Surdez congênita: causas, sintomas, teste da orelhinha e tratamento
A surdez congênita é aquela que está presente desde o nascimento e que pode comprometer o desenvolvimento social e da linguagem se não for identificada precocemente.
A audição desempenha um papel fundamental no desenvolvimento da linguagem, da comunicação e da aprendizagem durante a infância. Por isso, alterações auditivas presentes desde o nascimento precisam ser identificadas o mais cedo possível.
Chamamos de surdez congênita a perda auditiva presente desde o nascimento, embora nem sempre seja percebida imediatamente pelos pais. Em muitos casos, o bebê aparenta estar saudável, mas apresenta dificuldade para captar os sons do ambiente.
Graças aos avanços da triagem auditiva neonatal — conhecida popularmente como teste da orelhinha — hoje é possível identificar grande parte desses casos ainda nos primeiros dias de vida, permitindo iniciar o acompanhamento e o tratamento precocemente.
Neste artigo, você entenderá o que é a surdez congênita, quais são suas principais causas, como ela é diagnosticada e quais tratamentos podem ajudar no desenvolvimento da criança. Siga a leitura!
O que é a surdez congênita?
Como dito, a surdez congênita é a perda auditiva presente desde o nascimento.
Ela pode afetar apenas um ouvido (surdez unilateral) ou ambos (surdez bilateral) e variar bastante em intensidade, desde perdas leves até perdas profundas.
Além disso, a perda auditiva pode permanecer estável ao longo da vida ou apresentar progressão, dependendo da causa.
Quais são as principais causas da surdez congênita?
Existem diversas causas possíveis, e nem sempre é possível identificar uma única origem. A seguir, listo as mais frequentes.
Alterações genéticas
As causas genéticas respondem por uma parcela significativa dos casos de surdez congênita.
Algumas crianças apresentam apenas a perda auditiva, enquanto em outras o sintoma faz parte de síndromes genéticas que também afetam outros órgãos ou sistemas do organismo.
Em muitos casos, não há histórico familiar conhecido, já que algumas alterações genéticas podem surgir mesmo quando os pais possuem audição normal.
Infecções durante a gestação
Algumas infecções adquiridas durante a gravidez podem afetar o desenvolvimento do ouvido interno do bebê.
Entre elas destacam-se:
- citomegalovírus (CMV);
- rubéola;
- toxoplasmose;
- sífilis;
- herpes;
- outras infecções congênitas.
O risco depende do momento da gestação em que a infecção ocorre e da gravidade do quadro.
Prematuridade e complicações neonatais
Bebês prematuros ou que necessitam de internação prolongada em unidade de terapia intensiva neonatal (UTI Neonatal) apresentam maior risco para alterações auditivas.
Entre os fatores associados estão:
- baixo peso ao nascer;
- falta de oxigenação adequada;
- infecções graves;
- necessidade de alguns medicamentos potencialmente tóxicos para o ouvido.
Nem todos esses bebês desenvolverão perda auditiva, mas eles costumam necessitar de acompanhamento mais cuidadoso.
Malformações do ouvido
Alterações na formação do ouvido externo, médio ou interno também podem causar surdez congênita.
Em alguns casos, essas alterações são facilmente identificadas no nascimento. Em outros, somente exames de imagem conseguem demonstrar ao visualizar a anatomia do ouvido.
Quais são os sinais da surdez congênita?
Nos primeiros meses de vida, a perda auditiva pode passar despercebida, exigindo ampla atenção. Com o crescimento, porém, alguns sinais podem chamar a atenção dos pais e dos profissionais de saúde, como:
- ausência de reação a sons intensos;
- não acordar com barulhos altos;
- dificuldade para localizar a origem dos sons;
- atraso no desenvolvimento da fala;
- pouca resposta quando chamado pelo nome;
- dificuldade para compreender a linguagem conforme cresce.
É importante lembrar que esses sinais não confirmam o diagnóstico, mas indicam a necessidade de avaliação especializada.
Não raramente, a perda auditiva é confundida com desatenção, desobediência e até condições funcionais, como TDAH (Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade) e Autismo (TEA, Transtorno do Espectro Autista). Por isso, é papel dos profissionais de educação e saúde orientar os pais sobre essa possibilidade.
O teste da orelhinha detecta a surdez congênita?
Sim. O teste da orelhinha é a principal forma de triagem auditiva neonatal.
Ele é realizado, preferencialmente, ainda na maternidade ou nas primeiras semanas de vida e tem como objetivo identificar bebês com maior risco de perda auditiva.
O exame é rápido, indolor e não causa desconforto ao recém-nascido.
Quando o resultado apresenta alteração, isso não significa automaticamente que o bebê tenha surdez. O exame apenas indica que são necessários testes complementares para confirmar ou descartar o diagnóstico.
