Labirintite: o que é e como tratar?

“Labirintite” é um termo popular usado para descrever diferentes tipos de tontura, um sintoma que pode ter diversas causas. A labirintite de fato é o nome dado à infecção que acomete o labirinto, um quadro raro e grave que requer acompanhamento médico.
Quando um paciente chega até mim se queixando de “labirintite”, sei que em quase todas as vezes ele está se referindo à tontura, um sintoma muito comum, causado por diversas alterações de saúde e doenças, incluindo a labirintite, de fato.
A tontura pode surgir em pessoas de todas as idades, mas é mais frequente após os 40 anos e, principalmente, na terceira idade, devido à alterações físicas, metabólicas e vestibulares decorrentes do envelhecimento.
Diferentemente do que muitas pessoas acreditam, a labirintite, que em rigor se trata da infecção do labirinto, é um dos quadros mais raros no consultório. A VPPB (“tontura dos cristais”), a enxaqueca vestibular e a TPPP (“vertigem fóbica”), por exemplo, são diagnósticos muito mais frequentes em pacientes que se queixam de tontura.
Ainda assim, a labirintite é uma doença que merece atenção, pois é um quadro grave que requer acompanhamento médico e que, em alguns casos, pode deixar sequelas. Continue a leitura para saber mais.
Labirintite: causas, sintomas e complicações
Na maioria dos casos da doença em adultos, a labirintite é desencadeada por uma infecção viral que tende a regredir gradualmente dentro de alguns dias ou semanas. Assim como em qualquer quadro viral, é recomendado repouso, hidratação e bons hábitos alimentares, além de medicamentos para diminuir o processo inflamatório e para aliviar os sintomas.
Além da tontura, o paciente acometido pela doença também pode apresentar alterações auditivas, como perda de audição e zumbido, nistagmo (movimento involuntário dos olhos), náusea e outros sintomas típicos de quadros infecciosos, como febre e vômitos.
Em casos mais raros, alguns sintomas podem se tornar crônicos, indicando uma possível sequela no labirinto.
Quando há perda auditiva, o tratamento geralmente consiste no uso de aparelhos auditivos para correção da audição e melhora de sintomas associados, como o zumbido no ouvido.
Quando a tontura ou a perda de equilíbrio persistem, é indicada a Reabilitação Vestibular, um tipo de fisioterapia que inclui exercícios para os olhos, cabeça e pescoço para ajudar o paciente a restabelecer o equilíbrio e a coordenação.
Tratamento para labirintite em casa
Além do acompanhamento médico, o tratamento da labirintite também prevê cuidados em casa. O objetivo é dar condições ao organismo para se recuperar bem e de maneira completa.
As principais recomendações que damos aos pacientes são:
- fazer repouso: é fundamental evitar atividades e movimentos bruscos (que podem piorar os sintomas) e atividades físicas intensas;
- manter-se hidratado: beber bastante água e líquidos para evitar a desidratação, especialmente se estiver tendo vômitos ou diarreia;
- evitar estímulos que desencadeiam sintomas: estímulos visuais, como luzes piscando ou padrões em movimento, podem desencadear tonturas e náuseas;
- fazer refeições leves: dar preferência a refeições leves e regulares e evitar alimentos muito doces ou gordurosos;
- dormir bem: dormir o suficiente e manter um horário regular de sono para ajudar o corpo a se recuperar mais rapidamente.
Medicamentos são também utilizados no tratamento da labirintite, na maioria das vezes focados no alívio dos sintomas do paciente e na melhora do quadro inflamatório. Somente em casos bacterianos haverá também a administração de antibióticos.
Remédios para tratar labirintite
A escolha do tratamento da labirintite depende dos sintomas do paciente, da evolução do quadro e do resultado de exames complementares, quando necessários.
A seguir, você confere as principais classes de medicamentos que podem ser utilizadas, mas alerto que os remédios só devem ser administrados mediante prescrição e acompanhamento médico.
