"Doutora, Sinto Tontura Todos os Dias. É Possível Melhorar?"

Embora gere frustração, é relativamente comum pessoas com tontura, mesmo com exames normais. Nem todas as alterações vestibulares e neurológicas podem ser detectadas por testes e exames, e, por isso, o diagnóstico da maioria das doenças que causam tontura é clínico, ou seja, baseado principalmente na interpretação do médico especialista da história e do relato do paciente.

Uma das situações mais comuns no consultório é o paciente que chega com uma pasta cheia de exames e uma dúvida que parece não ter resposta: “Meus exames estão todos normais, mas continuo sentindo tontura!”

Muitas pessoas passam por consultas com diferentes especialistas, realizam exames laboratoriais, cardiológicos, neurológicos e de imagem, mas continuam convivendo com sintomas que afetam sua rotina. Essa situação pode gerar insegurança, ansiedade e até a sensação de que o problema não está sendo levado a sério.

Na verdade, exames normais não significam que os sintomas são imaginários ou simplesmente “psicológicos”, como comumente se rotula. Em muitos casos, a tontura persiste justamente porque a causa não está entre as alterações que esses exames costumam detectar. Vamos conversar um pouco mais sobre isso?

Exames normais significam que não existe problema?

Não. Essa é uma das maiores fontes de confusão para os pacientes.

Os exames são ferramentas importantes para investigar doenças e descartar condições potencialmente graves, mas eles não conseguem identificar todas as causas de tontura.

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Em medicina, o diagnóstico não depende apenas dos exames. A história clínica, a descrição dos sintomas e o exame físico continuam sendo partes fundamentais da avaliação.

Por isso, é perfeitamente possível apresentar tontura real e incapacitante mesmo quando os resultados laboratoriais e de imagem não mostram alterações significativas.

Nem toda tontura aparece ou está relacionada a alterações em exames de sangue

Quando os sintomas começam, muitas pessoas, especialmente idosos, realizam exames laboratoriais para investigar possíveis alterações metabólicas.

Esses exames podem identificar problemas como:

  • anemia;
  • alterações da glicemia;
  • distúrbios hormonais;
  • deficiências nutricionais;
  • alterações da função tireoidiana.

Embora essas condições possam causar tontura, elas representam apenas uma parte das possibilidades diagnósticas. Ou seja, mesmo quando uma alteração é detectada, não podemos afirmar imediatamente que essa é a causa da tontura. Outras avaliações precisam ser realizadas para descartar outras hipóteses.

Por outro lado, quando os resultados são normais, ainda existem diversas outras causas que precisam ser consideradas.

O ouvido interno nem sempre apresenta alterações visíveis

O sistema vestibular, principal responsável pelo nosso equilíbrio, está localizado no ouvido interno. Ele é composto por estruturas muito pequenas e muito complexas, difíceis de observar, mesmo com instrumentos e tecnologias modernas.

Diversas doenças vestibulares podem provocar sintomas importantes sem que exames convencionais, como tomografia ou ressonância magnética, mostrem alterações evidentes.

Isso também pode acontecer porque muitos distúrbios afetam o funcionamento do sistema vestibular, e não necessariamente sua estrutura. Em outras palavras, o problema pode estar na forma como o sistema funciona, mesmo quando sua aparência é normal nos exames de imagem.

A tontura funcional é mais comum do que muitas pessoas imaginam

Nos últimos anos, os especialistas passaram a compreender melhor alguns quadros em que a tontura persiste sem uma lesão estrutural identificável.

Entre eles, um dos quadros mais famosos é a chamada tontura perceptual postural persistente (TPPP). Nesta condição, o paciente pode apresentar:

  • sensação constante de instabilidade;
  • sensação de flutuação;
  • desequilíbrio ao caminhar;
  • piora em locais movimentados;
  • desconforto em ambientes visualmente complexos.
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Os sintomas são reais, mas frequentemente não aparecem em exames tradicionais. Por isso, muitos pacientes passam meses ou anos sem compreender o que está acontecendo, frequentemente sofrendo também com estigmas — as pessoas podem ser rotuladas como paranóicas diante de eventuais mudanças de comportamento ou apenas estressadas, por exemplo.

Outro diagnóstico muito comum em que isso acontece é na chamada enxaqueca vestibular, um quadro que traz a tontura junto à clássica dor de cabeça (que podem se manifestar em momentos distintos). É também uma doença com diagnóstico clínico, baseado principalmente na avaliação do histórico de saúde, no relato detalhado dos sintomas e na exclusão de outras causas para as crises de tontura ou vertigem.

Ansiedade e estresse podem influenciar a tontura?

Sim. Entretanto, isso não significa que a tontura seja “psicológica” ou que esteja apenas na “cabeça do paciente”.

O cérebro participa ativamente da manutenção do equilíbrio. Situações de estresse crônico, ansiedade ou esgotamento emocional podem interferir na forma como as informações sensoriais são processadas e provocar sintomas como sensação de cabeça leve, instabilidade ou fraqueza. Além disso, a preocupação constante com os sintomas pode aumentar ainda mais sua percepção.

Entretanto, em muitos casos, existe uma causa física subjacente por trás do sintoma. Ou seja, o estresse não é causa, mas um fator associado. Por isso uma avaliação ampla é tão importante.

Compreender a sua tontura é mais importante que realizar novos exames

Quando a tontura não melhora, é natural ficar ansioso em busca de respostas. No entanto, a realização sucessiva de exames nem sempre aproxima o paciente do diagnóstico correto.

Muitas vezes, o mais importante não é solicitar novos exames, mas reavaliar o quadro cuidadosamente, observando:

  • o tipo de tontura;
  • a duração dos sintomas;
  • os fatores desencadeantes;
  • as situações que pioram ou aliviam o quadro;
  • o histórico clínico.
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O médico especialista precisa saber se a sensação é de giro (vertigem) ou desequilíbrio, se os sintomas são constantes ou em crises, se existem outros sintomas associados (como perda auditiva, zumbido ou dor de cabeça), se há possível influência emocional, se o paciente se alimenta e dorme bem, entre outros esclarecimentos.

Como a maioria dos diagnósticos é clínico, quanto mais claras e ricas forem as informações compartilhadas com o médico, mais fácil fica traçar uma linha segura de investigação e obter um diagnóstico confiável.

Como tratar a tontura?

Não existe um tratamento único que sirva para todos os casos de tontura. A abordagem adequada depende do diagnóstico e da realidade de cada paciente.

Dependendo da origem do problema, podemos indicar:

  • realização de manobra de correção (em casos de VPPB);
  • reabilitação vestibular;
  • mudanças no estilo de vida;
  • controle do estresse;
  • ajustes alimentares;
  • tratamento medicamentoso;
  • tratamento de condições associadas.

Por isso, identificar corretamente a causa continua sendo a etapa mais importante do processo.

Concluindo, ter exames normais não significa que a tontura não exista. Muitas condições relacionadas ao equilíbrio não aparecem em exames convencionais e dependem de uma avaliação clínica cuidadosa para serem identificadas.

Se você já realizou vários exames, já foi avaliado por alguns médicos e mesmo assim não encontrou uma resposta, vale a pena buscar um especialista — nesse caso, o otoneurologista, que é o médico otorrinolaringologista dedicado às condições que causam tontura e zumbido.

É o seu caso? Entre em contato conosco e agende uma consulta online ou presencial!

 


Sobre Dra Nathália Prudencio

Dra Nathália Prudencio é médica otoneurologista, especialista em tontura e zumbido. Saiba mais
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