22 dúvidas sobre labirintite respondidas pela Dra Nathália Prudencio, especialista em tontura e zumbido
O termo “labirintite” pode indicar duas coisas diferentes. Na linguagem popular, a labirintite é frequentemente citada como sinônimo de tontura, um sintoma muito comum e que pode ter diversas causas. Em rigor, porém, labirintite é o termo médico designado à infecção que acomete o labirinto, uma doença importante que causa, além da tontura, alterações auditivas, como perda de audição e zumbido no ouvido.
Sempre que me perguntam algo sobre labirintite, preciso, primeiro, saber a que essa pessoa está se referindo: tontura ou labirintite, de fato?
A diferenciação é importante, pois a primeira é um sintoma (que pode ter várias causas) e a outra uma doença específica. Quando isso não está claro, as pessoas podem se confundir.
Faço essa observação de antemão, pois o significado do termo labirintite nas dúvidas que encontramos na internet varia e, por isso, estou sempre esclarecendo essa questão. Dito isso, convido você a seguir a leitura para tirar as suas dúvidas sobre tontura e labirintite!
1. O que é labirintite?
Labirintite não é tontura, a tontura é um dos sintomas da labirintite, um quadro que costuma causar também perda auditiva, zumbido e náuseas. É caracterizada pela inflamação do labirinto e pode ser causada por infecções virais ou bacterianas.
Algumas pessoas também chamam de labirintite quadros crônicos de tontura, o que é uma colocação incorreta. A labirintite é um quadro agudo, ou seja, seus sintomas duram apenas alguns dias ou semanas, e não fica recorrendo de tempos em tempos.
2. Labirintite e vertigem são a mesma coisa?
Não. Se por “labirintite” você quer dizer tontura, você deve saber que este sintoma pode se manifestar de diversas formas, sendo uma das mais comuns a vertigem, caracterizada pela sensação de ver tudo ao redor girar ou de sentir o corpo girar.
A tontura também pode se apresentar de outras maneiras, como sensação de mareio, desequilíbrio ou instabilidade.
3. Quais os sintomas mais comuns da labirintite?
Em quadros de labirintite (inflamação do labirinto) esperamos sintomas como vertigem intensa, diminuição da capacidade auditiva, sensação de ouvido tapado, zumbido no ouvido, mal estar, náuseas e vômitos. Em quadros bacterianos mais graves, pode haver também secreção no ouvido.
4. A labirintite é contagiosa?
Não. Embora quadros de labirintite possam partir de infecções respiratórias comuns e contagiosas, como gripes e resfriados, a transmissão da labirintite em si é improvável.
5. Quais são as causas mais frequentes de labirintite?
Surge geralmente como uma complicação de um quadro infeccioso viral ou bacteriano anterior.
Por outro lado, se ao dizer labirintite você se refere ao sintoma tontura, as causas mais comuns são alterações ou doenças que acometem o sistema vestibular, embora ela também possa estar associada a quadros neurológicos e alterações metabólicas, entre outras possibilidades.
VPPB (tontura dos cristais), enxaqueca vestibular e TPPP (vertigem “fóbica”), por exemplo, são causas muito comuns de tontura.
6. Labirintite causa perda de audição permanente?
A labirintite pode deixar como sequela a perda de audição, e nesses casos é importante fazer a correção dessa perda com o uso de aparelhos auditivos.
7. O que desencadeia crises de labirintite?
Pequenas crises de tontura podem ser desencadeadas por mudanças rápidas de posição, movimentos bruscos com a cabeça, desidratação, estresse físico ou emocional, hipoglicemia (queda nos níveis de açúcar no sangue), queda de pressão, entre outras alterações pontuais. Nesses casos, porém, o sintoma é transitório.
Episódios intensos ou frequentes, porém, podem indicar condições de saúde que requerem tratamento. Nesses casos, é fundamental consultar um médico otorrinolaringologista ou um otoneurologista (otorrino especialista em tontura).
