Mulher madura em forma, fitness, com tontura - tontura persistente qual exame fazer

Uma tontura que não passa pode estar associada a inúmeras causas, e nem sempre exames nos dizem tudo o que precisamos saber. Testes e exames podem ser sim solicitados, mas o diagnóstico da maioria das disfunções e doenças causadoras de tontura é clínico, ou seja, é baseado sobretudo na história do paciente.

A tontura é um sintoma muito comum, com causas variadas e muitas vezes difíceis de identificar. Seu impacto na qualidade de vida é notável e compreendo perfeitamente a frustração de muitos pacientes que sofrem na busca por um diagnóstico confiável.

A esperança de muitos é descobrir um exame único capaz de identificar de forma definitiva a causa da tontura. Entretanto, esse exame não existe.

Não entenda mal, há sim diversos testes e exames que podem ser usados para nos ajudar a descobrir a causa da tontura, mas todos eles têm caráter complementar. O diagnóstico da maioria das causas de tontura é definido a partir da interpretação do médico especialista da história contada pelo paciente na consulta médica - em parte dos casos, inclusive, exames específicos nem são necessários.

Neste artigo, quero esclarecer a abordagem médica utilizada para a investigação de casos de tontura, quais exames podem ser solicitados e em que situação eles são relevantes. Vamos lá?

O que pode estar por trás da tontura persistente?

A tontura frequentemente surge de forma pontual, desencadeada por alterações transitórias do organismo, como uma queda de pressão, calor intenso ou desidratação. Entretanto, quando ela surge de forma persistente, seja em crises ou de forma contínua, é sinal de que algo está acontecendo.

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A tontura pode persistir por diversos motivos, que vão desde alterações no ouvido interno — responsável pelo equilíbrio — até problemas neurológicos, cardiovasculares ou metabólicos. Não são raros, inclusive, casos em que identificamos diferentes causas associadas.

Além disso, fatores emocionais, como ansiedade e estresse, podem contribuir para a piora e manutenção do sintoma, tornando o diagnóstico um desafio que requer análise multidisciplinar.

Quando consultar um médico e qual médico consultar?

Qualquer tipo de tontura persistente deve ser investigada. É muito comum, principalmente em pacientes idosos, a falsa noção de que a tontura é algo “normal”. 

Dizem que é “coisa da idade” ou que “é labirintite”, uma interpretação que faz inúmeras pessoas negligenciarem o devido tratamento, muitas delas sofrendo por anos com problemas que poderiam ser resolvidos facilmente.

Toda tontura tem uma causa, e para todas as causas há recursos e tratamentos disponíveis. O primeiro passo, entretanto, é obter um diagnóstico confiável, o que você terá consultando um médico otoneurologista, que é o otorrino especialista em tontura e zumbido no ouvido.

Como é realizada a investigação de um quadro de tontura?

Muito antes de cogitar qualquer exame, o médico especialista costuma seguir uma abordagem em etapas, buscando identificar as causas mais prováveis de modo a orientar a sua investigação. Essas etapas são as seguintes.

Anamnese detalhada (entrevista clínica)

A primeira e mais importante etapa do processo. Nela, o médico vai investigar:

  • tipo de tontura (vertigem, sensação de desequilíbrio, cabeça leve etc.);
  • início, duração e frequência dos episódios;
  • fatores desencadeantes ou agravantes (movimentos, posições, jejum, estresse);
  • sintomas associados (zumbido, perda auditiva, náuseas, desmaios, visão turva);
  • histórico de doenças (hipertensão, diabetes, problemas neurológicos);
  • uso de medicamentos, álcool e outras substâncias.
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Exame físico geral e neurológico

Na sequência, o médico realizará o exame físico que consiste na avaliação da:

  • pressão arterial e frequência cardíaca;
  • avaliação do ouvido através da otoscopia;
  • marcha, equilíbrio e coordenação;
  • reflexos e força muscular;
  • movimentos oculares (para identificar nistagmo ou alterações no sistema vestibular).

Testes específicos de consultório

Dependendo do que for observado anteriormente, o médico pode realizar alguns testes, tais como:

  • Teste de Dix-Hallpike (para vertigem posicional paroxística benigna ou VPPB);
  • Head Impulse Test (também para VPPB);
  • avaliação de marcha tandem (em linha reta, ponta do pé no calcanhar);
  • Head shaking.

Hipóteses diagnósticas e abordagem inicial

Se o quadro parece típico de alguma causa comum (como VPPB, neurite vestibular ou alterações de pressão, por exemplo), uma estratégia de tratamento já pode ser definida.

Entretanto, quando há suspeita de causas mais específicas ou não há uma conclusão sólida para o quadro, exames podem ser solicitados para confirmar ou descartar hipóteses (diagnóstico diferencial).

Solicitação de exames complementares (se necessário)

Somente agora, então, exames poderão ser solicitados, e cabe ao médico definir quais deles são relevantes para refinar a investigação da tontura. 

Observe, porém, que nenhum exame, sozinho, é suficiente para fechar o diagnóstico do paciente. Todas as etapas anteriores são fundamentais, sendo a primeira delas a mais importante em todos os casos, tendo em vista que a maior parte dos diagnósticos de quadros de tontura é clínico.

Quais são os principais exames usados no diagnóstico da tontura?

A tontura é um sintoma abrangente, por isso, uma vasta gama de exames podem ser utilizados como ferramenta na investigação do especialista.

A escolha deles, como dito, deve levar em conta as pistas dadas pelo paciente em seu relato e em testes anteriores, sendo muito comuns:

  • audiometria e exames vestibulares: exames como audiometria, videonistagmografia, otoneurológico, VHIT, VEMP e posturografia testam a audição e o equilíbrio, identificando disfunções no ouvido interno ou nervos relacionados;
  • exames de sangue: verificam condições metabólicas, como diabetes, anemia ou alterações hormonais que podem afetar o equilíbrio;
  • exames de imagem (ressonância magnética e tomografia computadorizada): avaliam o cérebro e o ouvido interno para detectar alterações estruturais, tumores ou lesões;
  • teste de inclinação (Tilt test): avalia como o corpo responde a mudanças de posição, importante para diagnosticar causas cardiovasculares de tontura;
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Além de solicitar exames, o médico especialista pode também encaminhar o paciente para outros profissionais de saúde, seja para agregar informação ao diagnóstico, seja para dar início a um tratamento multidisciplinar após identificada a causa do sintoma.

Entendo muito bem que o diagnóstico de doenças causadoras de tontura pode ser desafiador, mas com uma investigação ampla e cuidadosa podemos sim identificar a origem e as características do sintoma, definindo uma estratégia de tratamento eficaz, montada especialmente para o seu caso e suas circunstâncias.

Buscar ajuda médica especializada é fundamental, e você pode fazer isso agora mesmo. Entre em contato conosco e agende uma consulta!

 


Sobre Dra Nathália Prudencio

Dra Nathália Prudencio é médica otoneurologista, especialista em tontura e zumbido. Saiba mais
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