Imagem crânio em doença de paget

Embora pouco conhecida, a doença de Paget dos ossos pode causar complicações significativas na audição, especialmente quando afeta a região do crânio. Saiba como reconhecer os sinais, buscar diagnóstico e tratar essa condição de forma adequada.

A doença de Paget dos ossos é uma condição crônica caracterizada pelo crescimento desorganizado e anormal do tecido ósseo. Em vez de se renovar de forma equilibrada e estável, o osso passa por um processo acelerado de reabsorção e reconstrução — o que resulta em ossos maiores, mais frágeis e estruturalmente anormais.

Essa doença pode acometer qualquer parte do esqueleto, mas tem uma predileção por áreas como a pelve, coluna, fêmur e, principalmente, o crânio. Quando os ossos da cabeça são afetados, o crescimento ósseo desregulado pode comprimir estruturas do ouvido, interferindo no funcionamento auditivo e levando à perda auditiva progressiva.

Neste texto, você vai entender como isso acontece, quais são os sintomas relacionados, e o que pode ser feito para minimizar os impactos na saúde auditiva dos pacientes com essa condição. Vamos lá?

O que é a doença de Paget dos ossos?

A doença de Paget foi descrita pela primeira vez no século XIX pelo cirurgião britânico Sir James Paget. Ela afeta o processo natural de renovação óssea. Em condições normais, o osso velho é reabsorvido e substituído pelo osso novo de maneira equilibrada. Na doença de Paget, esse ciclo se acelera e se desregula.

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Isso faz com que os ossos cresçam de maneira deformada, muitas vezes com espessamento, alargamento e fragilidade. O tecido ósseo novo é menos organizado, mais vascularizado e mais propenso a fraturas ou compressões, que podem afetar estruturas vizinhas — como nervos e articulações.

Como a doença de Paget causa perda auditiva?

A perda auditiva associada à doença de Paget ocorre, em geral, quando os ossos do crânio são afetados. O aumento anormal da densidade óssea e a deformação dos ossos temporais (onde se localiza a cóclea e outras estruturas auditivas) podem impactar diretamente a audição.

Alguns mecanismos que explicam a perda auditiva em pacientes com Paget são:

  • compressão do nervo auditivo (nervo coclear): o crescimento ósseo pode pressionar o nervo que leva as informações sonoras da orelha interna ao cérebro, causando perda auditiva neurossensorial;
  • alterações nos ossículos da orelha média: o martelo, a bigorna e o estribo podem ficar rígidos ou deformados, prejudicando a condução do som (perda auditiva condutiva);
  • comprometimento da cóclea e labirinto: a inflamação e a remodelação óssea podem interferir na função das estruturas responsáveis pela audição e equilíbrio.

Em muitos casos, os pacientes não percebem imediatamente os sintomas auditivos. A perda auditiva costuma ser lenta e progressiva, e pode ser acompanhada de zumbido, sensação de pressão no ouvido ou até vertigens leves.

Quem pode desenvolver a doença de Paget?

A doença de Paget é mais comum em pessoas com mais de 50 anos e tem uma leve predominância em homens. Acredita-se que fatores genéticos estejam envolvidos, já que há maior incidência entre pessoas com histórico familiar da doença. Ela é rara em países asiáticos e mais prevalente em regiões como Reino Unido, Austrália, Nova Zelândia e América do Norte.

Nem todos os casos levam a sintomas, e muitos são descobertos incidentalmente em exames de imagem ou laboratoriais. No entanto, quando sintomática, pode gerar dores ósseas, deformidades visíveis, fraturas e, no caso do crânio, alterações na audição.

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Sintomas auditivos relacionados à doença de Paget

Os principais sintomas auditivos que podem surgir quando a doença de Paget afeta o crânio incluem:

  • perda auditiva progressiva (condutiva, neurossensorial ou mista);
  • zumbido no ouvido;
  • sensação de ouvido tampado;
  • dificuldade para entender fala em ambientes ruidosos;
  • vertigem leve ou desequilíbrio ocasional.

É importante destacar que, mesmo em pacientes já diagnosticados com Paget, esses sintomas devem ser comunicados ao médico, pois indicam possível progressão da doença na região craniana.

Como é feito o diagnóstico da doença de Paget?

O diagnóstico da doença de Paget é feito com base em exames de imagem, como radiografias (que mostram áreas ósseas espessas ou deformadas) e tomografia (para detalhar melhor as alterações cranianas).

Exames laboratoriais também podem ser solicitados para verificar níveis elevados de fosfatase alcalina no sangue, um sinal típico da doença, bem como testes auditivos, como a audiometria, para avaliar a extensão e o tipo de perda auditiva, quando há.

Outro procedimento utilizado é a cintilografia óssea, que busca identificar áreas de atividade óssea anormal, antes mesmo delas ficarem visíveis nas radiografias.

Além do acompanhamento ortopédico, se houver comprometimento auditivo, é comum o encaminhamento para avaliação com otorrinolaringologista e fonoaudiólogo, que podem orientar sobre o tipo de perda auditiva e tratamentos.

Existe tratamento para a perda auditiva por Paget?

A doença de Paget não tem cura, mas pode ser controlada com medicamentos que regulam o metabolismo ósseo, como os bifosfonatos (alendronato, ácido zoledrônico), que ajudam a diminuir a atividade das células que reabsorvem o osso.

Com o controle da doença, é possível reduzir ou estabilizar os sintomas ósseos e, em alguns casos, evitar o avanço da perda auditiva.

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Para os sintomas auditivos e vestibulares já instalados, as abordagens incluem:

  • aparelhos auditivos: para correção da perda auditiva;
  • cirurgia: em casos muito bem selecionados, em que há predomínio de perda auditiva condutiva;
  • reabilitação do equilíbrio: quando há acometimento vestibular.

É fundamental que o tratamento seja conduzido por uma equipe multidisciplinar, envolvendo reumatologistas, ortopedistas, otorrinolaringologistas e, se necessário, neurologistas.

A doença de Paget é uma condição óssea rara que pode ter consequências importantes para a audição quando afeta o crânio. Por isso, sintomas como zumbido, perda auditiva progressiva e sensação de pressão nos ouvidos devem ser levados a sério, especialmente em pessoas com mais de 50 anos ou com histórico familiar da doença.

O diagnóstico precoce e o acompanhamento médico adequado são fundamentais para controlar a evolução da doença de Paget e minimizar seus impactos na qualidade de vida, inclusive na saúde auditiva. Se você suspeita da condição ou apresenta sintomas semelhantes, não hesite em procurar um especialista.



Sobre Dra Nathália Prudencio

Dra Nathália Prudencio é médica otoneurologista, especialista em tontura e zumbido. Saiba mais
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