Mulher jovem meditando - Tratamentos alternativos para zumbido no ouvido

O tratamento do zumbido deve ser prioritariamente realizado por meio de recursos e tratamentos cientificamente comprovados e consolidados na medicina. Entretanto, muitos pacientes se beneficiam de abordagens alternativas que podem sim contribuir para o tratamento de forma complementar.

Para muitas pessoas, o zumbido no ouvido pode ser um sintoma bastante incômodo, interferindo no sono, na concentração, no trabalho e até na saúde emocional.

Diante da enorme desinformação sobre o sintoma e também de diagnósticos alarmantes — “Zumbido não tem cura, se acostume com isso!” —, não é difícil entender por que tantas pessoas procuram tratamentos alternativos.

O problema é que a internet está repleta de promessas de cura impossíveis, fórmulas milagrosas e métodos supostamente revolucionários que muitas vezes não só são ineficazes, como também podem causar prejuízos e até colocar a saúde em risco.

Isso não significa que toda abordagem complementar seja inútil. Algumas estratégias podem ajudar determinados pacientes quando utilizadas de forma adequada e integradas ao acompanhamento médico, mas tudo deve ser acompanhado de perto por um otoneurologista.

Vamos conversar sobre isso?

Antes de falar em tratamento, é importante esclarecer o que é o zumbido

A primeira coisa a ser esclarecida é que o zumbido não é uma doença, mas um sintoma, uma manifestação que pode surgir devido a várias causas diferentes. É muito improvável, portanto, que exista uma solução única que resolva o problema de todos os pacientes, mesmo que algumas causas sejam muito frequentes. 

O zumbido é um sintoma que pode estar associado a diferentes condições, como:

  • perda auditiva (por idade ou exposição a ruídos altos);
  • alterações metabólicas;
  • exposição a ruidos;
  • distúrbios da articulação temporomandibular;
  • estresse e ansiedade;
  • uso de determinados medicamentos.

Para cada uma dessas possibilidades, há uma linha de tratamento específica. Além disso, por ser um sintoma muito subjetivo, as experiências variam de pessoa para pessoa, mesmo quando os diagnósticos são idênticos.

O tratamento do zumbido, portanto, é sempre individualizado, de acordo com as causas e necessidades específicas de cada paciente.

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Por que há tantas promessas de cura do zumbido?

O zumbido afeta milhões de pessoas em todo o mundo e ainda não há uma cura definitiva para todos os pacientes. Esse cenário cria um ambiente favorável para o surgimento de promessas exageradas e pessoas mal intencionadas, infelizmente.

É comum encontrar anúncios que garantem eliminação total do zumbido em poucos dias, curas naturais definitivas, fórmulas e terapias secretas, entre várias outras promessas.

Qualquer abordagem que promete resultados rápidos e garantidos para qualquer pessoa, sem levar em conta a causa, merece suspeita. Em medicina, resultados absolutos raramente existem.

Outro ponto importante é que o fato de o zumbido não ter cura, não significa que você sofrerá para sempre. Há diversos recursos e estratégias para manejar o sintoma e reduzir seus impactos na qualidade de vida, e essa é uma das linhas de tratamento mais comuns.

4 tratamentos alternativos para o zumbido no ouvido

A seguir, comento sobre alguns tratamentos alternativos para o zumbido no ouvido, esclarecendo se são, de fato, relevantes e o que você deve se atentar.

1. Meditação mindfulness

Alguns estudos sugerem que técnicas de mindfulness podem ajudar o paciente a reduzir o sofrimento causado pelo zumbido.

O cérebro não reage apenas ao som percebido, mas principalmente às emoções associadas a ele. Quando existe ansiedade, preocupação constante ou hipervigilância, o zumbido tende a se tornar mais incômodo, e é justamente aí que a prática da meditação pode contribuir.

Devo ressaltar, porém, que a meditação não deve ser a única abordagem adotada, mas uma ajuda complementar muito bem-vinda.

2. Acupuntura

A acupuntura é uma das terapias complementares mais procuradas por pessoas com zumbido, embora os resultados sejam variados.

Em síntese, as agulhas atuam no sistema nervoso promovendo a liberação de neurotransmissores como a endorfina e a serotonina, o que (hipoteticamente) poderia ajudar o cérebro a relaxar e a “ignorar” o som do zumbido, além de melhorar a circulação sanguínea local.

Alguns pacientes relatam melhora dos sintomas, enquanto outros não percebem benefícios relevantes.

Até o momento, as evidências científicas disponíveis não permitem afirmar que a acupuntura seja um tratamento comprovadamente eficaz para todos os casos de zumbido. Isso não significa que ela seja necessariamente inútil, mas sim que seus resultados tendem a variar de pessoa para pessoa.

