7 erros ao tratar o zumbido no ouvido que podem atrasar a sua melhora
Se forçar a conviver com um sintoma incômodo, se automedicar e negligenciar assistência médica especializada são alguns dos principais erros cometidos ao lidar com o zumbido no ouvido e que atrasam o diagnóstico e o tratamento corretos.
O zumbido no ouvido é um sintoma que afeta milhões de pessoas e pode se manifestar de diferentes formas: chiado, apito, assobio, cigarra, motor ou até um ruído semelhante ao de água corrente.
Para a maioria das pessoas, ele não é um problema importante, mas para muitas, além de incômodo, ele interfere no sono, na concentração e na qualidade de vida.
Diante do desconforto, é comum procurar soluções rápidas. A internet está repleta de promessas de curas milagrosas, suplementos “naturais”, exercícios e receitas caseiras que garantem eliminar o zumbido definitivamente. O problema é que praticamente nenhuma dessas abordagens funciona de fato e muitas ainda podem colocar a sua saúde em risco.
Neste artigo, reuni os erros mais frequentes cometidos por quem convive com o zumbido e também explico o que realmente deve ser feito diante desse sintoma. Continue a leitura para conferir!
Por que o tratamento do zumbido não é igual para todos?
Antes de falar dos principais erros, vale destacar um ponto importante: o zumbido não é uma doença, mas um sintoma. Ou seja, você não tem zumbido simplesmente, mas alguma condição ou doença que está provocando esse sintoma.
Entre as principais causas, temos:
- perda auditiva (por envelhecimento ou exposição prolongada a ruídos intensos);
- enxaqueca vestibular;
- doença de Ménière;
- alterações da articulação temporomandibular (ATM);
- alguns medicamentos;
- alterações metabólicas;
- ansiedade e estresse, que podem intensificar a percepção do sintoma.
Por isso, duas pessoas com zumbido semelhante podem precisar de tratamentos completamente diferentes e costumam ter experiências diferentes também. Além disso, é muito comum que um mesmo paciente tenha vários motivos para ter o sintoma.
7 erros ao tratar zumbido no ouvido
Segue, então, a lista com os principais erros cometidos ao tratar o zumbido no ouvido.
1. Acreditar que existe uma cura única para todos os casos
Esse talvez seja o erro mais comum, e que dá sequência ao que expliquei anteriormente.
É fácil encontrar anúncios de medicamentos, suplementos e gotas otológicas supostamente capazes de acabar com qualquer tipo de zumbido instantaneamente, mas isso é impossível.
Nunca haverá uma solução universal. Como o zumbido possui diversas causas, o tratamento depende da origem do problema, que só pode ser detectada por meio de um bom diagnóstico.
Além disso, as pessoas lidam com o sintoma de formas diferentes. Um mesmo tipo de zumbido pode ser um ruído banal para uma pessoa e um tormento para outra. Há quem se incomode com o som o dia todo, assim como há quem se queixe apenas ao dormir, por exemplo.
Sendo assim, a definição do tratamento depende não apenas do diagnóstico, mas da experiência do paciente. Por isso, a abordagem é sempre individualizada. Não caia em golpes!
2. Conviver com o sintoma por muito tempo sem procurar avaliação
Muitas pessoas acreditam que o zumbido é um sintoma incurável e que, por isso, “não há nada a fazer” — uma opinião incorreta que também parte de alguns médicos, infelizmente.
De fato, nem sempre é possível reverter o sintoma, e o manejo do zumbido pode ser sim desafiador. Entretanto, há diversas formas de reduzir seu impacto na qualidade de vida, principalmente quando a causa e fatores associados são identificados precocemente.
Outro ponto importante é que, em parte dos casos, o zumbido pode ser o primeiro sinal de alguma doença ou condição que requer tratamento. Todos os casos, portanto, necessitam de uma avaliação completa.
3. Usar medicamentos ou suplementos por conta própria
A automedicação é uma má prática, mas infelizmente muito comum, e não seria diferente nesse caso.
Quem convive com zumbido costuma receber inúmeras indicações de amigos, familiares e vendedores: “fulano tomou isso e passou”, “me falaram que tal remédio é bom”.
Na internet, encontramos aos montes vitaminas, vasodilatadores, extratos vegetais e suplementos frequentemente divulgados como soluções definitivas para todos os casos. E o pior é que muitos desses produtos têm procedência duvidosa, não têm registros de inspeção ou qualquer comprovante de segurança ou controle — você sequer sabe o que está ingerindo!
Praticamente nenhuma dessas soluções funciona, e além de colocarem sua saúde em risco, elas te fazem perder tempo, postergando o devido diagnóstico e tratamento médico.
4. Ignorar uma possível perda auditiva
A perda auditiva está presente na maioria dos quadros de zumbido. Nem sempre é a única causa, mas frequentemente um dos fatores determinantes para o surgimento do sintoma.
Essa perda auditiva não precisa ser grave, sequer notável. Há muitas pessoas com zumbido no ouvido com perda de audição discreta, sem impactos no seu dia a dia. Entretanto, até mesmo esses casos precisam ser acompanhados.
Por esse motivo, a audiometria, exame indolor que avalia a capacidade auditiva, é sempre solicitado na investigação do zumbido. Uma vez identificada, a perda auditiva também pode orientar a estratégia de tratamento.
