Técnica para acabar com zumbido: livre-se desse tormento!
Por ser um sintoma intrigante e muitas vezes perturbador, o zumbido no ouvido pode gerar muita ansiedade nos pacientes e motivar a busca por soluções rápidas e milagrosas.
Todos os meses, milhares de pessoas buscam por soluções, remédios e técnicas para “acabar com o zumbido no ouvido”, parte delas com muita ansiedade.
O zumbido — aquele apito, chiado, ou ruído que só você escuta — é um sintoma intrusivo, que pode roubar a paz, o sono e a concentração. Além disso, para quem ainda não está familiarizado com o assunto, ele pode parecer algo incomum, intrigante e misterioso.
Sendo assim, é natural que muitas pessoas se preocupem bastante com ele e queiram se livrar logo desse tormento — frequentemente com medo dele não ir embora.
Em meio a isso, surgem inúmeras ofertas tentadoras, como vitaminas, óleos e medicamentos que prometem acabar com o zumbido rapidamente, bem como técnicas especiais ou milenares que passam longe de qualquer protocolo médico.
Neste artigo, quero fazer um alerta sobre isso, esclarecendo o que de fato é o zumbido, como proceder diante desse sintoma e as verdadeiras técnicas que podem ser usadas no tratamento e que tem eficácia comprovada. Continue a leitura para conferir!
O que é zumbido no ouvido? Quais as causas?
O zumbido, que também pode ser chamado de tinnitus, é a percepção de som na ausência de uma fonte sonora externa. Na maioria dos casos, somente o paciente ouve o seu zumbido, mas há alguns quadros em que ele pode ser detectado pelo examinador (o chamado zumbido objetivo).
Pode parecer algo estranho no início, principalmente para quem nunca ouviu falar, mas não há nenhum mistério no zumbido. Ele nada mais é do que um sintoma que indica que há ou houve alguma coisa no seu organismo, geralmente no sistema auditivo.
O zumbido é mais comum do que se imagina — estima-se que o sintoma afeta cerca de 28 milhões de pessoas apenas no Brasil — e a causa mais comum é a perda auditiva, inclusive em quadros leves, imperceptíveis pelo paciente.
A perda auditiva pode se dar naturalmente, em virtude do envelhecimento, mas também pode surgir devido a exposição frequentes a sons intensos, como máquinas, trânsito, explosões ou eventos. Até o uso exagerado de fones de ouvido em volume alto pode causar zumbido.
Outras causas também observadas com certa frequência são alterações no ouvido interno causadas por doenças (o que geralmente traz outros sintomas associados), lesões ou medicamentos ototóxicos. Menos frequentemente, o zumbido pode ser causado por disfunções musculoesqueléticas próximas ao ouvido (como a DTM), bem como alterações cardiológicas e metabólicas.
Por que vitaminas, remédios e técnicas vendidas na internet não funcionam?
Como esclarecido, o zumbido no ouvido pode ter diversas causas e para cada uma delas há uma estratégia de tratamento específica. Além disso, não é incomum que o paciente apresente vários motivos para ter o sintoma ou agravá-lo, o que exige uma abordagem personalizada. Ou seja, cada caso é um caso.
Dito isso, a primeira coisa que você deve desconfiar (e fugir) são os remédios e tratamentos que prometem curar qualquer tipo de zumbido, sem um diagnóstico definido.
Muitas substâncias já foram testadas, mas infelizmente ainda não existe nenhum medicamento capaz de atuar diretamente no sintoma e que sua eficácia tenha sido comprovada para todo e qualquer paciente com zumbido. O mesmo vale para a maioria das técnicas oferecidas como uma cura milagrosa para a condição.
Receitas e suplementos milagrosos
Vitaminas, chás e ervas são frequentemente vendidos como a cura para o zumbido. O Ginkgo biloba, um fitoterápico, é um clássico.
Isso não significa que tratamentos alternativos sejam proibidos, mas que seu uso deve ter caráter complementar e também ser supervisionado por um médico.
O diagnóstico de alguns pacientes pode sim indicar alguma carência nutricional ou alteração hormonal a ser corrigida com suplementação, mas isso só pode ser confirmado pela avaliação de um especialista.
Na maioria dos casos, porém, esses produtos são ineficazes. Embora algumas substâncias naturais tenham sido testadas para esse fim e até gerado alguns resultados positivos, como a Ginkgo biloba, os achados ainda são muito discretos para que consideremos isso uma alternativa de tratamento eficaz para todos os pacientes.
Exercícios e manobras para curar o zumbido
Manobras específicas da otorrinolaringologia, como a manobra de Epley, são eficazes para o tratamento de condições, como a vertigem posicional paroxística benigna (VPPB), mas elas não têm efeito sobre o zumbido — embora sejam erroneamente indicadas por falsos especialistas.
Já encontrei vídeos ensinando a bater na nuca ou apertar determinados pontos no rosto, mas essas “técnicas” carecem de qualquer base fisiológica para o tratamento do tinnitus e, dependendo da força empregada, podem até causar lesões.
Remédios para zumbido e a automedicação
Colocar óleos, alho ou outros produtos no ouvido, além de ser algo ineficaz, pode causar irritações ou lesões no ouvido. Nunca coloque nada dentro do ouvido sem a orientação de um otorrinolaringologista!
