Homem se inclinando com a mão atrás da orelha para ouvir melhor - Surdez súbita

A surdez súbita é uma perda auditiva repentina, frequentemente em um único ouvido, que se instala em até 72 horas, na maioria das vezes, sem uma causa estabelecida. É um quadro que exige atendimento médico urgente para aumentar as chances de recuperação.

Embora perda auditiva e surdez sejam termos frequentemente usados de forma intercambiável, tratarei como “surdez” aqui a perda auditiva de grau elevado, que compromete de forma significativa a capacidade de ouvir sons do dia a dia, como conversas e sons em volume normal. 

A perda auditiva súbita pode ocorrer em diferentes graus, desde alterações sutis na audição à perda total ou quase total da capacidade de ouvir (surdez). Quando acontece de forma intensa e repentina, gera grande impacto e preocupação. O paciente pode perceber que praticamente não ouve de um ou ambos os lados, e o quadro é muitas vezes acompanhado de zumbido persistente e sensação de ouvido tapado, o que aumenta o incômodo.

Essa condição é classificada como uma emergência otorrinolaringológica. Diferente da perda auditiva mais comum, que se agrava pouco a pouco em virtude do envelhecimento e de lesões acumuladas na audição, aqui o problema surge de maneira abrupta e com maior gravidade.

As causas da surdez súbita nem sempre são identificadas com precisão. Em muitos casos, ela é considerada idiopática, ou seja, sem origem definida. Ainda assim, existem mecanismos prováveis, como sequelas de infecções virais que afetam o ouvido interno ou doenças autoimunes, por exemplo. Em situações mais raras, pode estar relacionada a alterações estruturais, como tumores no nervo auditivo, o que exige investigação cuidadosa.

Não devemos confundir, porém, com trauma acústico, que é a perda auditiva que se dá devido à exposição a ruídos altos.

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O diagnóstico da surdez súbita é feito com base na avaliação clínica e em exames, em especial a audiometria que permite quantificar o grau da perda auditiva. Dependendo dos achados, o médico pode solicitar exames complementares, como exames de sangue e ressonância magnética, para aprofundar a investigação.

Na perda auditiva súbita, corticoides podem ajudar a reduzir inflamações severas que, se não tratadas rapidamente, podem levar a danos permanentes nas células sensoriais e fibras nervosas. Os medicamentos podem ser administrados por via oral ou diretamente no ouvido (injeções intra-timpânicas), conforme a gravidade e a resposta inicial. Nem todos os pacientes terão melhora com esse tipo de terapia e outras abordagens podem ser associadas, mas o início precoce é o ponto-chave.

Esperar para ver se melhora sozinho é um erro comum e perigoso. Quanto mais tempo se leva para iniciar o tratamento, menores são as chances de recuperação completa da audição. O ideal é procurar um especialista nas primeiras 24 a 72 horas após o início dos sintomas.

Além do impacto físico, a surdez súbita grave também afeta o lado emocional. A dificuldade repentina de ouvir pode gerar ansiedade, frustração e sensação de isolamento, especialmente se houver prejuízo na comunicação. Por isso, o acompanhamento deve considerar não apenas a recuperação auditiva, mas também o bem-estar geral do paciente.

A evolução do quadro varia. Alguns pacientes recuperam totalmente a audição, enquanto outros apresentam melhora parcial ou mantêm perda permanente. A gravidade inicial da surdez, a idade e, principalmente, a rapidez no início do tratamento são determinantes nesse processo.

Concluindo, diante de uma perda auditiva súbita, especialmente se vier acompanhada de zumbido ou tontura, encare isso como um sinal de alerta. Não espere passar, não tente resolver por conta própria e procure atendimento médico o quanto antes.

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Sobre Dra Nathália Prudencio

Dra Nathália Prudencio é médica otoneurologista, especialista em tontura e zumbido. Saiba mais
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