8. Quanto tempo dura a labirintite?
A labirintite (infecção) costuma durar de dias a algumas semanas, a depender do agente infeccioso, das características do quadro e da resposta imunológica do paciente.
Em relação ao sintoma tontura (“labirintite”), a duração depende da causa subjacente. Cada uma delas se apresenta de uma forma e requer tratamento e manejo específicos.
Vale destacar que há quadros de tontura que podem ser resolvidos de forma imediata, como a tontura dos cristais (VPPB), mas muitos pacientes sofrem por meses ou até anos com o sintoma por negligenciar o cuidado médico.
9. Labirintite pode causar desmaios?
Crises intensas de tontura podem gerar forte sensação de desequilíbrio e náuseas, mas desmaios geralmente indicam outras questões envolvidas, como hipoglicemia, queda de pressão arterial ou causas de ordem cardiovascular ou neurológica, por exemplo.
10. Labirintite tem cura?
Há tratamentos disponíveis para todas as causas de tontura, seja em quadros agudos (como a labirintite, propriamente dita), seja em quadros crônicos (que exigem manejo adequado para prevenção de novas crises, como na enxaqueca vestibular).
A melhora do paciente, porém, depende do tratamento correto, que só pode ser definido a partir de um diagnóstico preciso. Ou seja, consultar um médico especialista (otoneurologista) é o primeiro passo para resolver a sua tontura.
11. Quais exames são indicados para labirintite?
Não há nenhum exame específico capaz de determinar, isoladamente, a causa da tontura. O diagnóstico é clínico, ou seja, baseia-se principalmente na história do paciente e em seu relato na consulta médica.
Testes, exames físicos e de imagem podem ser solicitados para complementar o diagnóstico ou para descartar possibilidades, mas nem sempre eles serão necessários. A necessidade desses recursos e a definição dos exames necessários varia caso a caso e deve ser sempre orientada por um médico especialista.
12. Labirintite é mais comum em crianças ou adultos?
A labirintite (infecção) é uma doença rara que pode ocorrer em qualquer idade. Em crianças, o quadro pode surgir como uma complicação de otites não completamente curadas, e em adultos, após infecções virais, geralmente no trato respiratório.
Em relação ao sintoma tontura (“labirintite”), sua prevalência é maior na população idosa devido à alterações de saúde intrínsecas ao envelhecimento, mas também pode acometer pessoas de todas as faixas etárias.
13. Existe remédio caseiro para labirintite?
Ervas e chás naturais podem ser usados de forma complementar, mas seu uso também deve ser orientado por um médico.
A labirintite (infecção do labirinto) de origem viral é geralmente autolimitada (o organismo se cura naturalmente), e o tratamento consiste apenas em repouso, hidratação e medicamentos para alívio dos sintomas. Em quadros bacterianos, porém, a administração correta de antibióticos é fundamental.
Já se por “labirintite” você se refere ao sintoma tontura, é preciso dizer que, embora algumas soluções naturais tenham sido testadas, os resultados são muito discretos e não devem, de forma alguma, substituir o tratamento convencional.
14. O que fazer durante uma crise de labirintite?
Durante uma crise de labirintite (tontura), a primeira coisa a fazer é procurar se sentar ou se deitar com segurança. Outra recomendação é manter os olhos abertos, preferencialmente se concentrando em algum ponto fixo, pois isso ajuda o seu cérebro a se orientar melhor enquanto os sinais do sistema vestibular encontram-se alterados.
É importante manter a calma e pedir ajuda, caso ainda não tenha sido acudido por uma pessoa. Em casos de desidratação ou queda de glicose, é também recomendável esperar o sintoma melhorar para beber água ou ingerir qualquer alimento, a fim de evitar engasgos ou vômitos.
Caso o sintoma persista, se intensifique ou preceda um desmaio, é fundamental solicitar socorro médico ou levar o paciente até uma unidade de pronto atendimento.
