Mulher se inclinando para ouvir melhor - Perda auditiva oculta

Perda auditiva oculta é quando a pessoa tem dificuldade para ouvir, especialmente em ambientes ruidosos, mesmo com exames audiométricos normais.

Muitos pacientes chegam ao consultório com a seguinte queixa: “doutora, meus exames estão normais, mas eu não escuto direito”. Essa situação é real, frequente e tem nome: perda auditiva oculta.

Diferentemente da perda auditiva mais comum (onde o paciente se queixa do volume percebido do som), ela não afeta o limiar de audição — ou seja, o volume mínimo que você consegue perceber. Nesse caso, o problema está na qualidade da transmissão do som, principalmente em ambientes com ruído de fundo, como restaurantes, reuniões ou festas.

Neste artigo, explico por que isso acontece, os sinais típicos desse tipo de quadro e como proceder se for este o seu caso. Continue a leitura para conferir!

O que é perda auditiva oculta?

Na perda auditiva oculta, as células ciliadas do ouvido interno (responsáveis por gerar sinais elétricos relacionados à audição) até funcionam, mas há dano nas sinapses (as conexões entre neurônios) que conectam essas células e o nervo auditivo (que conduz essa informação ao cérebro). 

Isso compromete a capacidade do cérebro de organizar e interpretar os sons, especialmente quando vários estímulos competem entre si. O resultado é um paciente que escuta, mas não compreende tão bem o som.

Quais são os sinais mais comuns da perda auditiva oculta?

A perda auditiva oculta apresenta algumas características típicas, muito importantes para o diagnóstico. São elas:

  • dificuldade para entender fala em locais barulhentos;
  • sensação de que as pessoas “falam baixo” ou “embolam as palavras”;
  • cansaço mental após conversas longas;
  • dificuldade para acompanhar diálogos em grupo;
  • irritação ou isolamento social progressivo.
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Esses sintomas costumam ser subestimados, inclusive pelo próprio paciente. Haverá quem os atribua ao cansaço, à idade ou ao próprio ambiente. 

Por que a audiometria dá normal?

A audiometria tradicional mede captação e percepção de som, não o processamento auditivo. Como o limiar está preservado, o exame não detecta o problema. Por isso, testes complementares são fundamentais.

Entre os recursos utilizados para diagnóstico da perda auditiva oculta, os exames mais utilizados são:

  • testes de percepção de fala no ruído;
  • potenciais evocados auditivos;
  • avaliação do processamento auditivo central.

Esses exames nem sempre estão disponíveis nas clínicas de otorrinolaringologia, o que contribui para o subdiagnóstico. Além disso, embora os testes sejam importantes, o diagnóstico depende principalmente da avaliação clínica detalhada.

Como tratar a perda auditiva oculta?

O tratamento da perda auditiva oculta foca em estratégias para melhorar a compreensão da fala, como dispositivos de escuta assistida (como sistemas FM), terapia auditiva (treinamento de comunicação e leitura labial) e ajustes no ambiente para reduzir o ruído de fundo, visando compensar a dificuldade em ambientes barulhentos.

Na maioria dos casos, o quadro é caracterizado por uma perda auditiva permanente. Entretanto, embora não tenha cura definitiva, o manejo é eficaz, sendo também muito importante a adoção de medidas para preservar a audição residual (como evitar ambientes ruidosos, usar dispositivos de proteção e cuidar da saúde como um todo). 

Se você sente que sua audição não acompanha sua rotina, mesmo com exames normais, não pense que isso é “coisa da sua cabeça” ou uma questão de idade ou estresse. A perda auditiva oculta existe, e deve ser investigada e manejada corretamente.

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Sobre Dra Nathália Prudencio

Dra Nathália Prudencio é médica otoneurologista, especialista em tontura e zumbido. Saiba mais
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