Antibióticos
Quando há suspeita de que a labirintite é causada por uma infecção bacteriana (que pode vir do ouvido médio ou a partir de um quadro de meningite, por exemplo), é necessário realizar o tratamento com antibióticos.
Nesses casos, é ainda mais importante o acompanhamento médico para garantir a correta administração dos medicamentos e a completa recuperação do paciente. Jamais use antibióticos sem prescrição médica!
Anti-histamínicos e antieméticos
Anti-histamínicos, como Prometazina (Fenergan), Dimenidrato (Dramin) e a meclizina podem ser prescritos para ajudar a aliviar a tontura e a náusea. Eles geralmente são utilizados quando o paciente procura o pronto socorro com sintomas intensos ou prescritos para uso em casa por alguns dias.
Bloqueadores de canais de cálcio
Medicamentos como a Flunarizina e a Cinarizina são muito utilizados para alívio de crises de tontura provocadas pela labirintite e outras causas.
Betaistina
A Betaistina é muito popular, porém não é indicada em quadros agudos e intensos de tontura. Geralmente é prescrita para pacientes que desenvolvem sintomas crônicos após a infecção.
Benzodiazepínicos
Benzodiazepínicos, como o Diazepam, podem ser prescritos para ajudar a controlar a vertigem quando outras medicações já foram utilizadas sem melhora do quadro.
Lembre-se que essa medicação é controlada e seu uso deve ser indicado e acompanhado por um médico!
Corticoides
Corticoides também podem ser prescritos em alguns casos de labirintite, pois ajudam a reduzir a inflamação que está ocorrendo na orelha interna, aliviando os sintomas, ou até ajudando na reversão de alguma sequela, como a perda de audição.
Reforço, mais uma vez, que nenhum desses medicamentos deve ser utilizado sem prescrição médica!
Até mesmo o uso de remédios caseiros ou naturais deve ser acompanhado por um especialista, pois seu uso também pode gerar alterações importantes no organismo.
Remédios caseiros e naturais para labirintite
O uso de medicamentos naturais ou caseiros é muito comum, mas requer cautela.
A primeira coisa que devemos esclarecer é que, até o momento, nenhuma solução natural, como chá de gengibre ou de ginkgo biloba, teve sua eficácia comprovada cientificamente para o tratamento da labirintite ou tontura. Encontramos alguns estudos relacionados, mas nenhum deles robusto o suficiente para nos permitir afirmar que essas receitas funcionam.
Outro ponto muito importante é que as substâncias ditas “naturais” não são inofensivas. O consumo indiscriminado de raízes, plantas e ervas também pode causar alterações no organismo e prejudicar a saúde.
Isso não significa que você não possa utilizar essas receitas, mas é recomendável que você consulte o seu médico antes de utilizá-las, mesmo que sirvam apenas como um tratamento complementar.
Prevenção e fatores de risco para labirintite
Não há um protocolo de prevenção específico para a labirintite (infecção do labirinto), mas como é um quadro que costuma suceder infecções de ouvido e no trato respiratório, é muito importante realizar o tratamento correto dessas doenças quando elas ocorrerem, principalmente em crianças e idosos.
É também recomendável manter um estilo de vida saudável, com alimentação balanceada, prática regular de atividades físicas, sono adequado e atividades em geral que contribuam para a qualidade de vida.
Tontura ou labirintite?
Por fim, devo reforçar mais uma vez que tontura e labirintite são coisas diferentes!
A labirintite traz uma variedade de sintomas além da tontura, que é um sintoma observado em várias outras doenças. A avaliação clínica e o diagnóstico correto, portanto, são imprescindíveis para o tratamento adequado do paciente.
Sendo assim, caso note uma tontura persistente, especialmente quando associada a outros sintomas, procure um médico otoneurologista (otorrino especializado em tontura e zumbido).
Concluindo, a labirintite é um quadro raro e seu tratamento é relativamente simples na maioria dos casos, mas o acompanhamento médico é fundamental em todos eles, pois há risco de complicações e sequelas.
Para saber mais, confira também: Labirintite: conheça os principais diagnósticos por trás da famosa “labirintite”