Mulher com mãos na cabeça com tontura - Tratamento para labirintite sem remédio

As pessoas esperam que o tratamento de sintomas e doenças sempre envolva o uso de algum medicamento. Entretanto, os remédios nem sempre serão necessários, como é o caso da tontura, onde parte dos diagnósticos requer outros tipos de intervenções.

É muito comum ouvir alguém dizer que está com “labirintite” ao sentir tontura, vertigem ou desequilíbrio. No entanto, essa associação raramente está correta. Na prática, a maioria das pessoas utiliza o termo “labirintite” para se referir a qualquer episódio de tontura, quando, na verdade, existem diversas doenças que podem provocar esse sintoma. Por isso, falar em tratamento para labirintite sem remédio exige, antes de tudo, entender qual é a verdadeira causa do problema.

A labirintite propriamente dita é a infecção/inflamação do labirinto (estrutura localizada no ouvido interno responsável pelo equilíbrio), uma condição bastante incomum. Muito mais frequentes são doenças como a vertigem posicional paroxística benigna (VPPB), a doença de Ménière, a neurite vestibular, alterações metabólicas, enxaqueca vestibular e até quadros de ansiedade, que também podem causar tonturas.

Em muitos casos, os medicamentos não representam a principal forma de resolver o problema. Um bom exemplo é a vertigem posicional paroxística benigna, considerada uma das causas mais comuns de vertigem. Nessa situação, pequenos cristais presentes no ouvido interno se deslocam para uma região inadequada, desencadeando episódios intensos de tontura ao realizar determinados movimentos com a cabeça. O tratamento é realizado por meio de manobras de reposicionamento, feitas por um médico ou fisioterapeuta especializado, sem necessidade de medicamentos.

Outra abordagem bastante utilizada, principalmente em casos de diminuição da atividade do labirinto, como após o quadro de neurite vestibular, é a reabilitação vestibular. Trata-se de um conjunto de exercícios personalizados que estimulam o cérebro a compensar alterações no equilíbrio. Esses exercícios ajudam a reduzir a tontura, melhorar a estabilidade ao caminhar e a recuperar a confiança para realizar atividades do dia a dia.

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Também existem situações em que o tratamento consiste em controlar fatores associados. Alterações da pressão arterial, diabetes, distúrbios da tireóide e outras condições clínicas podem provocar ou agravar episódios de tontura. Nesses casos, tratar a doença de base costuma trazer melhora importante dos sintomas, sem que seja necessário utilizar medicamentos específicos para a tontura por longos períodos.

Além disso, alguns hábitos de vida também exercem influência sobre o equilíbrio. Dormir adequadamente, manter boa hidratação, evitar longos períodos de jejum e controlar o estresse, são medidas que podem reduzir a frequência ou a intensidade das crises.

É claro que medicamentos podem sim ser utilizados para aliviar ou prevenir crises de tontura e sintomas associados, como náuseas e vômitos, mas eles nem sempre atuam na verdadeira causa do quadro. Além disso, o uso de qualquer substância deve ser sempre orientado por um médico especialista, que avaliará sua relevância no tratamento e indicará o modo de uso ideal.

Sendo assim, para saber se o tratamento da sua tontura (ou “labirintite”) prevê o uso de medicamentos ou não, a primeira coisa a fazer é consultar um médico otoneurologista, o otorrinolaringologista especialista em tontura, que fará uma avaliação global do seu caso para definir causas e fatores associados.

Outra dúvida comum é sobre o diagnóstico da tontura, que nem sempre depende de exames. Aproveite que está no blog e confira também: Tontura e exames normais: entenda porque isso acontece

 


Sobre Dra Nathália Prudencio

Dra Nathália Prudencio é médica otoneurologista, especialista em tontura e zumbido. Saiba mais
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