Medicamentos e suplementos sem eficácia comprovada também escondem grandes riscos, pois frequentemente sequer são informadas as substâncias presentes em sua composição.
O meu maior alerta, porém, é sobre a automedicação, uma prática perigosa que não só expõe o paciente a riscos, como frequentemente posterga a devida orientação, diagnóstico e tratamento que ele realmente necessita.
Como realmente acabar com o zumbido no ouvido?
Antes de qualquer coisa, esclareço que existem recursos e tratamentos para todos os casos de zumbido no ouvido, de forma individual. Entretanto, quando o sintoma se deve a uma perda auditiva já instalada, o mais provável é que ele seja crônico, ou seja, não há uma cura definitiva, mas um manejo para reduzir seus impactos na qualidade de vida do paciente.
A maioria das pessoas com zumbido crônico não se incomoda com o som. Apenas uma pequena parcela delas o considera um incômodo importante, levando a impactos no humor, concentração e sono.
O primeiro passo, porém, é obter um diagnóstico confiável com um médico especialista — até porque podem ser identificadas causas tratáveis, como doenças relacionadas, alterações musculares ou até excesso de cerume no ouvido.
Qual médico consultar para tratar zumbido no ouvido?
O zumbido no ouvido é um sintoma auditivo, portanto, de competência do otorrinolaringologista, médico com abordagem ampla que lida também com disfunções e doenças do equilíbrio, nariz e garganta.
Entretanto, por ser um sintoma muitas vezes de difícil diagnóstico e acompanhamento, é fortemente recomendado consultar um otoneurologista, que nada mais é do que um otorrinolaringologista dedicado a quadros de zumbido.
Pode haver necessidade de consultar outros especialistas, mas o ideal é que o encaminhamento seja feito pelo otorrino ou otoneurologista.
Como é feito o diagnóstico do zumbido no ouvido?
Antes de pensar em tratamento, precisamos encontrar a causa (ou as causas) do zumbido. A primeira parte é a entrevista com o paciente, onde coletamos o máximo de informações possíveis sobre o sintoma, o contexto e hábitos do paciente para traçarmos uma linha de investigação.
O exame físico é também necessário para avaliar o aspecto geral dos ouvidos e descartar doenças, irritações ou excesso de cerume, por exemplo.
A depender dos dados levantados, diferentes exames são solicitados para descartar possibilidades e refinar o diagnóstico. Como a perda auditiva é muito frequente, a audiometria é obrigatória em todos os casos, mas vários outros tipos de testes podem ser solicitados, bem como exames de sangue e de imagem.
Como é o tratamento do zumbido?
O tratamento do zumbido deve ser sempre focado na resolução ou manejo da sua causa subjacente e trabalhar a percepção do paciente em relação ao som para diminuir seu incômodo.
Se alguma alteração física for detectada, como cerume impactado, o tratamento consiste na realização da lavagem do ouvido em consultório. Caso alguma doença seja descoberta, o tratamento focará no tratamento dessa condição.
Já em casos crônicos, comumente causados por perda auditiva, o tratamento pode envolver o uso de aparelhos de amplificação sonora, como já mencionado, e terapias para promover a habituação do paciente ao ruído.
Não raramente, os pacientes podem necessitar de apoio psicológico e psiquiátrico, pelo menos no início do tratamento, para melhorar os resultados e reduzir os impactos do sintoma na qualidade de vida. Além disso, é sempre recomendado manter um estilo de vida ativo e saudável.
Quais são as técnicas comprovadas para tratar o zumbido no ouvido?
As principais técnicas para tratar o zumbido no ouvido e que tem sua eficácia comprovada são a Terapia Sonora, a Terapia de Retreinamento do Zumbido (TRT) e a Terapia Cognitivo Comportamental.
Resumidamente, a Terapia Sonora utiliza sons externos, como ruídos brancos (som da chuva, de folhas ou músicas relaxantes) para reduzir a percepção do paciente em relação ao zumbido. Sua proposta não é simplesmente mascarar o zumbido, mas promover a habituação do paciente ao som, por isso, os áudios usados não podem sobrepor completamente o ruído do tinnitus.
A TRT, por sua vez, combina a terapia sonora com aconselhamento psicológico para reeducar o cérebro a interpretar o zumbido de forma neutra. Há um protocolo documentado que deve ser acompanhado junto ao médico ou fonoaudiólogo para garantir o melhor aproveitamento possível.
Existem outros diversos tratamentos que podem ser empregados, além dos citados acima, para que possamos tratar a causa, como a fisioterapia (quando o zumbido tem associação com questões musculares), o tratamento de disfunção temporomandibular (que também pode contribuir para a geração do zumbido) a utilização de aparelhos auditivos em pacientes que apresentam perda auditiva e, mais recentemente, a neuromodulação.
Por fim, concluo esclarecendo que o tratamento do zumbido crônico exige dedicação e a melhora não acontece da noite para o dia. Fuja de soluções milagrosas que prometem cura instantânea, pois elas não são verdadeiras!
O zumbido pode sim gerar muito incômodo e afetar a vida de muitas formas, prejudicando a atenção, piorando o sono e contribuindo para a irritabilidade, por exemplo. Entretanto, o sintoma pode ser manejado de forma eficaz e deixar de ser um tormento em sua vida.
Não caia em golpes! Não se automedique! Consulte um otoneurologista e comece, desde já, a tratar o seu zumbido da forma certa!
