciente.
Aproveite e confira o artigo “10 formas de tratar o zumbido no ouvido e orientações importantes”. Nele, comento sobre as principais linhas de tratamento do zumbido disponíveis atualmente.