Por isso, é fundamental que a família compareça às avaliações indicadas caso haja necessidade de investigação.
Quais exames confirmam o diagnóstico?
Quando existe suspeita de perda auditiva, o médico pode solicitar exames específicos para avaliar a audição da criança.
Potencial evocado auditivo de tronco encefálico (PEATE/BERA)
É um dos exames mais importantes para confirmar a presença e o grau da perda auditiva em bebês.
Ele avalia como os estímulos sonoros são conduzidos até o cérebro e permite estimar o funcionamento da via auditiva.
Audiometria infantil
À medida que a criança cresce, outros métodos de avaliação auditiva passam a ser utilizados de acordo com sua idade e capacidade de colaboração.
A audiometria comportamental e com reforço visual pode ser realizada a partir dos 6 meses de idade. Para crianças de 2 a 5 anos, utiliza-se a audiometria lúdica, onde o exame é adaptado para parecer uma brincadeira. A partir dos 6 anos, aplica-se a audiometria convencional (igual à de adultos).
Exames complementares
Dependendo da suspeita clínica, também podem ser indicados:
- exames genéticos;
- exames laboratoriais;
- tomografia computadorizada;
- ressonância magnética.
Esses exames ajudam a identificar a causa da perda auditiva e orientar o tratamento.
Por que o diagnóstico precoce é tão importante?
Os primeiros anos de vida representam um período fundamental para o desenvolvimento.
Quando a perda auditiva não é identificada precocemente, a criança pode apresentar dificuldades em diferentes áreas, como aquisição da fala, desenvolvimento da linguagem, aprendizagem, comunicação e interação social.
Por isso, atualmente recomenda-se que a investigação seja iniciada o mais cedo possível quando existe suspeita de alteração auditiva.
O diagnóstico precoce permite oferecer intervenções em um período em que o cérebro apresenta maior capacidade de adaptação ao estímulo sonoro.
Como é o tratamento?
O tratamento depende de diversos fatores, incluindo tipo da perda auditiva, intensidade, causa, idade da criança e presença de outras condições associadas.
Cada paciente recebe um plano terapêutico individualizado que geralmente inclui diferentes abordagens. A seguir, explico alguns dos principais recursos utilizados.
Aparelhos auditivos
Muitas crianças se beneficiam do uso de aparelhos auditivos, que amplificam os sons e favorecem o desenvolvimento da linguagem quando existe audição residual.
A adaptação deve ser realizada o mais precocemente possível quando houver indicação.
Implante coclear
Nos casos de perda auditiva severa ou profunda em que os aparelhos auditivos não proporcionam benefício suficiente, o implante coclear pode ser indicado.
Esse dispositivo eletrônico estimula diretamente o nervo auditivo, permitindo acesso aos sons para crianças que atendem aos critérios médicos.
A indicação, porém, depende de uma avaliação detalhada realizada por equipe especializada.
Terapia fonoaudiológica
Independentemente do tratamento escolhido, o acompanhamento com o fonoaudiólogo desempenha papel fundamental.
A terapia auxilia no desenvolvimento da comunicação, da linguagem e da percepção auditiva, respeitando as necessidades individuais de cada criança.
A surdez congênita tem cura?
Essa resposta depende da causa da perda auditiva.
Algumas alterações podem ser tratadas ou corrigidas, enquanto outras são permanentes.
Mesmo quando a audição não pode ser totalmente recuperada, existem recursos capazes de proporcionar excelente desenvolvimento da comunicação e melhorar significativamente a qualidade de vida da criança.
Por isso, o mais importante é identificar a perda auditiva precocemente e iniciar o acompanhamento adequado.
Quando procurar um otorrinolaringologista?
A avaliação especializada é recomendada sempre que:
- o teste da orelhinha apresentar alteração;
- o bebê possuir fatores de risco para perda auditiva;
- houver atraso no desenvolvimento da fala;
- a criança não responder adequadamente aos sons;
- existir suspeita de diminuição da audição em qualquer idade.
O acompanhamento precoce aumenta as oportunidades de intervenção e favorece o desenvolvimento auditivo e da linguagem.
A surdez congênita é uma condição que pode impactar significativamente o desenvolvimento infantil quando não é identificada precocemente. Felizmente, programas de triagem auditiva neonatal e os avanços no diagnóstico permitem reconhecer a maioria dos casos ainda nos primeiros meses de vida.
Com avaliação especializada, acompanhamento multidisciplinar e tratamento individualizado, muitas crianças conseguem desenvolver sua comunicação, linguagem e qualidade de vida de forma bastante satisfatória. O diagnóstico precoce continua sendo o principal aliado para alcançar os melhores resultados.
