Bebê sendo examinado - triagem auditiva neonatal (TANU)

A TANU, ou “teste da orelhinha”, é um exame simples e rápido que pode fazer toda a diferença na vida do bebê. Seu principal objetivo é identificar de forma precoce alterações auditivas congênitas que podem afetar o desenvolvimento da criança.

O choro do recém-nascido é o primeiro som que marca sua chegada ao mundo. Mas e se o bebê não conseguir ouvir a própria voz? Ou a voz da mãe? É para identificar precocemente situações como essas que existe a triagem auditiva neonatal universal (TANU), popularmente conhecida como “teste da orelhinha”.

Feito ainda nas primeiras horas ou dias de vida, esse exame é rápido, indolor e fundamental para garantir que a criança tenha acesso a um desenvolvimento saudável da audição e da linguagem. Neste artigo, explico como funciona a TANU, quando deve ser realizada, o que acontece se houver alterações e quais os próximos passos em caso de falhas no teste.

O que é a triagem auditiva neonatal (TANU)?

A TANU é um exame obrigatório no Brasil, previsto por lei desde 2010, realizado em todos os recém-nascidos ainda na maternidade ou nas primeiras semanas de vida. O objetivo é identificar precocemente alterações auditivas congênitas, que podem comprometer o desenvolvimento da linguagem, do aprendizado e da socialização da criança.

A grande maioria dos bebês nasce com audição normal, mas cerca de 1 a 6 em cada mil nascidos vivos podem apresentar algum grau de perda auditiva. Quando diagnosticado cedo, esse quadro pode ser tratado ou atenuado com intervenções que fazem toda a diferença na vida da criança.

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Como é feito o teste da orelhinha?

O teste da orelhinha, nome popular da TANU, é feito com o teste de emissões otoacústicas evocadas (EOA). Esse exame avalia a resposta das células ciliadas da cóclea (estrutura do ouvido interno) a estímulos sonoros.

As etapas do exame são as seguintes:

  1. o bebê deve estar calmo ou dormindo;
  2. um pequeno fone é colocado no ouvido do recém-nascido;
  3. um som fraco é emitido, e o equipamento mede as respostas geradas pelo ouvido interno;
  4. se as emissões forem detectadas, o teste é considerado “passou”, caso contrário, o resultado será “necessita repetir” ou “falhou”.

O exame dura entre 5 a 10 minutos, não causa dor e não requer sedação. É totalmente seguro.

Quando há o resultado “Falhou”, isso não significa necessariamente que o bebê tem perda auditiva. Pode ser devido apenas à presença de vérnix (restos de gordura da pele) e líquido amniótico ou à movimentação da criança durante o exame.

Nesses casos, o exame é repetido em 15 a 30 dias. Se o resultado se mantiver alterado, o bebê é encaminhado para exames complementares com otorrinolaringologista e fonoaudiólogo, como o potencial evocado auditivo do tronco encefálico (PEATE).

Quando deve ser feita a TANU?

O ideal é que o exame seja realizado ainda na maternidade, até o 30º dia de vida do bebê. Se não for possível durante a internação, os pais devem agendar a TANU em uma unidade básica de saúde ou clínica credenciada o quanto antes.

O cronograma recomendado é o seguinte:

  • Triagem: até 1 mês de vida;
  • Diagnóstico (se necessário): até 3 meses;
  • Início da intervenção (se confirmada perda auditiva): até 6 meses.

Esse cronograma é conhecido como a “regra dos 1-3-6” e é fundamental para garantir o pleno desenvolvimento auditivo e linguístico da criança.

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Por que a triagem auditiva é tão importante?

A audição é essencial para o desenvolvimento da linguagem, da comunicação e da aprendizagem. Um bebê que não ouve adequadamente pode apresentar atraso na fala, dificuldade de aprendizado, comprometimento emocional e social, bem como isolamento na infância.

O cérebro do bebê é altamente “plástico” (adaptável) nos primeiros meses e anos de vida. Quando uma deficiência auditiva é identificada e tratada cedo, as chances de desenvolvimento normal são muito maiores, mesmo em casos de surdez profunda.

Quais são os fatores de risco para perda auditiva neonatal?

Todos os bebês devem passar pela TANU, mas alguns têm maior risco de perda auditiva e podem precisar de acompanhamento mais rigoroso, como aqueles com:

  • história familiar de surdez congênita;
  • infecções congênitas (citomegalovírus, toxoplasmose, rubéola);
  • malformações de cabeça e pescoço;
  • síndromes associadas a perda auditiva
  • uso de antibióticos ototóxicos (como aminoglicosídeos);
  • prematuridade (< 37 semanas);
  • permanência prolongada na UTI neonatal;
  • icterícia grave (com necessidade de transfusão sanguínea).

Bebês com esses fatores de risco podem necessitar de retestagem periódica, mesmo se o primeiro exame for normal.

E se o bebê for diagnosticado com perda auditiva?

Se o diagnóstico for confirmado por exames complementares, o bebê será encaminhado para uma equipe multidisciplinar que pode incluir otorrinolaringologistas, fonoaudiólogos, terapeutas de linguagem e outros profissionais de reabilitação auditiva.

As opções de tratamento variam conforme o grau e o tipo de perda auditiva, sendo os recursos mais comuns:

O acompanhamento precoce garante que a criança possa se desenvolver com autonomia, aprendendo a se comunicar e interagir socialmente de maneira eficaz.

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A triagem auditiva neonatal não é apenas um exame de rotina — é um ato de cuidado e amor com o futuro da criança. Identificar a perda auditiva logo no início permite que pais e profissionais de saúde tomem as decisões corretas no momento certo.

Ao fazer o teste da orelhinha, você está garantindo ao seu bebê a oportunidade de ouvir, falar, aprender e se desenvolver plenamente. Por isso, exija esse exame na maternidade ou agende o quanto antes. A audição do seu filho começa a ser protegida no primeiro som que ele escuta — e isso pode fazer toda a diferença.



Sobre Dra Nathália Prudencio

Dra Nathália Prudencio é médica otoneurologista, especialista em tontura e zumbido. Saiba mais
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