Saiba o que é fato e o que é mito sobre a cera de ouvido
A cera de ouvido é essencial para a saúde auditiva, mas ainda é cercada de mitos. Muitas pessoas acreditam que é sujeira ou sinal de má higiene, mas isso está longe de ser verdade.
Pouca gente sabe, mas a cera de ouvido — ou cerume — é um mecanismo natural de defesa do corpo. Produzida por glândulas no canal auditivo, ela protege contra a entrada de corpos estranhos, micro-organismos e até contra o ressecamento excessivo.
Ainda assim, o assunto é cercado de crenças equivocadas que geram muitas dúvidas: será que o excesso de cera pode causar surdez? É normal não ter cera alguma? O ouvido precisa ser limpo com cotonete?
Neste artigo, explico o que é fato e o que é mito sobre a cera de ouvido para que você entenda como cuidar melhor da saúde dos seus ouvidos, evitando problemas e intervenções desnecessárias. Vamos lá?
1. Cera de ouvido é sujeira
Mito. A cera não é sujeira, e sim uma barreira protetora. Sua composição mistura secreções naturais e partículas externas que entram no ouvido, formando uma camada levemente ácida que inibe bactérias e fungos. Ela também ajuda a manter o canal auditivo lubrificado, evitando coceiras e irritações. Em condições normais, a cera é expulsa e renovada naturalmente.
2. Excesso de cera pode causar perda auditiva
Verdade, em casos específicos. O acúmulo excessivo de cera, chamado de rolha de cerume, pode obstruir parcialmente ou totalmente o canal auditivo, prejudicando a condução do som e causando perda auditiva temporária e outros sintomas, como sensação de ouvido tampado e zumbido.
Neste caso, porém, a perda de audição é reversível, basta realizar a correta lavagem do canal auditivo - procedimento que deve ser feito por um médico em consultório.
3. Não ter cera de ouvido é normal
Parcialmente verdade. Algumas pessoas produzem pouca ou quase nenhuma cera por fatores genéticos, idade avançada ou alterações nas glândulas produtoras. Isso não é necessariamente um problema, mas pode aumentar o risco de ressecamento e coceira.
Se a ausência de cera vier acompanhada de dor, secreção anormal ou perda auditiva, é importante investigar.
4. Devo limpar o ouvido com cotonete
Mito. O cotonete é mais prejudicial do que útil. Em vez de remover a cera, ele tende a empurrá-la para dentro, aumentando o risco de formar rolhas. Além disso, pode machucar o canal auditivo e até perfurar o tímpano.
A limpeza segura é feita apenas na parte externa da orelha, usando um pano úmido, gaze ou a pontinha da toalha de banho. Qualquer intervenção interna deve ser realizada por um profissional de saúde - nesse caso, o médico otorrinolaringologista ou otoneurologista.
Em geral, não é preciso remover a cera, pois o corpo faz isso sozinho. No entanto, casos de acúmulo excessivo com desconforto ou sintomas auditivos exigem atenção.
Jamais tente remover a cera sozinho com objetos pontiagudos ou improvisados, pois o risco de lesão é alto. Soluções caseiras como óleos, vinagre e velas auriculares também não são recomendadas.
5. A cor da cera indica doença
Parcialmente verdade. A cor e a textura da cera variam de pessoa para pessoa, dependendo de fatores como dieta, genética, idade e hábitos. Em geral, tons mais escuros indicam cera mais antiga ou contato com mais impurezas.
Entretanto, mudanças súbitas de cor, especialmente para tons esverdeados ou que sugerem possível presença de sangue, devem ser avaliadas por um médico.
6. A produção de cera muda ao longo da vida
Sim, mas depende. Idosos tendem a produzir cera mais seca (sobretudo devido ao ressecamento da pele), enquanto crianças e jovens costumam produzir cera mais úmida e pegajosa. Entretanto, a consistência do cerume é prioritariamente definida pela genética e também pode ser influenciada por alterações nas glândulas sudoríparas e sebáceas ou pela hidratação natural da pele.
Independentemente da textura, o cerume cria um ambiente levemente ácido que dificulta a proliferação de bactérias e fungos, protegendo o ouvido contra otites externas e outras infecções.
Quando devo procurar um médico?
Se houver perda auditiva repentina, dor persistente, secreção com mau cheiro, sensação de ouvido tampado ou tontura associada à alterações no cerume, é fundamental consultar um otorrinolaringologista ou um otoneurologista, que é o otorrino especialista em tontura e zumbido.
A cera de ouvido não é um inimigo, mas um protetor natural da audição. Compreender seu papel e seu funcionamento ajuda a evitar excessos na limpeza que geram riscos à saúde, como o uso de cotonetes.
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