15. Labirintite pode causar desequilíbrio permanente?
Raramente. A maioria dos pacientes com tontura recuperam o equilíbrio completamente após o tratamento correto da causa subjacente, inclusive em quadros infecciosos graves, como a labirintite bacteriana.
Em alguns casos, porém, a tontura pode se apresentar de forma crônica como sequela do quadro, exigindo manejo adequado para prevenção e alívio do sintoma.
16. Qual a diferença entre labirintite e vertigem posicional paroxística benigna (VPPB)?
A VPPB é causada pelo deslocamento de cristais no ouvido interno, provocando crises de vertigem curtas e intensas ao mudar de posição.
A labirintite, por sua vez, é uma doença infecciosa caracterizada pela inflamação do labirinto, órgão relacionado ao equilíbrio e à audição — por isso, são esperados também sintomas auditivos nesse caso, como perda de audição, zumbido e sensação de ouvido tapado, além da tontura.
17. Qual é o tratamento medicamentoso da labirintite?
O tratamento da labirintite viral é semelhante ao tratamento de outras infecções e consiste em acompanhamento médico, cuidados em casa e medicamentos para alívio dos sintomas — podem ser prescritos anti-inflamatórios, corticosteroides e antieméticos. Em quadros bacterianos, o uso de antibióticos é também fundamental.
Para outros casos de tontura, o uso de medicação e o tipo dependerá da causa subjacente. Em muitos casos, inclusive, não há necessidade de usar remédios, como na VPPB, cujo tratamento consiste unicamente na realização da manobra de correção em consultório.
18. Fisioterapia vestibular ajuda?
Sim, em casos em que a labirintite deixou alguma sequela e o paciente permanece com sintomas, como desequilíbrio e instabilidade, a reabilitação vestibular pode ajudar.
19. A labirintite pode voltar?
Embora muito raro, pacientes predispostos a infecções, que não foram devidamente tratados ou com doenças autoimunes podem apresentar recorrência em quadros de labirintite.
Já em relação ao sintoma “labirintite”, ou tontura, ele pode surgir diversas vezes ao longo da vida por diferentes motivos.
20. A labirintite causa zumbido?
Frequentemente. O acometimento do labirinto (órgão relacionado à audição e ao equilíbrio) pode desencadear sintomas auditivos, como o zumbido. Na maioria dos casos, o zumbido melhora junto com os demais sintomas da infecção, após alguns dias ou semanas.
21. Quais hábitos ajudam na prevenção?
A prevenção da labirintite (infecção) pode ser feita a partir da adoção de um estilo de vida saudável, que mantenha o sistema imune funcionando corretamente. Além disso, é importante manter a vacinação em dia e tratar doenças de forma correta e efetiva, sem demora, evitando possíveis complicações. Nada disso garante que você não terá labirintite, mas contribui para reduzir as chances de uma infecção desse tipo.
Para prevenir a tontura de maneira geral, os cuidados são os mesmos, mas é importante esclarecer que não temos controle sobre tudo. Por isso, é sempre importante se manter atento aos sintomas e não deixar de procurar ajuda médica quando necessário.
22. Quando procurar um especialista?
A tontura merece atenção quando surge de forma constante, frequente ou intensa e, principalmente quando surge associada a outros sintomas, como enxaqueca ou perda de audição.
Entretanto, é recomendável consultar um especialista diante de qualquer incômodo. Não é normal sentir tontura! É certo que existem motivos para que ela aconteça e quanto antes você descobrir a causa e providenciar o devido tratamento, menores serão os impactos em sua qualidade de vida.
O médico mais indicado para esse tipo de quadro de saúde é o otoneurologista, que nada mais é do que um otorrinolaringologista dedicado às alterações e doenças causadoras de zumbido e tontura.
Você já ouviu falar nessa especialidade médica? Continue no blog e confira também: Otoneurologista: o médico que trata tontura e zumbido
