Zumbido no ouvido sem perda auditiva é possível?
Embora a perda auditiva esteja frequentemente associada ao zumbido no ouvido, nem todos os pacientes apresentarão esse tipo de quadro. O zumbido pode surgir por diversas outras causas, muitas delas com possibilidade de remissão completa do sintoma.
O zumbido no ouvido é a percepção de um som sem uma fonte sonora externa. É um sintoma muito comum em pessoas com perda auditiva, mesmo que discreta, mas que pode estar associado a inúmeras outras causas.
Por padrão, dada a prevalência da perda auditiva na população com zumbido, a avaliação da audição é fundamental em todos os pacientes, normalmente a primeira linha de investigação. E, mesmo quando a perda auditiva é constatada, devemos avaliar outros possíveis fatores associados de acordo com a história e os sintomas do paciente, pois comumente as pessoas têm vários motivos para ter o zumbido.
Neste artigo, porém, foco nos quadros em que os testes de audição dão normais e o zumbido é presente. É o seu caso? Então é hora de entender o que pode estar acontecendo. Continue a leitura e confira!
Minha audição é normal, mas tenho zumbido no ouvido
Antes de tirarmos qualquer conclusão é muito importante realizar os testes de audição para verificar se, de fato, a sua audição é normal. Muitas pessoas têm perda auditiva, mas não a notam, principalmente quando o quadro é inicial e se instalou de forma gradual.
Ou seja, mesmo que você ache que escute bem, é fundamental fazer uma avaliação com um médico otoneurologista. Até mesmo uma perda ou lesão auditiva discreta é capaz de desencadear o zumbido, por isso, avaliar a sua audição é fundamental, mesmo quando outros fatores e sintomas estão presentes.
Uma vez constatada que a sua audição está normal (dentro dos limites esperados para a sua idade), podemos partir, então, para a investigação de causas em que esse padrão é observado - entretanto, devo ressaltar que, na maioria das pessoas com zumbido, algum grau de alteração na via auditiva é detectado e elas podem não estar presentes na audiometria convencional, mas em exames como audiometria de altas frequências e emissões otoacústicas.
O que pode causar zumbido sem perda auditiva?
Quando observamos pacientes com audição normal na audiometria (geralmente jovens), mas com zumbido, as principais suspeitas são:
- acúmulo de cera;
- exposição recente a sons altos;
- disfunção temporomandibular;
- alterações musculares em cervical e em ombros;
- alterações metabólicas;
- distúrbios do sono.
Entretanto, entenda que os quadros de zumbido são comumente complexos, ou seja, geralmente existem diferentes fatores associados ao surgimento do sintoma, a seu possível agravamento e até à percepção do som pelo paciente. Uma investigação aprofundada é essencial para um diagnóstico preciso e por isso é tão importante a avaliação de um médico especialista, que neste caso é o otoneurologista.
Como identificar o zumbido?
Geralmente, o próprio paciente percebe o som constante ou intermitente, que pode variar bastante em intensidade e frequência ao longo do dia. Algumas pessoas relatam um chiado bem leve, quase imperceptível, enquanto outras experimentam ruídos mais fortes e contínuos, que chegam a atrapalhar a concentração e o sono.
Além disso, é comum que o zumbido se manifeste de forma mais evidente em ambientes silenciosos, como durante a noite, ou em momentos de maior estresse e ansiedade.
Observar padrões no aparecimento, na constância e na intensidade do zumbido é fundamental para ajudar o especialista a determinar a possível causa e o tratamento mais indicado. Você deve observar, por exemplo, em quais situações o som é mais perceptível, se ele está presente em ambos os ouvidos ou apenas em um, e se existem outros sintomas associados, como dor de cabeça ou sensação de ouvido tapado. Além disso, é importante observar se o zumbido aparece em momentos de tensão, em dias específicos, se é contínuo ou só aparece em ambientes silenciosos.
Quando não há perda auditiva, o zumbido no ouvido tem cura?
O zumbido pode estar relacionado a diferentes causas, algumas com possibilidade de remissão completa e outras que configuram casos crônicos, em que trabalharemos a diminuição do som e a percepção do paciente em relação a ele.
Entretanto, é importante esclarecer que cada caso é um caso e a cura completa do sintoma é algo que só poderemos determinar no fim do tratamento.
Mesmo quando o zumbido surge associado a uma causa tratável, como acúmulo de cerume, alterações musculares ou uso de determinados medicamentos, nem todos os pacientes apresentam 100% de melhora após o tratamento da causa subjacente identificada - parte deles pode apresentar apenas uma melhora, exigindo novas investigações ou outras abordagens terapêuticas.
Os quadros crônicos, porém, são os mais comuns, mas há recursos e tratamentos eficazes para todos os casos. Milhões de pessoas convivem bem com o zumbido no ouvido, sem impactos em sua qualidade de vida, mas, para isso, a primeira coisa a fazer é entender por que e como ele se manifesta.
Quando consultar um especialista?
Qualquer sintoma que chame a sua atenção e gere incômodo deve ser investigado, sobretudo quando ele já interfere em sua vida cotidiana.
O zumbido, persistente ou não, pode prejudicar o sono, a concentração e até a socialização, além de frequentemente gerar muita ansiedade, principalmente em quem não tem um diagnóstico fechado - ou seja, quanto mais você demora a investigar o sintoma, mais cresce a preocupação e a angústia em relação a ele e suas possíveis consequências.
Sendo assim, diante de qualquer alteração auditiva notável, não deixe de consultar um otoneurologista, o otorrino especialista na investigação e tratamento do zumbido no ouvido.
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