Garota jovem com headphone no pescoço - Surdez por fone de ouvido tem cura, perda auditiva com fone

O uso de fones em volume alto por longos períodos está diretamente associado ao aumento de casos de perda auditiva e zumbido no ouvido nos últimos anos, especialmente entre jovens. Quando os sintomas são observados de forma precoce, há sim possibilidade de recuperação, mas os riscos de perda permanente são altos.

Embora o envelhecimento ainda seja a principal causa de perda auditiva na população, notamos um aumento acentuado de queixas auditivas em jovens adultos nos últimos anos, como perda parcial da audição, sensação de ouvido tapado e zumbido no ouvido.

Existem diversos fatores e hipóteses que nos permitem entender esse fenômeno. Os pacientes costumam ter vários motivos para apresentar esse sintomas, mas alguns deles nos chamam mais a atenção. É o caso do uso excessivo e de forma inapropriada dos fones de ouvido.

Esses dispositivos têm potencial para causar danos graves à saúde auditiva, e muitas vezes de forma rápida. Um dos riscos mais sérios é a chamada perda auditiva induzida por ruído (PAIR), provocada pela exposição a sons muito altos de forma frequente.

Quando os sintomas aparecem, muitas pessoas se preocupam com a possibilidade deles se instalarem de forma permanente, embora o ideal fosse evitar que eles surgissem por meio de medidas de prevenção. 

Neste artigo, trago informações importantes sobre essa questão, os riscos envolvidos no uso de fones, como proceder diante de sintomas auditivos e o que determina se um quadro pode ser reversível ou não. Siga a leitura comigo para conferir!

Quais os riscos de usar fones de ouvido em volume alto?

Quando o som chega ao ouvido em volumes elevados, ele pode danificar as células ciliadas da cóclea — estruturas delicadas responsáveis por transformar as vibrações sonoras em sinais elétricos para o cérebro. 

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Essas células não se regeneram, e lesões repetidas ao longo do tempo podem resultar em perda auditiva permanente — o que chamamos de perda auditiva neurossensorial.

O risco é maior quando:

  • o volume do som é superior a 85 decibéis;
  • há uso contínuo por mais de 60 minutos sem pausa;
  • o isolamento acústico dos fones é ruim, levando o usuário a aumentar o volume para compensar ruídos externos.

A agressão à audição provocada pelo uso de fones em volume alto é equivalente à provocada pela exposição ao som de grandes eventos, máquinas ou ambientes muito movimentados. Nesse caso, porém, falamos de um dispositivo que, para muitos, é de uso diário — muitos jovens passam várias horas por dia se expondo a sons de alta intensidade.

Fones de ouvido podem causar surdez?

Primeiramente, precisamos diferenciar a surdez da perda auditiva. Na maioria dos casos, a perda de audição ocorre de maneira gradual, embora exista sim a possibilidade de perda súbita. Só chamamos de surdez, porém, quadros avançados de perda auditiva, em que a comunicação pelo som é inviável.

Em teoria, o uso inadequado de fones de ouvido pode sim contribuir para um quadro de surdez, sobretudo se nenhuma mudança no uso do dispositivo for tomada diante do surgimento dos sintomas - ou seja, se as agressões ao ouvido interno se mantiverem.

Espera-se, porém, que a maioria das pessoas adotem medidas de prevenção, logo após experimentarem o incômodo e as consequências causadas pelos primeiros sinais de perda auditiva, como dificuldade para compreender falas e alterações auditivas clássicas, como o zumbido no ouvido.

A perda auditiva por fones de ouvido tem cura?

A resposta depende do tipo e do grau de dano. Em muitos casos, a perda auditiva causada por ruído é irreversível, pois envolve lesões permanentes nas células do ouvido interno. No entanto, se a redução da audição for causada por fatores temporários, como inflamação, acúmulo de cera ou alterações transitórias da sensibilidade auditiva, pode haver recuperação parcial ou total.

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O horizonte do tratamento, portanto, será sempre a prevenção. Mesmo que o paciente apresente algum nível de perda auditiva permanente, ele deverá adotar novas medidas de cuidado para preservar ao máximo a sua capacidade auditiva atual.

Sendo assim, o ideal é que os hábitos prejudiciais sejam interrompidos e cuidados comecem a ser tomados ao primeiro sinal de perda auditiva.

Sinais de alerta para buscar ajuda médica

A perda de audição geralmente começa de maneira sutil, e por isso é tão importante se informar a respeito dos sinais que ela dá, como:

  • zumbido constante após usar fones;
  • necessidade de aumentar o volume para ouvir com clareza;
  • dificuldade para compreender falas em ambientes ruidosos;
  • sensação de ouvido “tapado” que não melhora.

O diagnóstico precoce aumenta as chances de intervenção eficaz, sendo ideal buscar ajuda o quanto antes para evitar o progresso da perda auditiva.

Esclareço que o profissional de saúde a ser procurado nesse caso é o otorrinolaringologista, mas você pode ter uma avaliação mais precisa consultando um médico especialista em zumbido, que é o otoneurologista.

Quais são os tratamentos disponíveis?

Felizmente, hoje contamos com diversos recursos e estratégias de tratamento de manejo para a perda auditiva. As principais linhas de atuação do médico são as seguintes.

1. Ajustes e proteção auditiva

Interromper a exposição ao som alto é o primeiro passo para evitar agravamento. Além de mudar hábitos no uso dos dispositivos, trocar os fones por modelos com cancelamento de ruído pode ajudar a manter volumes mais seguros.

2. Reabilitação auditiva

Se houver perda irreversível, o uso de aparelhos auditivos modernos pode restaurar parcialmente a capacidade de ouvir e melhorar a compreensão da fala.

3. Terapia para zumbido

Para quem desenvolveu tinnitus, existem protocolos de terapia sonora e aconselhamento que reduzem o desconforto.

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4. Intervenções médicas

Nos casos em que a perda auditiva está ligada a inflamações ou obstruções, o tratamento pode incluir medicamentos e limpeza profissional com um médico.

Como a perda auditiva por ruído é em grande parte irreversível, proteger-se é fundamental. Sugiro a regra 60/60: ouvir no máximo 60% do volume por até 60 minutos seguidos, fazendo pausas para descanso auditivo. Também é importante usar fones de qualidade, preferindo modelos que isolam bem o som externo, e evitar aumentar o volume em locais barulhentos.

A surdez causada pelo uso inadequado de fones de ouvido pode, na maioria dos casos, ser permanente, mas existem recursos para minimizar o impacto e recuperar qualidade de vida. O segredo está em identificar os sinais precocemente, buscar ajuda especializada e adotar hábitos seguros.

E se você já notou mudanças importantes na sua audição, como dificuldades de comunicação ou um zumbido que não vai embora, entre em contato com a minha equipe e agende uma consulta. Eu posso te ajudar!

 


Sobre Dra Nathália Prudencio

Dra Nathália Prudencio é médica otoneurologista, especialista em tontura e zumbido. Saiba mais
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