Gripe dá tontura? Saiba quando isso é normal e quando procurar um médico
Embora não seja tão comum quanto os sintomas típicos das infecções respiratórias virais, como coriza, congestão nasal, tosse, febre e dor no corpo, a gripe pode sim causar tontura em algumas pessoas, geralmente de maneira inespecífica, como sensação de mareio ou fraqueza.
Durante um quadro de gripe, é comum surgirem sintomas como febre, dores no corpo, tosse e congestão nasal. Entretanto, algumas pessoas também relatam alterações no equilíbrio, como sensação de fraqueza ou mareio. Será que a gripe dá tontura mesmo?
A resposta é sim. Embora esse não seja um dos sintomas mais característicos da doença, ele pode aparecer por diferentes motivos e, na maioria das vezes, não indica um problema grave. Ainda assim, é importante entender o que está provocando esse desconforto, especialmente se ele for intenso ou persistente.
A gripe é uma infecção viral que desencadeia uma resposta inflamatória em todo o organismo. Durante esse processo, o corpo direciona energia para combater o vírus, o que pode provocar sensação de fraqueza, indisposição e mal-estar generalizado. Em algumas pessoas, essa combinação pode ser percebida como uma sensação de tontura ou de cabeça leve, principalmente ao levantar rapidamente ou realizar esforços.
Outro fator bastante comum é a desidratação. A febre aumenta a perda de líquidos pelo organismo e, ao mesmo tempo, muitas pessoas reduzem a ingestão de água porque estão sem apetite ou com dificuldade para se alimentar. Essa diminuição do volume de líquidos pode provocar queda da pressão arterial, especialmente ao mudar de posição, favorecendo episódios de tontura.
A congestão nasal também pode contribuir para esse sintoma. Embora o nariz entupido, por si só, não provoque tontura verdadeira, processos inflamatórios que acometem as vias respiratórias superiores podem afetar a tuba auditiva, estrutura que ajuda a equilibrar a pressão entre o ouvido médio e o ambiente externo. Essa alteração pode causar sensação de ouvido tampado, pressão na cabeça, instabilidade e desequilíbrio em algumas pessoas.
Em situações menos frequentes, infecções virais podem atingir estruturas do ouvido interno responsáveis pelo equilíbrio. Quando isso acontece, podem surgir doenças como a neurite vestibular e a labirintite viral, que costumam provocar vertigem intensa, náuseas e dificuldade para caminhar. Embora essas condições possam ocorrer após infecções respiratórias, elas são muito menos comuns do que a tontura inespecífica associada ao quadro gripal.
Também é importante diferenciar os tipos de tontura. Algumas pessoas descrevem apenas uma sensação de fraqueza ou impressão de que vão desmaiar, enquanto outras relatam que o ambiente parece girar ao seu redor, caracterizando uma vertigem. Essa diferença ajuda o médico a direcionar a investigação e identificar se existe alguma alteração no sistema vestibular, responsável pelo equilíbrio.
Na maioria dos casos, a tontura melhora conforme a gripe evolui e o organismo se recupera. Descansar, manter boa hidratação, alimentar-se adequadamente e seguir as orientações médicas para controlar a febre e os demais sintomas costumam ser medidas suficientes para aliviar o desconforto.
Entretanto, alguns sinais merecem atenção. Se a tontura for muito intensa, persistir por vários dias após o desaparecimento da gripe, vier acompanhada de perda auditiva, zumbido, dificuldade para falar, fraqueza em um lado do corpo, visão dupla ou perda de consciência, é fundamental procurar atendimento médico imediatamente. Esses sintomas podem indicar condições que exigem avaliação urgente e não devem ser atribuídos apenas à gripe.
Resumindo, a gripe pode sim dar tontura. O sintoma pode surgir em decorrência da febre, da desidratação, da fraqueza causada pela infecção ou, mais raramente, por alterações que afetam o ouvido interno. Como existem diferentes causas possíveis, uma avaliação médica com otoneurologista é importante sempre que a tontura for intensa, persistente ou acompanhada de outros sinais de alerta. Dessa forma, é possível receber o diagnóstico correto e o tratamento mais adequado para cada situação.
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