mulher tocando a nuca com dor no pescoço - espondiloartrose cervical

A espondiloartrose cervical é uma condição degenerativa da coluna cervical. Seus sintomas clássicos incluem dor e rigidez na região do pescoço e proximidades, dor de cabeça, estalos na movimentação e, não raramente, vertigem e zumbido no ouvido.

A espondiloartrose cervical, também conhecida como osteoartrite cervical ou artrose no pescoço, é uma condição degenerativa comum que afeta as vértebras e os discos da coluna cervical, localizados na região do pescoço. 

Com o passar dos anos, o desgaste natural dessas estruturas pode levar à formação de osteófitos (bicos de papagaio) e à redução da cartilagem, o que pode comprimir nervos e vasos sanguíneos. 

Embora a dor e a rigidez no pescoço sejam os sintomas mais conhecidos e esperados, a espondiloartrose cervical pode manifestar-se de formas variadas, muitas vezes gerando sintomas que, à primeira vista, parecem não ter relação direta com a coluna, como tontura e zumbido no ouvido.

Nos próximos tópicos, explico detalhadamente este quadro e os sinais que merecem sua atenção.

O que é espondiloartrose cervical e por que ela acontece?

A coluna cervical é composta por sete vértebras (C1 a C7) que sustentam a cabeça e permitem uma ampla gama de movimentos. Entre essas vértebras, existem os discos intervertebrais, que funcionam como amortecedores, e as articulações facetárias, que permitem o movimento. Com o envelhecimento, ou devido a fatores como má postura, traumas repetitivos, predisposição genética ou sobrecarga, inicia-se um processo de desgaste natural.

Esse desgaste leva a:

  • degeneração dos discos intervertebrais: eles perdem água e elasticidade, tornando-se mais finos e menos eficazes como amortecedores;
  • formação de osteófitos (bicos de papagaio): são crescimentos ósseos anormais nas bordas das vértebras, que funcionam como uma tentativa do corpo de estabilizar a coluna, mas que podem comprimir nervos e vasos;
  • deterioração das articulações facetárias: a cartilagem que reveste essas articulações se desgasta, levando a atrito ósseo e inflamação.
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Essas alterações estruturais podem resultar em dor crônica, rigidez e, em casos mais avançados, na compressão de estruturas nervosas ou vasculares importantes que passam pela região do pescoço.

Quais são os sintomas clássicos da espondiloartrose cervical?

Os sintomas mais típicos da espondiloartrose cervical são:

  • dor no pescoço: geralmente crônica, variando de leve a intensa, piorando com o movimento;
  • rigidez no pescoço: principalmente pela manhã ou após períodos de inatividade;
  • dor irradiada para ombros, braços e mãos: conhecida como cervicobraquialgia, ocorre quando há compressão de nervos que se originam na coluna cervical, levando a dormência, formigamento e fraqueza nos membros superiores;
  • estalos ou crepitação: sons que podem ser ouvidos ou sentidos durante o movimento do pescoço;
  • dor de cabeça: muitas vezes originada na base do crânio e irradiando para a testa ou têmporas (cefaleia cervicogênica).

Os quadros, porém, variam de um caso para outro, e outros tipos de manifestações comumente são observadas, como tontura e zumbido.

Tontura e zumbido em quadros de espondiloartrose cervical

Embora menos frequentes que os sintomas clássicos do quadro, a tontura (do tipo vertigem) e alterações auditivas, como o zumbido no ouvido, são observados em muitos pacientes com espondiloartrose cervical. 

Essa associação ocorre principalmente devido à compressão ou irritação de estruturas vasculares e nervosas que passam muito próximas à coluna cervical, ou devido ao comprometimento de sensores de movimentos localizados nesta região.

Tontura (vertigem cervicogênica)

A tontura associada à espondiloartrose cervical é frequentemente descrita como uma sensação de instabilidade, desequilíbrio ou vertigem, que pode piorar com certos movimentos da cabeça ou com a manutenção de uma mesma posição por tempo prolongado. 

Zumbido nos ouvidos

O zumbido, ou tinnitus, é a percepção de um som sem uma fonte sonora externa e, embora seja mais comumente associado a problemas auditivos, pode, em alguns casos, ter origem cervical. A relação entre a espondiloartrose cervical e o zumbido ainda é objeto de estudo, mas o sintoma é relatado por muitos pacientes.

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É importante diferenciar o zumbido cervical daquele de origem otológica (relacionado ao ouvido, como perda auditiva ou exposição a ruído). A avaliação de um otoneurologista é necessária para determinar a origem do zumbido.

Diagnóstico e tratamento da espondiloartrose cervical

O diagnóstico da espondiloartrose cervical é feito, inicialmente, através do histórico clínico e do exame físico do paciente. O médico avaliará os sintomas, a amplitude de movimento do pescoço e a presença de dor ou sensibilidade.

Além disso, são necessários exames para confirmar o quadro, como radiografias, ressonância magnética (RM) ou tomografia computadorizada (TC) da coluna cervical. Esses recursos são essenciais para visualizar as alterações degenerativas, a compressão nervosa ou vascular e descartar outras causas.

O tratamento da espondiloartrose cervical visa aliviar a dor, reduzir a inflamação, melhorar a função e, quando envolvidos, controlar sintomas como tontura e zumbido. As abordagens incluem:

  • repouso relativo: evitar movimentos que agravem a dor;
  • medicação: analgésicos, anti-inflamatórios não esteroides (AINEs), relaxantes musculares e, em alguns casos, neuromoduladores para dor neuropática;
  • fisioterapia: essencial para fortalecer os músculos do pescoço, melhorar a postura, alongar e mobilizar a coluna cervical;
  • órteses (colares cervicais): usados por curtos períodos em fases agudas para imobilizar e dar suporte ao pescoço;
  • infiltrações e bloqueios: injeções de corticosteroides e anestésicos em pontos específicos da coluna podem aliviar a dor;
  • mudanças no estilo de vida: ergonomia adequada no trabalho, colchão e travesseiro adequados, e prática regular de exercícios de baixo impacto;
  • cirurgia: reservada para casos graves em que há compressão nervosa significativa, mielopatia (compressão da medula espinhal) ou falha do tratamento conservador.

No que tange à tontura e o zumbido, quando a origem cervical é confirmada, o tratamento da espondiloartrose subjacente é o caminho principal para o alívio, mas outras intervenções podem ser recomendadas se necessário.

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A espondiloartrose cervical é uma condição crônica que pode impactar significativamente a qualidade de vida. É fundamental reconhecer que seus sintomas podem ir além da dor no pescoço, incluindo manifestações como tontura e zumbido. 

Se você apresenta esses sintomas e suspeita de um problema na coluna cervical, é crucial procurar um médico para um diagnóstico preciso. Uma abordagem multidisciplinar, envolvendo ortopedistas, neurologistas, fisioterapeutas e, quando necessário, otorrinolaringologistas, é frequentemente a mais eficaz para gerenciar a espondiloartrose cervical e seus sintomas associados, permitindo que o paciente recupere a funcionalidade e o bem-estar.

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Sobre Dra Nathália Prudencio

Dra Nathália Prudencio é médica otoneurologista, especialista em tontura e zumbido. Saiba mais
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