Algumas pessoas podem se beneficiar dos aparelhos auditivos que, ao corrigirem a perda de audição, melhoram o zumbido. Outras, mesmo que não necessitem de aparelho, devem ser devidamente orientadas para preservar a audição residual e evitar a piora dos sintomas em geral.
5. Tentar mascarar o zumbido
Muitas pessoas com zumbido inicialmente acreditam que o sintoma só surge durante a noite, pois é o momento em que ele se torna mais notável. Na maioria das vezes, ele está presente o tempo todo, mas é durante à noite, quando é mais silencioso e a atenção está mais voltada ao corpo, que ele ganha evidência.
Com o tempo, pessoas com zumbido tendem a evitar o silêncio absoluto, justamente porque, na ausência de sons externos, o cérebro tende a direcionar mais atenção ao ruído interno.
É natural, diante do incômodo, desejar experimentar o silêncio (ou o “som do silêncio”, como muitos dizem), até como forma de descanso ou alívio, e é possível criar ambientes tranquilos e agradáveis, manejando o zumbido para que ele se torne menos perceptível.
Aqui, entram as técnicas de terapia sonora, onde ruídos brancos — como som de água corrente, chuva, folhas se movendo, ar condicionado ou ventilador, por exemplo — podem ser usados para reduzir a atenção dada ao zumbido.
Ao fazer isso, porém, é importante resistir à sensação de mascarar o zumbido, ou seja, aumentar o volume do som ao ponto dele sumir. Ao fazer isso, quando o ruído branco for retirado, sua atenção voltará imediatamente ao zumbido, geralmente até maior irritação.
Um dos pilares do tratamento é promover a habituação ao zumbido, ou seja, não é fazê-lo desaparecer, mas fazer com que seu cérebro pare de interpretá-lo como uma ameaça, reduzindo a resposta emocional, que é a verdadeira raiz do incômodo.
Para estimular isso, os ruídos brancos devem ser percebidos simultaneamente ao zumbido, em volume similar. Além disso, a terapia deve ser realizada de forma consistente, permitindo que seu cérebro se adapte, dia após dia.
6. Não cuidar dos fatores que podem piorar o zumbido
Embora ansiedade, estresse e privação de sono nem sempre sejam a causa do zumbido, eles frequentemente aumentam sua intensidade ou fazem com que ele seja percebido de forma mais incômoda.
Por isso, faz parte do tratamento adotar hábitos que favoreçam o bem-estar geral, como:
- manter uma rotina de sono regular;
- praticar atividade física;
- controlar doenças crônicas;
- reduzir a exposição a situações de estresse quando possível.
Além de adotar hábitos saudáveis, é também fundamental que o paciente com zumbido cuide muito bem da sua audição. Se a perda auditiva é a principal causa do sintoma, sua piora também pode implicar na piora do zumbido.
Um paciente com zumbido discreto pode evoluir para um quadro grave facilmente caso se mantenha exposto a fatores que agridem sua audição, como exposição a ruídos altos (no trabalho ou em eventos), uso de fones de ouvido em volume alto, tratamento inadequado de infecções e doenças, uso de medicamentos tóxicos para o ouvido, entre outros.
Uma estratégia de tratamento correta também prevê cuidados no dia a dia para cuidar da saúde e, principalmente, preservar a sua audição.
7. Desistir de tratar o sintoma
Entendo que muitas pessoas se sintam frustradas diante da confirmação de um sintoma crônico. Realmente não é fácil, e muitos pacientes vão precisar de apoio terapêutico para lidar com isso.
Entretanto, é preciso esclarecer que o zumbido é um sintoma manejável, mais comum do que a maioria das pessoas imagina. Com um diagnóstico confiável, orientação correta e persistência, é perfeitamente possível levar uma vida normal e saudável com o zumbido.
O primeiro passo para a melhora é consultar um especialista, um otoneurologista, o médico especializado nesse tipo de sintoma e que pode te ajudar a compreendê-lo melhor e oferecer caminhos realmente eficazes para lidar com ele.
O processo pode exigir testes, ajustes e, frequentemente, uma combinação de diferentes abordagens de saúde e bem-estar, mas tenha certeza que existem recursos para todos os casos de zumbido.
Como é feita a investigação do zumbido?
A investigação do zumbido parte da conversa com o paciente onde o médico especialista tenta extrair o máximo de informações possíveis sobre o sintoma, como:
- quando ele começou;
- se surgiu espontaneamente ou é algo que já existia e foi se agravando com o tempo;
- se ocorre em um ou ambos os ouvidos;
- se há outros sintomas associados, como sensação de ouvido tapado, perda de audição, tontura ou dor.
Após a entrevista, é realizado o exame físico e, quando necessário, são solicitados exames. O mais comum é a audiometria, mas podem ser solicitados testes vestibulares, exames de sangue e também de imagem, a depender dos achados.
Quando procurar um especialista?
O ideal é procurar um otoneurologista sempre que o zumbido:
- persistir por mais de alguns dias;
- vier acompanhado de perda auditiva;
- surgir junto com tontura intensa;
- afetar o sono ou a qualidade de vida;
- aparecer apenas em um dos ouvidos;
- surgir de forma súbita.
Quanto antes a investigação for iniciada, melhor, pois iniciamos a intervenção antes que o sintoma gere mais impactos na qualidade de vida do paciente.
Não espere mais. Consulte um especialista.
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