Colesteatoma: o que é, sintomas, riscos e tratamento
Colesteatoma é o crescimento anormal de pele no ouvido médio. Pode ter origem congênita ou adquirida, e geralmente causa sintomas como secreção persistente, perda auditiva, pressão no ouvido e zumbido.
O colesteatoma é uma doença séria, mas tratável. O desafio é que o problema costuma se desenvolver de forma silenciosa e gradual, causando danos progressivos no ouvido médio.
A boa notícia é que, com acompanhamento adequado e o tratamento correto, conseguimos evitar complicações maiores.
Neste artigo, trago tudo o que você precisa saber sobre colesteatoma. Confira!
O que é o colesteatoma?
Apesar do nome incomum, o colesteatoma nada mais é do que um crescimento anormal de pele dentro do ouvido médio — mais precisamente da matriz de queratina produzida por um epitélio escamoso queratinizado. Essa pele vai se acumulando aos poucos e, com o tempo, forma uma espécie de “bolsa” que cresce de maneira progressiva.
Esse tecido não é cancerígeno, mas o problema é que ele se comporta como algo invasivo. Ele pressiona estruturas delicadas, como os ossículos responsáveis pela transmissão do som, podendo causar perda auditiva, zumbido, infecções recorrentes e até complicações mais sérias quando não tratado.
Como o colesteatoma se forma?
Existem duas formas principais de colesteatoma: congênito e adquirido.
O congênito é raro e aparece quando um pequeno fragmento de pele fica preso dentro do ouvido durante o desenvolvimento embrionário. Ele cresce ao longo da infância e muitas vezes só é percebido após provocar algum sintoma.
O adquirido é o mais comum e geralmente aparece quando há retração da membrana timpânica, comumente associada a disfunção da tuba auditiva ou otites crônicas. Essa retração cria uma cavidade onde células de pele vão se acumulando continuamente.
Entre adultos, também observamos casos associados a perfurações antigas do tímpano ou cirurgias prévias, mesmo sem retração. Em todas essas situações, o colesteatoma aproveita alguma fragilidade estrutural para se instalar e crescer.
Principais sintomas causados pelo colesteatoma
O colesteatoma não aparece de uma hora para outra, e por isso os sintomas variam muito de pessoa para pessoa. Alguns pacientes convivem com pequenos sinais por anos.
Os sintomas mais comuns são:
- secreção persistente no ouvido, geralmente com odor mais forte;
- perda auditiva, que pode ser leve no início e progredir com o tempo;
- sensação de pressão ou ouvido entupido;
- otites frequentes, que voltam mesmo após tratamentos;
- zumbido no ouvido;
- tontura, em casos mais severos.
Quando o paciente me conta que tem uma secreção constante por meses ou anos, especialmente com cheiro desagradável, o colesteatoma é sempre uma possibilidade.
Por que o colesteatoma é considerado uma condição progressiva?
O principal risco do colesteatoma é o crescimento contínuo. Seu crescimento não cessa, a à medida que aumenta, pode destruir estruturas delicadas do ouvido médio, como:
- os ossículos da audição (martelo, bigorna e estribo);
- as paredes ósseas do ouvido;
- a região próxima ao labirinto, podendo causar tontura;
- e até áreas próximas ao cérebro.
Casos não tratados podem evoluir para complicações graves, como meningite, abscessos ou paralisia facial. Felizmente, essas complicações são raras hoje em dia, porque o diagnóstico costuma ser feito antes que a doença chegue a esse ponto.
Reforço, porém, que o colesteatoma é uma condição que exige intervenção — ignorar não é uma opção.
Como é feito o diagnóstico do colesteatoma?
A confirmação do colesteatoma depende da combinação de avaliação clínica, otoscopia e exames de imagem.
Durante a consulta, analisamos o tímpano para verificar se há retrações, perfurações ou sinais característicos do quadro.
Quando há suspeita, solicitamos uma tomografia da mastóide, que mostra com precisão até onde o colesteatoma se estendeu (o que ajuda no planejamento cirúrgico) e, em alguns casos, também é necessário a ressonância magnética de ossos temporais. A audiometria também faz parte da avaliação para entendermos o grau de comprometimento da audição.
A avaliação médica e os exames são simples e indolores e o diagnóstico costuma ser rápido e bastante preciso.
Como é o tratamento do colesteatoma?
Não existe tratamento medicamentoso que elimine um colesteatoma. O único tratamento definitivo eficaz é o cirúrgico.
A cirurgia tem dois objetivos principais:
- remover completamente o colesteatoma, evitando que ele volte a crescer;
- reconstruir as estruturas afetadas, sempre que possível, incluindo a membrana timpânica e os ossículos.
Geralmente, a cirurgia é realizada por via microscópica ou endoscópica, dependendo da anatomia e da extensão do colesteatoma. Em alguns casos, é necessário fazer uma segunda cirurgia meses depois para garantir que não houve recidiva.
Quando o colesteatoma é diagnosticado cedo, conseguimos preservar a audição de forma muito mais eficiente. Em casos avançados, pode ser necessário reconstruir parte da cadeia ossicular ou, mais raramente, usar aparelhos auditivos posteriormente.
Pós-operatório e acompanhamento
O colesteatoma é retirado na cirurgia, mas é necessário acompanhamento.
Consultas periódicas ajudam a identificar pequenas recorrências e evitam que o problema volte a ganhar proporções maiores. Isso vale especialmente para quem tem disfunção crônica da tuba auditiva, já que a tendência à retração do tímpano pode permanecer.
O pós-operatório normalmente é tranquilo. A maioria dos pacientes relata apenas um leve desconforto no início e retorna às atividades em pouco tempo.
Se os sintomas citados são observados em você ou alguém próximo, não tarde em procurar ajuda médica. Quanto antes for realizado o tratamento, menores os riscos e impactos do colesteatoma na saúde e na qualidade de vida.
