O que fazer em uma crise intensa de tontura, doutora? | Dra Nathália Prudencio

Sentir tontura pode ser assustador, principalmente quando ela surge de repente. Em muitos casos, atitudes simples, como sentar e respirar com calma, já ajudam a aliviar o sintoma. No entanto, dependendo da frequência ou intensidade, pode ser necessário investigar a causa.

Muitas pessoas não sabem o que fazer ao sentir tontura ou como ajudar alguém que está vivenciando o sintoma. 

Antes de qualquer coisa, devo esclarecer que esse tipo de manifestação pode estar relacionada a diversos tipos de alterações e doenças. Sendo assim, nunca haverá uma técnica, medicamento ou solução natural que sirva para todos os casos.

Ainda assim, algumas medidas podem ser tomadas em diferentes situações para garantir a segurança do paciente e promover alívio rápido durante uma crise. Confira!

O que fazer ao sentir tontura?

Independentemente da causa, algumas ações podem ajudar a aliviar os efeitos da tontura, sobretudo aquela que surge do nada e costuma causar muita preocupação. Seja para você, seja para oferecer apoio a alguém que necessita de ajuda, é recomendável seguir as dicas a seguir.

1. Sentar

A primeira coisa a fazer ao sentir tontura é se sentar ou encontrar um lugar seguro para se apoiar a fim de evitar quedas e possíveis lesões. É necessário maior esforço para manter o equilíbrio de pé, logo, o ideal é se sentar em um local firme, onde o corpo fique bem apoiado, sem precisar se equilibrar ou se movimentar.

Caso a tontura não passe, mesmo após se sentar, você pode se deitar e manter as pernas elevadas com ajuda de algum apoio. Essa posição ajudará o sangue a retornar ao cérebro mais rapidamente, se for o caso de uma queda repentina da pressão.

Se for necessário e possível, você também pode afastar a pessoa de luzes e ruídos intensos (caso esteja em um evento, por exemplo), de maneira a remover eventuais estímulos e permitir que o paciente se acalme e se recupere melhor.

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2. Tomar ar e respirar profundamente

Muitas vezes, a tontura é desencadeada por calor intenso, sudorese excessiva, sensação de abafamento ou por uma crise de ansiedade. Embora cada caso apresente causas e mecanismos específicos, ações simples, como se dirigir a um local arejado e respirar fundo, podem ser benéficas em todas as situações.

Ao reduzir a temperatura e aumentar a disponibilidade de oxigênio no corpo, a pressão sanguínea tende a se estabilizar mais facilmente, assim como outras funções do organismo, o que também pode contribuir para a calma e para o relaxamento.

Essa dica também vale para pessoas que realizam esforço físico excessivo de maneira repentina, especialmente aquelas sem condicionamento ou que não se alimentaram ou se hidratam corretamente antes de um treino, por exemplo. É algo muito comum em pessoas que retornam para a academia após um período longo de sedentarismo.

3. Manter os olhos abertos

Principalmente quando é aquela sensação de ver tudo girar (vertigem), é tentador fechar os olhos, mas isso pode piorar o sintoma em vez de ajudar.

Durante um episódio de tontura, a informação visual ajuda o nosso cérebro a se orientar, especialmente quando as estruturas do ouvido interno estão enviando “mensagens erradas” sobre o equilíbrio.

Dessa forma, fixar a sua visão em um objeto ou pessoa próxima (ideal a mais de um metro de distância) pode reduzir a intensidade do sintoma e ajudar a restabelecer o equilíbrio.

4. Não ingerir líquidos e alimentos durante a crise

No momento da tontura, se estivermos falando de uma queda brusca de pressão, por exemplo, o paciente pode ter algum comprometimento do seu nível de consciência e, ao ingerir líquidos ou alimentos sólidos, pode se engasgar e até sofrer uma broncoaspiração.

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Em caso de tonturas causadas por problemas dentro do ouvido, o enjoo costuma ser intenso. Logo, ingerir alimentos nesse momento pode piorar o sintoma e até provocar vômitos.

Sendo assim, o ideal é aguardar ou se certificar que o paciente está consciente antes de ingerir qualquer coisa, inclusive água.

Tontura do nada: o que pode ser?

A tontura é um sintoma típico de vários tipos de disfunções e doenças, assim como de alterações corriqueiras que geralmente não justificam preocupação, como desidratação, insolação, queda de pressão ou níveis baixos de glicose no sangue.

Frequentemente chamada de “labirintite”, a tontura pode ter várias causas e a maneira como ela se manifesta nos ajuda a descobrir o fator que a desencadeou. 

Quando a tontura não é constante, surge de repente (ou do nada), podemos pensar em causas como:

  • hipotensão postural: queda repentina de pressão após realizar um movimento brusco, como levantar ou mudar de posição rapidamente;
  • vertigem posicional paroxística benigna (VPPB): conhecida como “tontura dos cristais”, está ligada ao desprendimento dos cristais de cálcio do labirinto, o que prejudica as informações sobre postura enviadas ao cérebro;
  • enxaqueca vestibular: quando a tontura surge associada à enxaqueca, geralmente como vertigem, sensação de desequilíbrio ou mareio;
  • tontura postural perceptual persistente (TPPP): conhecida como “vertigem fóbica”, é um quadro de tontura que se instala e passa a ocorrer na maior parte dos dias após um episódio súbito de perda de equilíbrio;
  • doença de Ménière: quadro crônico ligado ao aumento da pressão no labirinto e caracterizado por crises intensas e repentinas de vertigem, zumbido e perda de audição flutuante.

Somente a avaliação de um médico é capaz de determinar com precisão a causa da tontura. Como dito, embora sentir tontura do nada geralmente não seja motivo para preocupação, episódios muito intensos ou frequentes devem ser investigados.

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Quando consultar um médico especialista?

Pessoas idosas tendem a apresentar tontura com mais frequência, mesmo na ausência de patologias específicas, pois características típicas dessa faixa etária — uso de alguns medicamentos, alterações vasculares e cardíacas — favorecem a queda da pressão arterial.

Entretanto, a tontura é uma queixa comum entre pessoas de todas as idades e merece atenção quando ocorre de maneira frequente e principalmente quando surge acompanhada de outros sintomas, como:

  • alterações auditivas: como sensação de ouvido tapado ou perda de audição;
  • zumbido no ouvido: percepção de um som (como apito, chiado ou inseto), sem uma fonte sonora externa;
  • desconfortos no ouvido: como secreção, coceira ou dor;
  • quedas frequentes: quando o sintoma está diretamente relacionado a episódios frequentes de quedas e lesões.

Nesses casos, é fundamental consultar um médico otoneurologista — que é o otorrino especializado em tontura e zumbido. 

Episódios agudos (que envolvem extrema desorientação e desmaios) requerem atendimento médico imediato, assim como quando são constatadas alterações neurológicas, como distorções visuais, perda de coordenação e dificuldade de fala e deglutição (reflexo de engolir).

Em casos de tontura súbita, medidas simples como sentar, tomar ar, relaxar e manter os olhos abertos podem ajudar. Entretanto, quando esses eventos são intensos, atípicos ou frequentes, é fundamental investigar.

A tontura pode ter diversas causas e há tratamento para todas elas. O primeiro passo, porém, é consultar um médico otoneurologista. Quanto antes o paciente obtiver um diagnóstico preciso e iniciar o tratamento correto, menores serão os impactos do sintoma em sua vida.

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Sobre Dra Nathália Prudencio

Dra Nathália Prudencio é médica otoneurologista, especialista em tontura e zumbido. Saiba mais
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