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3. Suplementos naturais

Uma enorme quantidade de suplementos é comercializada com promessas relacionadas ao zumbido. Entre os mais divulgados estão compostos de ginkgo biloba, magnésio, zinco, vitaminas do complexo B e antioxidantes.

Embora alguns estudos sugiram alguma correlação entre deficiência de determinadas vitaminas, como a B12, e o surgimento ou agravamento do zumbido, os dados são ainda muito limitados.

Na maioria dos casos, não existem evidências robustas que sustentem a utilização indiscriminada desses produtos como tratamento para o zumbido.

Além disso, suplementos não são totalmente seguros, pois podem provocar efeitos adversos ou interagir com medicamentos. Seu uso, portanto, deve ser sempre discutido com um profissional de saúde.

4. Neuromodulação

Entre as abordagens mais recentes, a neuromodulação tem despertado grande interesse da comunidade científica. De forma simplificada, essas técnicas buscam modificar padrões de atividade cerebral associados ao zumbido.

Algumas linhas de pesquisa envolvem:

  • estimulação sonora específica;
  • estimulação elétrica;
  • estimulação magnética;
  • combinação de estímulos auditivos e sensoriais.

Os resultados iniciais são promissores em alguns grupos de pacientes. No entanto, muitas dessas tecnologias ainda estão em fase de desenvolvimento ou expansão clínica, e não devem ser encaradas como soluções definitivas.

Como não cair em golpes?

Como dito, devemos ficar em alerta ao nos depararmos com qualquer promessa grandiosa e sensacionalista. Antes de avaliar causas e diagnósticos, não há como definirmos qualquer tratamento para o zumbido no ouvido.

Você também deve tomar cuidado com depoimentos isolados. Uma armadilha comum é acreditar que um tratamento funcionará para todos porque funcionou para alguém — muitas vezes, não é possível confiar nem mesmo na pessoa que está dando depoimento, e mesmo que seja sincero, um relato isolado jamais substituirá evidências científicas (geralmente obtidas por meio de testes realizados com várias pessoas).

Diversos fatores podem explicar uma melhora temporária, incluindo efeito placebo, oscilações naturais dos sintomas, tratamentos realizados simultaneamente, mudanças no estresse, entre várias outras possibilidades.

O mais seguro mesmo, porém, é consultar um médico especialista e informá-lo sobre tudo, inclusive sobre a intenção de usar algum método alternativo. Dessa forma, você tem um acompanhamento confiável que pode te alertar para soluções não eficazes.

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Quais são os tratamentos utilizados na medicina?

Como esclarecido, o tratamento do zumbido depende da causa primária identificada. Se há uma doença, precisamos tratá-la. Se há alguma disfunção metabólica, precisamos corrigi-la. Se há alguma alteração muscular, devemos providenciar as medidas necessárias para a melhora.

Se tratando do zumbido, a perda auditiva é um fator presente na maioria dos casos, mesmo quando existem outros fatores envolvidos. Logo, em muitos pacientes, o uso de aparelhos auditivos para correção da audição pode promover a melhora do zumbido como benefício adicional.

Outra estratégia muito utilizada é a terapia sonora, que consiste em usar sons para reduzir a percepção do zumbido e promover a habituação do paciente ao ruído. O objetivo não é “mascarar” completamente o zumbido, mas ajudar o cérebro a reduzir sua percepção e importância, por meio da exposição a ruídos brancos (som constante e suave que contém todas as frequências sonoras audíveis tocadas na mesma intensidade). 

Em muitos pacientes, essa abordagem faz parte de programas estruturados de tratamento que também podem incluir acompanhamento com fonoaudiólogos, terapeutas, dentistas e outros médicos, além do otorrinolaringologista ou otoneurologista responsável.

De maneira geral, são também recomendadas práticas saudáveis para reduzir o impacto do sintoma no dia a dia, como:

  • alimentação balanceada;
  • prática regular de atividades físicas;
  • sono de qualidade;
  • controle da ansiedade e do estresse;
  • atividades sociais e de entretenimento;
  • preservação da audição residual (quando há perda auditiva).

A busca por tratamentos alternativos para zumbido é compreensível, especialmente quando os sintomas afetam significativamente a qualidade de vida e o paciente não recebe a orientação correta. No entanto, é fundamental diferenciar estratégias potencialmente úteis de promessas sem respaldo científico.

Com orientação adequada e expectativas realistas, muitos pacientes conseguem reduzir o impacto do zumbido e recuperar seu bem-estar no dia a dia, convivendo em harmonia com o sintoma.

Quer saber mais? Então confira também: 10 formas de tratar o zumbido no ouvido e orientações importantes

 


Sobre Dra Nathália Prudencio

Dra Nathália Prudencio é médica otoneurologista, especialista em tontura e zumbido. Saiba mais
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