Mulher tensa sobrecarregada de tarefas com as mãos na cabeça - Tontura e zumbido podem ser burnout?

Tontura e zumbido são queixas relativamente frequentes em pessoas com burnout, pois em situações de estresse ou tensão emocional, tais incômodos podem se tornar mais perceptíveis ou se agravarem. Entretanto, mesmo no contexto do burnout, a causa desses sintomas deve ser investigada.

Muitas pessoas associam o burnout apenas ao cansaço extremo, à falta de motivação ou às dificuldades emocionais relacionadas ao trabalho, no entanto, os efeitos do esgotamento profissional podem ir muito além disso. Entre os sintomas físicos frequentemente relatados, se destacam a tontura, a sensação de instabilidade e até mesmo o zumbido no ouvido.

De fato, existe uma relação importante entre o estresse crônico, a ansiedade associada ao burnout e o funcionamento do sistema vestibular e auditivo, mas não podemos estabelecer uma relação imediata de causa e efeito. Todos os casos devem ser investigados.

Neste artigo, explico melhor todas essas questões e trago também orientações para buscar o tratamento adequado. Confira!

O que é burnout?

A síndrome de burnout é uma condição de estresse crônico associada ao ambiente de trabalho. Ela é caracterizada por três fatores principais:

  • exaustão física e emocional;
  • sensação de distanciamento ou negatividade em relação ao trabalho;
  • redução do desempenho profissional.

O burnout foi reconhecido pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como um fenômeno ocupacional que pode impactar significativamente a qualidade de vida.

Além dos sintomas emocionais, a condição frequentemente provoca manifestações físicas que muitas vezes passam despercebidas.

Como o estresse afeta o ouvido e o equilíbrio?

O organismo humano foi projetado para lidar com situações de estresse por períodos curtos. Quando o estado de alerta se torna constante, diversos sistemas do corpo passam a funcionar de forma diferente.

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Entre eles, estão:

  • sistema vestibular (associado ao equilíbrio);
  • sistema auditivo;
  • sistema nervoso autônomo;
  • musculatura cervical e mandibular.

O excesso de cortisol e adrenalina observado em indivíduos com estresse crônico pode aumentar a sensibilidade do cérebro a estímulos internos, favorecendo sintomas como:

  • sensação de cabeça leve;
  • tontura;
  • desequilíbrio;
  • zumbido;
  • sensação de pressão nos ouvidos.

É importante destacar que, na maioria das pessoas, o estresse intensifica sintomas que já existiam, tornando-os mais perceptíveis. Recebo muitos pacientes que já tem um quadro de tontura ou zumbido instalado, cujo incômodo piora significativamente em momentos de pressão ou alta demanda emocional.

O burnout pode causar tontura?

A tontura é uma das manifestações físicas mais associadas ao estresse crônico e ao burnout, porém aqui falamos da tontura inespecífica, diferente da típica sensação de ver tudo girar (vertigem).

Os pacientes geralmente relatam:

  • sensação de flutuação;
  • cabeça pesada;
  • instabilidade ao caminhar;
  • sensação de estar “pisando em algodão”;
  • desequilíbrio em ambientes movimentados.

Essas manifestações podem surgir por motivos diversos, como alterações na respiração (comum em picos de ansiedade), tensão muscular e descargas hormonais (o cortisol e a adrenalina aumentam a frequência cardíaca e a pressão arterial).

E o zumbido? Qual a relação com o burnout?

O zumbido é outro sintoma frequentemente associado ao estresse e à ansiedade.

Embora o burnout não seja necessariamente a causa direta do zumbido, ele pode atuar como um importante fator agravante.

Muitos pacientes relatam que o zumbido:

  • surge durante períodos de sobrecarga emocional (na verdade, ele se torna mais perceptível nesses períodos);
  • aumenta ou incomoda mais em momentos de ansiedade;
  • melhora em períodos de descanso e recuperação.

Em situações de hiperalerta, comuns no burnout, o sistema nervoso tende a amplificar estímulos internos, tornando o zumbido mais evidente. Na maior parte dos casos, porém, não é que o zumbido piore ou fique mais alto, mas sim a resposta emocional do indivíduo em relação a ele, ou o incômodo propriamente.

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Talvez não seja apenas burnout

É importante destacar que nem toda tontura ou zumbido está relacionada ao estresse. Na verdade, a maioria das pessoas costuma ter vários motivos para apresentar essas manifestações, e elas podem estar ligadas a causas distintas.

Diversas condições podem provocar um ou ambos os sintomas, como:

O diagnóstico, portanto, não deve ser baseado apenas no estresse ou na ansiedade. Uma avaliação especializada é fundamental para identificar ou descartar causas subjacentes relacionadas ao ouvido interno e ao sistema vestibular.

Quais sinais merecem maior atenção?

Embora seja frequentemente entendido como algo corriqueiro, qualquer percepção de exaustão ou sobrecarga merece ser avaliada, especialmente quando há sintomas físicos ou alterações incomuns na rotina ou no desempenho.

Alguns sintomas, porém, merecem atenção especial, como:

Diante de tais manifestações, a orientação é buscar atendimento médico o quanto antes. 

Crises de ansiedade são frequentemente confundidas com eventos graves, como AVC e infarto, mas o ideal é adotar uma postura preventiva em todos os casos. Mesmo que um quadro grave seja improvável (uma pessoa muito jovem e saudável, por exemplo), o mais recomendável é se dirigir a uma unidade de pronto atendimento para realizar uma avaliação.

Sintomas brandos, porém persistentes, também merecem atenção. Qualquer desconforto incomum que já se arrasta há semanas ou meses, deve ser investigado.  

Como é feito o tratamento do burnout?

O tratamento do burnout deve ser montado de acordo com as demandas de cada paciente, mas, em geral, a abordagem costuma envolver:

  • afastamento temporário: diante de um quadro de esgotamento confirmado, é fundamental se afastar do trabalho por período determinado pelo médico ou terapeuta (direito garantido a profissionais CLT);
  • controle do estresse: adoção de medidas para redução da sobrecarga física e emocional do indivíduo;
  • qualidade do sono: ajustes de rotina ou introdução de medicação para melhora da qualidade do sono (dormir mal pode aumentar significativamente a percepção do zumbido e piorar os quadros de tontura);
  • atividade física: se não realizada anteriormente, iniciar uma rotina de atividades físicas regulares;
  • acompanhamento multidisciplinar: dependendo do caso, pode ser necessário o acompanhamento conjunto com psicólogo, psiquiatra, fisioterapeuta ou outros especialistas.
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Nos casos em que é identificada uma alteração vestibular ou auditiva associada, ela deve ser tratada de forma específica, preferencialmente com o acompanhamento de um médico especialista — neste caso, o médico otoneurologista.

Concluindo, a tontura e o zumbido podem sim estar relacionados ao burnout, no entanto, esses sintomas não devem ser atribuídos imediatamente a essa condição. Uma avaliação especializada é fundamental para identificar as causas corretas e definir a abordagem mais adequada, especialmente quando os sintomas persistem ou impactam a qualidade de vida.

Você também deve saber que não existe um tratamento universal para burnout, nem mesmo para a tontura ou para o zumbido. Cada paciente deve ser avaliado individualmente e adotar uma estratégia de tratamento personalizada, de acordo com o diagnóstico e suas necessidades específicas.

Quer saber mais? Continue no blog e confira também: Zumbido no ouvido e estresse: por que acontece e medidas para melhorar a qualidade de vida

 


Sobre Dra Nathália Prudencio

Dra Nathália Prudencio é médica otoneurologista, especialista em tontura e zumbido. Saiba mais
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