Mulher jovem usando headphones em fundo alaranjado - pior fone de ouvido para a audição

Embora o tipo de fone de ouvido, tecnologias embutidas e a potência do dispositivo possam contribuir, o principal fator de risco continua sendo o uso frequente em volume elevado, independentemente do produto utilizado.

Alguns fones podem ser entendidos como mais prejudiciais do que outros devido às suas características físicas. Os modelos intra-auriculares, por exemplo, ficam mais próximos do tímpano e, por isso, costumam gerar preocupação. Já os fones supra-auriculares e over-ear, que envolvem a orelha, são frequentemente considerados mais seguros. No entanto, todos eles são capazes de produzir níveis sonoros potencialmente danosos quando usados em volumes altos por períodos prolongados.

Um ponto importante nessa discussão é o ruído externo. Em ambientes barulhentos, como ruas, academias ou transporte público, o usuário tende a aumentar o volume do fone para competir com o som ambiente. Nesse sentido, fones que bloqueiam melhor o ruído externo — seja por vedação passiva ou por tecnologia de cancelamento de ruído — são desejáveis, pois reduzem a tentação de elevar o volume a níveis perigosos. Com menos interferência externa, é possível ouvir com clareza mantendo o som mais baixo.

Ainda assim, existe debate sobre o uso prolongado de fones com cancelamento de ruído ativo. Embora ainda não haja evidências robustas de que o recurso cause danos diretos às estruturas do ouvido, alguns especialistas discutem a possível associação entre o uso contínuo desses dispositivos com casos de TPAC (transtorno do processamento auditivo central), uma condição em que o cérebro apresenta dificuldade em interpretar sons, mesmo com a audição normal.

Outro fator relevante é o tempo de uso. Mesmo em volumes moderados, a exposição contínua ao som pode gerar fadiga auditiva. Sensações como ouvido cansado, leve zumbido ou dificuldade temporária para perceber sons são sinais de alerta de que a audição precisa de descanso. Além disso, manter o canal auditivo constantemente ocluído por fones pode favorecer desconfortos, acúmulo de umidade e irritações locais.

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Por isso, mais importante do que discutir qual seria o pior fone de ouvido é reforçar o uso seguro. Volume moderado, intervalos regulares e períodos do dia com o canal auditivo livre são medidas fundamentais para preservar a audição. O ouvido foi feito para alternar estímulos e silêncio, e respeitar esse equilíbrio é essencial.

Em conclusão, não existe um vilão único entre os fones de ouvido. Independentemente do tipo de fone, o que realmente protege a audição é o hábito de ouvir em volume confortável, fazer pausas frequentes e permitir que os ouvidos descansem a maior parte do tempo.

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Sobre Dra Nathália Prudencio

Dra Nathália Prudencio é médica otoneurologista, especialista em tontura e zumbido. Saiba mais
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