Mulher idosa usando a mão próxima à orelha para ouvir melhor - Perda auditiva por doença autoimune

A perda auditiva por doença autoimune, também chamada de disacusia neurossensorial imunomediada, ocorre quando o sistema imunológico ataca estruturas do ouvido interno, causando perda auditiva progressiva, zumbido e, em alguns casos, vertigem.

A audição depende do funcionamento adequado de estruturas delicadas do ouvido interno e de uma comunicação eficiente com o sistema nervoso central. Quando o próprio sistema imunológico passa a atacar essas estruturas, pode surgir um quadro conhecido como perda auditiva imunomediada, que é basicamente a perda auditiva causada por doença autoimune.

Embora seja uma condição relativamente rara, ela merece atenção especial por apresentar evolução potencialmente rápida e, em muitos casos, responder bem ao tratamento quando diagnosticada precocemente. 

Neste texto, explicamos o que é essa forma de perda auditiva, quais são seus sintomas, como é feito o diagnóstico e quais são as opções de tratamento disponíveis. Confira!

O que é a perda auditiva por doença autoimune?

A perda auditiva por doença autoimune é um tipo de perda auditiva neurossensorial, causada por uma resposta inadequada do sistema imunológico contra componentes do ouvido interno, como a cóclea e o nervo auditivo.

Nessa condição, o organismo passa a reconhecer essas estruturas como “estranhas” e desencadeia um processo inflamatório que compromete a audição. Esse mecanismo é semelhante ao observado em outras doenças autoimunes, como lúpus, artrite reumatoide ou vasculites (que, inclusive, podem estar associadas).

A doença pode aparecer na literatura médica e em laudos com diferentes denominações, como:

  • disacusia neurossensorial imunomediada;
  • perda auditiva imunomediada;
  • perda auditiva autoimune.
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Independentemente do nome, o mecanismo fisiopatológico envolve inflamação e dano às estruturas do ouvido interno mediado pelo sistema imunológico.

Quais são as características da perda auditiva imunomediada?

Algumas características ajudam a diferenciar a perda auditiva por doença autoimune de outras possibilidades, como:

  • perda auditiva progressiva, que pode evoluir ao longo de dias ou semanas;
  • geralmente bilateral, mas que pode começar em apenas um ouvido;
  • flutuação da audição, com períodos de piora e melhora;
  • boa resposta inicial ao tratamento imunossupressor em muitos casos.

Por essas particularidades, o reconhecimento precoce é fundamental para preservar a audição.

Sintomas comuns da perda auditiva imunomediada

Além da perda auditiva, outros sintomas podem estar associados à doença autoimune do ouvido interno, como:

  • zumbido (tinnitus);
  • sensação de ouvido tampado ou pressão auricular;
  • tontura ou vertigem, em alguns casos;
  • desequilíbrio;
  • dificuldade de compreensão da fala, especialmente em ambientes ruidosos.

A intensidade dos sintomas pode variar bastante entre os pacientes.

Diagnóstico e relação com outras doenças autoimunes

A perda auditiva imunomediada pode ocorrer de forma isolada, restrita ao ouvido interno, ou estar associada a doenças autoimunes sistêmicas, como:

  • lúpus eritematoso sistêmico;
  • artrite reumatoide;
  • síndrome de Cogan;
  • vasculites sistêmicas;
  • doenças inflamatórias intestinais.

Por isso, a investigação clínica costuma envolver uma avaliação mais ampla do estado imunológico do paciente.

O diagnóstico da perda auditiva por doença autoimune é essencialmente clínico, baseado na combinação de história (anamnese), exames (auditivos, laboratoriais e de imagem) e resposta ao tratamento. Não existe um exame único que confirme a doença de forma definitiva.

Como é tratada a perda auditiva imunomediada?

O tratamento deste tipo de quadro de perda auditiva é definido de acordo com o diagnóstico do paciente, sendo o foco o tratamento ou manejo da causa primária dos sintomas. Geralmente, a abordagem médica segue os seguintes caminhos.

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Uso de corticoides

Os corticoides são, geralmente, a primeira linha de tratamento da perda auditiva por doença autoimune. Eles atuam reduzindo o processo inflamatório e modulando a resposta do sistema imunológico, podendo levar à melhora parcial ou significativa da audição, especialmente quando iniciados precocemente.

O esquema de uso (dose, duração e via de administração) deve ser individualizado e sempre orientado por um médico, considerando riscos e benefícios.

Outras terapias imunossupressoras

Em casos nos quais há recidiva dos sintomas, resposta insuficiente aos corticoides ou necessidade de tratamento prolongado, podem ser utilizados outros medicamentos imunossupressores, sob acompanhamento especializado.

Acompanhamento auditivo

O monitoramento da audição ao longo do tempo é essencial para avaliar a resposta ao tratamento e ajustar condutas terapêuticas.

Em situações de perda auditiva permanente, os aparelhos auditivos podem ser indicados para melhorar a comunicação e a qualidade de vida.

A importância do diagnóstico precoce

A perda auditiva imunomediada é uma das poucas causas de perda auditiva neurossensorial com possibilidade de plena reversão do quadro, especialmente quando identificada nas fases iniciais.

O atraso no diagnóstico pode levar a perda auditiva permanente e progressão do dano no ouvido interno, além do maior impacto funcional e emocional ao indivíduo.

Alterações auditivas progressivas costumam gerar insegurança, ansiedade e dificuldade de interação social. Quando associadas à incerteza diagnóstica, esses impactos podem ser ainda maiores.

Compreender a natureza da doença, receber um diagnóstico claro e ter acompanhamento médico adequado ajuda a reduzir a ansiedade, melhora a adesão ao tratamento e contribui para melhores resultados clínicos.

O acompanhamento médico especializado é fundamental para o diagnóstico correto, definição do tratamento e preservação da audição. Diante de qualquer alteração auditiva progressiva ou flutuante, consultar um otoneurologista (médico especialista em tontura e zumbido) é essencial para garantir o melhor prognóstico possível.

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Sobre Dra Nathália Prudencio

Dra Nathália Prudencio é médica otoneurologista, especialista em tontura e zumbido. Saiba mais
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