Homem trabalhador de boné vestindo fone de proteção EPI - perda auditiva relacionada a profissão

Muitas profissões expõem os trabalhadores a níveis elevados de ruído, que podem causar danos progressivos à audição. A perda auditiva relacionada à profissão é um problema sério e frequente, que afeta a qualidade de vida e a capacidade laboral.

Profissionais da indústria, da construção civil, do entretenimento e até dentistas são pacientes frequentes em consultórios de otorrinolaringologistas, bem como trabalhadores de várias outras áreas que também envolvem o uso de equipamentos ou a exposição repetida a ruídos altos.

Junto a presbiacusia (a perda auditiva relacionada a fatores inerentes ao envelhecimento), a perda auditiva relacionada ao trabalho é uma das causas mais comuns para esse tipo de quadro, mas pode ser prevenida.  

Neste artigo, trago os fatores que tornam um ambiente arriscado para a audição, os cuidados a serem tomados e que sintomas auditivos merecem atenção. Confira!

O que é perda auditiva ocupacional?

A perda auditiva ocupacional, geralmente ligada à perda auditiva induzida por ruído (PAIR), ocorre devido à exposição prolongada a sons intensos no ambiente de trabalho. 

Profissionais que operam máquinas e instrumentos ruidosos (como o famoso “motorzinho do dentista”), músicos que frequentam muitos eventos e até vendedores que atuam em estabelecimentos que ficam de frente para ruas movimentadas, todos eles estão sujeitos à perda auditiva por ruído, assim como muitos outros.

Nesse caso, observamos a perda auditiva neurossensorial, ou seja, aquela que se dá devido à lesão ou à morte das células nervosas responsáveis pela audição, comumente gerando sintomas permanentes.

Embora seja possível perder a audição por meio de uma única exposição a som intenso, o mais comum é um processo gradual, que pode passar despercebido no início.

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Causas e fatores de risco

Os principais fatores que contribuem para a perda auditiva ocupacional são:

  • exposição contínua a ruídos acima de 85 decibéis (dB);
  • tempo prolongado de exposição diária ao ruído;
  • uso inadequado ou ausência de equipamentos de proteção individual (EPIs);
  • ambientes com reverberação que amplificam o som;
  • fatores individuais, como predisposição genética e outras condições médicas.

Entender esses riscos ajuda a implementar estratégias eficazes de proteção. Embora recursos e medidas voltadas à ergonomia e à segurança do trabalho sejam obrigatórias, negligências na fiscalização e na conduta de profissionais podem aumentar os riscos. 

Sinais e sintomas de alerta

Na maioria dos casos, como dito, a perda auditiva evolui de forma gradual. É muito importante ficar atento a alguns sinais para tomar medidas de forma rápida e evitar danos mais graves à audição.

Os primeiros sinais de perda auditiva incluem:

  • dificuldade para ouvir sons e compreender conversas em ambientes ruidosos;
  • zumbido constante ou intermitente;
  • cansaço auditivo após o trabalho.

Diante de uma ou mais manifestações desse tipo, é fundamental realizar uma avaliação médica. E, caso constatada a perda auditiva devido ao trabalho, comunicar isso à empresa para que medidas de reparação sejam realizadas, bem como adaptações e melhorias sejam implementadas no ambiente de trabalho.

Medidas de prevenção no ambiente de trabalho

A prevenção é a melhor forma de proteger a audição, sobretudo em ambientes de trabalho ruidosos. Entre as medidas mais importantes, temos:

  • uso correto e contínuo de protetores auriculares e abafadores de ruído;
  • realização de exames audiométricos periódicos para monitorar a audição;
  • controle e redução do nível de ruído nas máquinas e equipamentos;
  • pausas regulares para evitar exposição prolongada;
  • campanhas de conscientização e treinamento dos funcionários.
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Essas são medidas básicas de proteção auditiva, mas observe que cada profissão e ambiente de trabalho demanda equipamentos e cuidados específicos. É obrigação da empresa atender as exigências das normas reguladoras vigentes, levantar dados e definir procedimentos padronizados para garantir a segurança dos profissionais.

Opções de tratamento e reabilitação

Embora a perda auditiva neurossensorial seja irreversível, medidas de prevenção podem ser adotadas para não agravar o quadro. Principalmente em pessoas jovens, o foco deve estar em preservar a audição ao máximo, mesmo que já tenha algum grau de perda auditiva ou zumbido.

Para administrar os sintomas, muitos recursos estão disponíveis, como:

  • aparelhos auditivos para amplificar sons e corrigir a perda auditiva;
  • acompanhamento com otorrino e fonoaudiólogo;
  • parar o quanto antes a exposição ao ruído para evitar a progressão da perda auditiva

O tratamento deve ser personalizado conforme o grau da perda e as necessidades de cada paciente.

A perda auditiva relacionada à profissão é uma condição séria, mas que pode ser prevenida com cuidados adequados e conscientização. Conhecer os riscos, adotar medidas protetivas e buscar avaliação periódica são passos fundamentais para manter a saúde auditiva e a qualidade de vida no trabalho.

Quer saber mais? Confira nosso artigo sobre PAIR (Perda auditiva induzida por ruído): o que é, como prevenir e tratamentos

 


Sobre Dra Nathália Prudencio

Dra Nathália Prudencio é médica otoneurologista, especialista em tontura e zumbido. Saiba mais
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